Com lucro líquido de US$ 6,25 bilhões no primeiro trimestre de 2026, a Petrobras assumiu a liderança mundial de rentabilidade entre petroleiras com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões, ultrapassando gigantes como Shell e Exxon Mobil, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta.
Desempenho financeiro no 1T26
No recorte entre janeiro e março, a Petrobras reportou lucro líquido de R$ 32,663 bilhões, montante 109,9 % superior ao resultado do trimestre imediatamente anterior, mas 7,2 % inferior ao registrado em igual período de 2025. Convertido para a moeda de comparação global, o ganho alcançou US$ 6,257 bilhões.
O ranking da Elos Ayta posicionou a estatal brasileira à frente de concorrentes tradicionais. A Shell apareceu em segundo lugar com US$ 5,694 bilhões, enquanto a norte-americana Exxon Mobil registrou US$ 4,183 bilhões. Entre as dez maiores, apenas duas companhias europeias — BP e Equinor — mantiveram-se próximas das líderes, refletindo cenário de margens apertadas no Atlântico Norte.
Em termos anuais, a comparação ilustra mudança relevante: no 1T25, a Exxon Mobil ocupava o topo com US$ 7,71 bilhões, contra US$ 6,13 bilhões da brasileira. A reversão indica desaceleração dos resultados das majors norte-americanas e resiliência da produção no pré-sal.
Fatores cambiais e operacionais
A liderança em dólares foi amplificada pela valorização do real. A taxa média Ptax recuou de R$ 5,85 no primeiro trimestre de 2025 para R$ 5,26 no mesmo intervalo de 2026, fortalecendo o resultado quando convertido para a moeda norte-americana. Esse efeito cambial engordou o lucro relativo da companhia, ao passo que concorrentes sediadas em economias de dólar ou libra não contaram com tal benefício.
Do lado operacional, a produtividade do pré-sal manteve o lifting cost em patamar competitivo. Mesmo com o Brent oscilando próximo a US$ 106 por barril no final do trimestre — cenário influenciado pelas tensões no Oriente Médio —, os ativos offshore brasileiros sustentaram margens elevadas. Segundo dados internos, o ponto de equilíbrio permanece em US$ 59, proporcionando fluxo de caixa robusto mesmo sob volatilidade geopolítica.
Além disso, a estratégia de manutenção de investimentos em exploração e produção, destacada pelo diretor financeiro Fernando Melgarejo, prioriza curva de longo prazo. A estatal não conta, contudo, com dividendos extraordinários em 2026, decisão alinhada ao planejamento estratégico divulgado ao mercado.
Imagem: rádios populares e ganhou prêmio Po
Reação do mercado e perspectivas
Apesar do título de companhia mais lucrativa em escala global, a recepção do investidor doméstico permaneceu cautelosa. Dois pontos explicam o comportamento: o atraso na incorporação integral dos preços mais altos do petróleo aos resultados operacionais e a queda nominal do lucro em reais, fator que pressiona expectativas de distribuição de proventos.
Analistas destacam que, caso o Brent se mantenha acima de US$ 100 e o real preserve trajetória de apreciação moderada, a Petrobras poderá consolidar rentabilidade superior à média do setor também nos próximos trimestres. Entretanto, a ausência de dividendos extras pode limitar o ânimo de investidores voltados a fluxo de caixa imediato.
No âmbito internacional, rivais como Exxon Mobil e Shell devem responder com ajustes de portfólio e cortes de custos após margens comprimidas no início do ano. Esse movimento competitivo pode reduzir a distância atual, sobretudo se o câmbio sofrer inversão de tendência.
Conclusão técnica
Os números do 1T26 confirmam a capacidade da Petrobras de converter vantagens operacionais e cambiais em liderança global de lucratividade. A continuidade desse desempenho dependerá de três variáveis críticas: estabilidade do real, evolução dos preços internacionais do petróleo e manutenção da eficiência no pré-sal. A companhia segue comprometida com investimentos de longo prazo e com política de dividendos alinhada ao fluxo de caixa projetado, cenário que sugere lucros resilientes, porém sem distribuição extra no curto prazo.




