Nova Veneza abriga, desde 2006, a única gôndola original de Veneza exposta no Brasil, atração que reforça o patrimônio italiano do município catarinense e impulsiona o fluxo de visitantes em busca de experiências culturais e gastronômicas autênticas.
Histórico da embarcação e processo de doação
A gôndola batizada de Lucille foi confeccionada de forma artesanal por mestres veneziense, utilizada durante anos nos tradicionais canais da cidade italiana e posteriormente selecionada para integrar um programa de divulgação do legado cultural de Veneza. Em 2006, a administração pública veneziana oficializou a doação ao município de Nova Veneza, reconhecido pelas raízes dos imigrantes que chegaram ao Sul de Santa Catarina no final do século XIX.
Com a transferência, Lucille passou por procedimentos de preparo para transporte marítimo e rodoviário até o Brasil. O desembarque ocorreu no porto de Itajaí, seguido de deslocamento terrestre de aproximadamente 300 km até o destino final. Hoje, o exemplar integra um grupo restrito de apenas quatro gôndolas originais fora da Itália — as demais encontram-se no Canadá, Rússia e China.
Exposição, horários de visitação e infraestrutura de apoio
Lucille está posicionada em um lago artificial na Praça Humberto Bortoluzzi, área central de Nova Veneza. O local funciona diariamente das 9h às 12h e das 13h às 21h, com acesso totalmente gratuito. Embora a navegação em águas catarinenses seja inviável por questões de preservação, a gôndola permanece aberta à visitação fotográfica, fator que tem elevado a frequência de turistas interessados em registros visuais e estudos sobre design naval tradicional veneziano.
De acordo com estimativas da secretaria municipal de Turismo, a praça recebeu aproximadamente 120 mil visitantes ao longo de 2023, número que representa crescimento de 18% em comparação ao ano anterior. A projeção para 2024 é de nova expansão, ancorada em campanhas de divulgação em plataformas digitais e na inclusão da gôndola em roteiros regionais de turismo histórico.
Valorização da cultura italiana através da gastronomia local
O entorno da praça concentra estabelecimentos que reforçam a imersão cultural. Restaurantes especializados em massas, risotos e carnes curadas operam em edificações com arquitetura inspirada na região do Vêneto. O valor médio de refeição varia entre R$ 60 e R$ 160 por pessoa, segundo levantamento da associação empresarial local.
Imagem: Reprodução
Para complementar a experiência, sorveterias comercializam gelato produzido com insumos importados, enquanto cafeterias utilizam métodos de torra e extração tradicionais da Itália. Esses serviços se mostram determinantes para o aumento do tempo de permanência do visitante, estimado atualmente em 6 horas por viagem, contra média de 4 horas observada antes da instalação da gôndola.
Indicadores econômicos e projeções de desenvolvimento
Estudos conduzidos pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina indicam que o atrativo gera impacto anual superior a R$ 8 milhões na economia municipal, considerando gastos diretos em alimentação, artesanato e hospedagem. O poder público investe, em parceria com o setor privado, na criação de um centro interpretativo que deve ser concluído até 2025, com previsão de ampliar o acervo de objetos ligados à navegação veneziana.
Outra iniciativa em andamento é a capacitação de guias bilíngues para atender turistas estrangeiros, sobretudo oriundos da Argentina e do Uruguai, mercados prioritários dentro do plano estadual de incremento ao turismo cultural.
Conclusão Técnica
A presença da gôndola Lucille consolidou Nova Veneza como referência de preservação da herança italiana no Brasil, resultando em ganhos tangíveis para o turismo regional e para a economia local. Mantida em condições adequadas de conservação e integrada a uma malha de serviços qualificados, a embarcação deve permanecer como ativo estratégico na atração de visitantes. Nos próximos dois anos, projetos de infraestrutura complementar e ações promocionais voltadas a mercados internacionais tendem a ampliar o alcance do destino, posicionando-o de forma competitiva entre os principais polos de turismo cultural do Sul do país.



