Flávio Bolsonaro declara Jorginho Mello como único representante da direita em Santa Catarina

Flávio Bolsonaro afirmou neste sábado (9) que apenas Jorginho Mello ocupa o espectro da direita na corrida pelo governo de Santa Catarina, pronunciamento feito durante o encontro estadual do Partido Liberal (PL) em Florianópolis e que redesenha o tabuleiro eleitoral catarinense a poucos meses das convenções partidárias.

Declaração durante evento do PL em Florianópolis

A fala de Flávio Bolsonaro ocorreu no Stage Music Park, espaço que recebeu lideranças do PL para alinhar estratégias regionais. Diante de cerca de 2,5 mil militantes, o senador carioca e pré-candidato à Presidência reforçou que “o candidato à direita aqui em Santa Catarina é o Jorginho” e recordou o período em que dividiu o plenário do Senado com o atual governador. Com isso, o parlamentar sinalizou a intenção de consolidar o partido como principal agremiação de direita no Estado.

O evento serviu ainda para apresentação de pré-candidatos ao Senado. O PL anunciou Carlos Bolsonaro e Carol de Toni como nomes que, segundo Flávio, “terão acesso direto ao gabinete do presidente para desfazer injustiças contra os catarinenses”. A mensagem dialoga com críticas direcionadas ao governo federal e reforça a narrativa de alinhamento entre Executivo estadual e eventual administração nacional liderada pelo PL.

Reações e contraposições dentro do campo conservador

A exclusividade atribuída a Jorginho Mello provocou reação imediata em setores ligados ao prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), que também reivindica espaço à direita. Em entrevista concedida em março ao podcast A Vida Segue, Rodrigues classificou Jorginho como “candidato do PT” em razão de alianças passadas e declarou ser o “direita raiz” da disputa. A retórica expõe divergências sobre a legitimidade do selo conservador no Estado e tende a alimentar embates nos debates televisivos programados para o segundo semestre.

Analistas políticos observam que Santa Catarina, historicamente propensa a candidaturas vinculadas à centro-direita, registra fragmentação inédita desde 2018. O cenário atual soma, pelo menos, três nomes que reivindicam o eleitorado conservador: Jorginho (PL), Rodrigues (PSD) e possivelmente um representante do Republicanos. A fala de Flávio Bolsonaro, portanto, busca reduzir a dispersão e fortalecer a tese de candidatura única sob a bandeira do bolsonarismo.

Histórico das alianças e desempenho eleitoral recente

Jorginho Mello foi eleito governador em 2022 com 70,69% dos votos válidos no segundo turno, impulsionado pela onda de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro. Antes de migrar para o PL, o catarinense passou por partidos como PR e PSB, apoiando legendas de centro e, pontualmente, candidatos do PT em pleitos municipais. Esse histórico é frequentemente citado por adversários que questionam a identidade ideológica do atual chefe do Executivo.

João Rodrigues consolidou sua carreira no oeste do Estado, região onde venceu o pleito municipal de 2020 com 59,6% dos votos. Em 2023, aproximou-se da família Bolsonaro durante agendas em Brasília, mas optou por permanecer no PSD, sigla que nacionalmente articula chapa com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O cálculo político envolve acessar parte do eleitorado bolsonarista sem abandonar a estrutura partidária pessedista.

Flávio Bolsonaro declara Jorginho Mello como único representante da direita em Santa Catarina - Imagem do artigo original

Imagem: Gabrielle Tavares

Nos bastidores, líderes do PL estimam que manter a narrativa de “único candidato de direita” pode ampliar a margem de Jorginho nas pesquisas espontâneas. Dados internos citados por dirigentes apontam que 38% do eleitorado catarinense identifica-se como conservador, percentual que, se concentrado em um único nome, reduziria intempéries de segundo turno contra adversários de centro.

Agenda legislativa e críticas ao governo federal

No mesmo palco, Flávio Bolsonaro sublinhou pautas que potencialmente unificam a base conservadora em 2024: redução da carga tributária, flexibilização da posse de armas e revisão de repasses federais a Santa Catarina. Segundo o senador, essas agendas dependem de um “corredor direto” entre Brasília e Florianópolis, justificativa apresentada para defender a eleição dos pré-candidatos ao Senado pelo PL.

O encontro também registrou críticas ao governo Lula. Flávio acusou o Planalto de “injustiças fiscais”, mencionando a suspensão de incentivos a produtores de suínos e aves no Vale do Itajaí. O discurso reforçou a estratégia de atribuir ao Executivo federal a responsabilidade por entraves econômicos locais, aproximando o debate estadual das pautas nacionais.

Conclusão técnica

O pronunciamento de Flávio Bolsonaro delimita estratégia clara do PL: centralizar a representação da direita catarinense em torno de Jorginho Mello e, paralelamente, viabilizar candidatura presidencial alinhada ao eleitorado regional. A repercussão imediata indica que adversários como João Rodrigues intensificarão esforços para contestar essa narrativa, especialmente nos debates previstos a partir de agosto, após o prazo final para registro de candidaturas junto ao Tribunal Superior Eleitoral.

Até lá, as articulações incluem: 1) definição de coligações proporcionais; 2) negociação de tempo de rádio e televisão; 3) consolidação de agendas conjuntas entre Jorginho e lideranças nacionais do PL em polos econômicos do Estado. O desfecho dependerá da capacidade do partido em sustentar a mensagem de unidade sem alienar o eleitor conservador que hoje flerta com outras legendas.