Vídeo flagra turistas em meio à erupção do vulcão Dukono e expõe falhas de segurança na Indonésia

Imagens captadas durante uma excursão no Monte Dukono, na ilha de Halmahera, registraram a coluna de cinzas alcançando cerca de 10 quilômetros de altura na sexta-feira, 8 de maio, segundos antes de o grupo ser tomado pelo pânico; a erupção provocou três mortes e desencadeou uma operação de resgate que mobilizou 150 agentes em área considerada restrita pelas autoridades vulcanológicas da Indonésia.

Cronologia da erupção e dinâmica do resgate

De acordo com o Centro de Vulcanologia e Mitigação de Perigos Geológicos da Indonésia (PVMBG), o Monte Dukono entrou em erupção às 10h48 (horário local) da última sexta-feira. O pulso eruptivo expeliu nuvens de piroclastos e cinzas finas, reduzindo a visibilidade e comprometendo imediatamente as rotas de fuga dos 20 excursionistas que se encontravam próximos à cratera.

As primeiras equipes de busca foram acionadas menos de uma hora após o evento, mas enfrentaram baixo teto de nuvens, chuva ácida e novas explosões que obrigaram sucessivas pausas na operação. Somente 24 horas depois, socorristas localizaram 17 sobreviventes – sete cidadãos de Singapura e dez indonésios – distribuídos em abrigos improvisados entre fluxos de lava solidificada.

Os corpos de dois turistas singapurianos e de uma guia indonésia foram encontrados a menos de 300 metros da borda da cratera, em área recoberta por até 30 centímetros de cinzas quentes. Drones equipados com câmeras térmicas auxiliaram na varredura de trechos instáveis, permitindo delimitar zonas de emissão de gases tóxicos que ultrapassaram 2.000 ppm de dióxido de enxofre.

Condições geológicas e níveis de alerta

Inserido no Anel de Fogo do Pacífico, o arquipélago indonésio abriga mais de 120 vulcões ativos. O Dukono, situado na província de Maluku do Norte, mantém-se em erupção quase contínua desde 1933, alternando fases explosivas e efusivas. Atualmente, o maciço encontra-se no Nível III de Alerta (Siaga), o segundo mais elevado da escala nacional, que determina a interdição de atividades humanas num raio mínimo de 4 quilômetros ao redor da cratera.

A erupção de 8 de maio foi precedida por tremores vulcano-tectônicos de baixa magnitude, mas a ausência de sinais sísmicos de longo período, normalmente associados a emissões mais vigorosas, levou parte da comunidade local a subestimar o risco. Especialistas destacam que os ventos sazonais do leste favoreceram a rápida ascensão da pluma, transportando material particulado fino para rotas aéreas comerciais acima de 33 mil pés, exigindo o desvio de duas aeronaves regionais.

Análises espectroscópicas recentes indicam aumento de vesiculação magmática, fator que eleva a pressão interna do sistema e pode anteceder episódios explosivos mais intensos. O PVMBG mantém equipes de monitoramento em regime 24/7, com estações sísmicas instaladas a 1,5 km do cume fornecendo dados em tempo real sobre tremores harmônicos e taxa de liberação de dióxido de enxofre.

Responsabilidade da operadora turística e implicações legais

Documentos preliminares apontam que o grupo foi levado à montanha por uma empresa local de ecoturismo que comercializava pacotes de “trekking em vulcões ativos”. Relatórios policiais citam ausência de licenças emitidas pela Agência Regional de Conservação, requisito obrigatório desde a atualização do Regulamento de Segurança de Montanhismo de 2022.

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Imagem: Blog San Vicente

Segundo testemunhas, o guia responsável ignorou alertas visuais instalados a 2,5 quilômetros da trilha principal, onde letreiros bilíngues informam sobre a proibição de acesso. A Procuradoria Provincial abriu investigação por negligência com resultado morte, passível de pena de até cinco anos de reclusão e multa superior a 500 milhões de rupias (aproximadamente 160 mil reais).

O Ministério do Turismo e Economia Criativa estuda a criação de um selo de conformidade para operadores que atuam em áreas de risco geológico. A proposta inclui certificação anual, seguro obrigatório para visitantes estrangeiros e integração de dados de localização dos grupos com o sistema nacional de alerta de desastres, gerenciado pela BNPB (Agência Nacional de Gestão de Desastres).

Infraestrutura local e impacto socioeconômico

A região de Halmahera depende do turismo de aventura para movimentar cerca de USD 12 milhões por ano, segundo estimativas da Câmara de Comércio de Maluku do Norte. A interdição temporária do acesso ao Dukono afeta diretamente 42 microempresas que oferecem serviços de hospedagem, transporte 4×4 e alimentação.

Autoridades locais avaliam realocar visitantes para rotas alternativas próximas ao vulcão Gamalama, em Ternate, cuja atividade sísmica está em nível II (Waspada). Contudo, analistas de risco alertam que a sobrecarga de turistas em trilhas menos preparadas pode replicar fragilidades logísticas observadas em Halmahera.

O Ministério da Saúde enviou equipes para monitorar possíveis casos de pneumonite por cinzas entre moradores de vilarejos situados a barlavento. Amostras de água subterrânea indicam incremento de até 15% na acidez, exigindo campanhas emergenciais de distribuição de filtros de cerâmica.

Conclusão Técnica

A erupção do Monte Dukono reforça a necessidade de revisão contínua dos protocolos de acesso a áreas vulcânicas na Indonésia. Com o vulcão permanecendo em Nível III de Alerta e registrando episódios explosivos intermitentes, as autoridades priorizam a instalação de barreiras físicas e o aprimoramento das rotas de evacuação. Nos próximos dias, o PVMBG divulgará novo boletim com projeções de dispersão de cinzas, enquanto a Procuradoria conclui o inquérito sobre a responsabilidade da operadora turística. A manutenção das restrições em um raio de quatro quilômetros ao redor da cratera permanece vigente até que parâmetros sísmicos e geoquímicos indiquem estabilização do sistema magmático.