Uma passageira de 46 anos morreu na manhã de domingo, 10 de março, depois que o automóvel em que viajava despencou da Avenida Joaquim José de Santana e ficou totalmente submerso no Rio Tijucas, em Canelinha (SC); o motorista, marido da vítima, conseguiu sair ileso e acionou o socorro, mobilizando quatro unidades do Corpo de Bombeiros Militar e equipes aéreas e terrestres do SAMU.
Dinâmica do acidente e primeiros relatos
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), o veículo, um Citroën C3 de cor prata, perdeu o controle por volta das 8h enquanto transitava no trecho urbano da Avenida Joaquim José de Santana, principal via do bairro Índia. Testemunhas informaram que o carro atingiu o barranco lateral, capotou e entrou no leito do Rio Tijucas, afundando rapidamente devido à profundidade estimada em três metros naquele ponto.
Quando as guarnições chegaram, o condutor de 48 anos encontrava-se em estado de choque na margem, relatando ter soltado o cinto de segurança e saído pela janela antes de o carro submergir por completo. Ele afirmou que a esposa, identificada apenas pelas iniciais M.B.S., permaneceu presa no banco dianteiro direito, impossibilitada de abrir a porta ou retirar o cinto.
Operação de resgate multiequipamentos
A central de emergências despachou equipes de Canelinha, São João Batista, Tijucas e do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) de Porto Belo, totalizando 14 militares, dois botes infláveis, um caminhão-guincho e o helicóptero Arcanjo-03. Os bombeiros implantaram sistema de ancoragem na ponte próxima para firmar o guincho e inverter o automóvel, que repousava sobre o teto a aproximadamente quatro metros da margem.
Após o reposicionamento, mergulhadores fixaram uma cinta catraca na coluna central do veículo para estabilizar a carroceria. Com o automóvel lateralizado, foi possível acessar a porta do motorista. A lâmina hidráulica foi acionada para romper a fechadura, já que a pressão da água impedia a abertura convencional. Em seguida, os bombeiros cortaram o cinto de segurança da passageira e a removeram para a superfície.
Todo o procedimento, desde a chegada da primeira viatura até a extração da vítima, durou 40 minutos, conforme registrado no Relatório de Ocorrência nº 2024-1039.
Procedimentos médicos e constatação do óbito
Na margem, equipes do SAMU de Tijucas iniciaram manobras de RCP (reanimação cardiopulmonar) com auxílio de desfibrilador externo automático. O protocolo de suporte avançado incluiu ventilação com bolsa-válvula-máscara, acesso venoso periférico e administração de epinefrina a cada três minutos.
Imagem: CBMSC
O médico intervencionista do Arcanjo-03 classificou o quadro da paciente como grau 6 de afogamento, estágio caracterizado por parada cardiorrespiratória sem retorno expontâneo da circulação. Após 25 minutos de reanimação sem resposta, a morte foi declarada às 9h12. Exame externo não evidenciou fraturas ou ferimentos compatíveis com impacto, reforçando a hipótese de asfixia hídrica como causa principal.
Encaminhamentos legais e investigação
A Polícia Militar de Canelinha preservou a cena até a chegada do Instituto Geral de Perícias (IGP), responsável pelo recolhimento do corpo e pela perícia do veículo. O inquérito será conduzido pela Delegacia de Polícia Civil de São João Batista, que solicitará laudo toxicológico do motorista, verificação de possíveis falhas mecânicas e análise das condições da pista, incluindo sinalização, iluminação e nível de umidade no momento do acidente.
Segundo o Departamento Estadual de Infraestrutura (DEINFRA), o trecho possui limite de velocidade de 40 km/h e guarda-corpo metálico em apenas um dos lados. A pista estava molhada devido à chuva leve registrada entre 6h30 e 7h45, fator que pode ter contribuído para a perda de aderência.
Conclusão técnica
O caso acrescenta mais um episódio às estatísticas de afogamento veicular em Santa Catarina, estado que registrou 27 ocorrências similares em 2023, segundo o CBMSC. A apuração pericial deverá determinar se houve fator humano, falha mecânica ou inadequação da via. Até a divulgação do laudo final, previsto para 30 dias, o DEINFRA avalia instalar defensas adicionais no segmento urbano da Avenida Joaquim José de Santana, enquanto o CBMSC recomenda que condutores utilizem velocidade compatível em áreas próximas a cursos d’água e mantenham revisões periódicas no sistema de freios e pneus.



