Balneário Camboriú registrou na madrugada de 15 de maio de 2026 uma nova briga generalizada na Avenida Atlântica, por volta das 4h, motivando o 12º Batalhão de Polícia Militar a defender a implantação de um horário limite para o funcionamento de bares e lojas de conveniência, medida apontada pela corporação como estratégia para conter a escalada de violência associada ao consumo contínuo de bebidas alcoólicas.
Escalada de ocorrências noturnas na Avenida Atlântica
De acordo com relatórios operacionais da Polícia Militar de Santa Catarina, Balneário Camboriú enfrenta um aumento consistente de confrontos nas últimas semanas, concentrados sobretudo no trecho mais movimentado da orla. A corporação contabiliza várias chamadas sucessivas entre 1h e 5h, período em que os estabelecimentos de conveniência permanecem abertos e fornecem bebida alcoólica sem interrupção.
Durante a madrugada de 15 de maio, imagens divulgadas pela PMSC mostram dezenas de pessoas envolvidas em agressões físicas, exigindo o deslocamento de múltiplas viaturas para restabelecer a ordem. O efetivo empregado superou 25 policiais, distribuídos em patrulhas a pé e motorizadas, além de apoio do Programa de Videomonitoramento Urbano, responsável por registrar a dinâmica dos fatos.
Argumentos da Polícia Militar para a restrição de horário
Segundo nota oficial, o 12º BPM associa a reincidência das brigas à disponibilidade irrestrita de álcool em lojas de conveniência que operam após a meia-noite. A corporação sustenta que a fixação de um “toque de recolher” – previsto para iniciar entre 0h e 1h – reduziria a permanência de grupos em áreas públicas e, por consequência, os índices de lesão corporal, dano ao patrimônio e perturbação do sossego.
A proposta considera experiências anteriores em outras cidades do Litoral Norte, onde a limitação de horário resultou em queda de até 30% nas ocorrências violentas, conforme estatísticas do Comando-Geral da PM. O batalhão salienta que a medida não atinge restaurantes ou casas noturnas devidamente licenciados, concentrando-se apenas em pontos de venda rápida cuja principal atividade é a comercialização de bebidas.
Impacto potencial em moradores, turistas e setor comercial
Balneário Camboriú recebe, em média, 1,5 milhão de visitantes durante a alta temporada, número que pressiona a infraestrutura urbana e intensifica o fluxo noturno na Avenida Atlântica. Empresários do ramo de conveniência argumentam que a restrição poderá representar queda de faturamento superior a 40% no período de maior movimento. Já associações de moradores relatam aumento de solicitações por reforço de policiamento e defendem a limitação como mecanismo para preservar a tranquilidade nos bairros centrais.
Imagem: PMSC
Especialistas em segurança urbana apontam que intervenções de caráter administrativo, como o corte no fornecimento de bebidas após determinado horário, tendem a apresentar resultados positivos quando combinadas com ações educativas e fiscalização contínua. Nesse contexto, a PM pretende intensificar blitzes de alcoolemia e patrulhamento preventivo, além de elaborar campanhas de conscientização destinadas a bares e conveniências.
Medidas imediatas de fiscalização e próximos passos legislativos
Enquanto o debate sobre o toque de recolher evolui, o comando do 12º BPM confirmou a ampliação do efetivo em 20% nas madrugadas de quinta a domingo, período considerado de maior risco. A corporação também sinalizou que multará estabelecimentos flagrados vendendo bebidas a menores ou funcionando sem alvará atualizado.
No âmbito institucional, a proposta de horário limite será encaminhada ao Conselho Municipal de Segurança e, posteriormente, à Câmara de Vereadores. Caso aprovada, a norma poderá entrar em vigor ainda no segundo semestre, com penalidades que variam de advertência à cassação do alvará de funcionamento para reincidentes.
Conclusão Técnica
A sequência de brigas na madrugada evidencia um cenário de pressão sobre o ordenamento urbano de Balneário Camboriú. A Polícia Militar atribui parte relevante das ocorrências à operação contínua de lojas de conveniência e, por isso, recomenda a criação de um toque de recolher específico para esses pontos de venda. A matéria, agora em avaliação pelos órgãos municipais competentes, inclui reforço imediato de policiamento e ações de fiscalização. Caso a limitação de horário seja aprovada, o município passará a monitorar indicadores de violência noturna para medir a efetividade da intervenção e definir ajustes necessários nos próximos ciclos de alta temporada.



