Mais de 7 mil tainhas foram cercadas e recolhidas por pescadores artesanais na Barra da Lagoa, em Florianópolis, na madrugada de 25 de maio de 2026, reforçando o ritmo acelerado da safra que já ultrapassa 200 toneladas em Santa Catarina.
Operação noturna registra o maior lanço do mês
A movimentação começou às 23h de domingo (24), quando equipes do Rancho Saragaço monitoraram variações de corrente e indícios de cardumes. Às 2h30, o cerco foi concluído, resultando na captura de aproximadamente 7 mil peixes em uma única remada de rede. O volume exigiu apoio imediato de moradores para o desembrete, prática tradicional que transfere as tainhas do mar para a faixa de areia.
O processo, classificado como arrasto de praia, segue regulamentação estadual que determina horários, diâmetros de malha e limite de embarcações motorizadas de apoio. Mesmo com as restrições, a operação noturna demonstrou eficiência logística: em menos de quatro horas, todo o pescado foi distribuído entre os participantes, seguindo o sistema de rateio local.
Safra 2026 já soma mais de 200 toneladas em Santa Catarina
Dados consolidados pela Secretaria de Estado da Aquicultura e Pesca indicam que, até o fim da quarta semana de temporada, os desembarques catarinenses alcançaram 81,9 toneladas na modalidade de arrasto de praia e 130,93 toneladas no emalhe anilhado. O período autorizado, iniciado em 1.º de maio, estende-se até 31 de julho, quando as cotas deverão ser reavaliadas.
As metas estipuladas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária distribuem um teto de 2.070 toneladas para o emalhe costeiro de superfície, 1.094 toneladas para o emalhe anilhado (com tolerância adicional de 20 %), 1.332 toneladas para o tradicional arrasto de praia e 720 toneladas para a modalidade de cerco (traineira). A captura desta madrugada corresponde a cerca de 0,35 % da cota estadual total para arrasto, evidenciando o potencial de crescimento nas próximas semanas.
Repercussão socioeconômica na comunidade litorânea
O lanço expressivo mobilizou aproximadamente 80 trabalhadores diretos, entre pescadores, pranchistas e pessoal de apoio em terra. Em dias de captura elevada, a receita média por participante pode alcançar o equivalente a três dias de faturamento tradicional, segundo associações locais.
A cadeia produtiva se estende a frigoríficos, transportadores e estabelecimentos gastronômicos que operam sob demanda imediata. Restaurantes da capital relatam aumento de até 25 % na procura por pratos à base de tainha nas primeiras 24 horas pós-desembarque. Já o comércio de acessórios de pesca e vestuário técnico projeta elevação de 15 % no fluxo mensal, impulsionado pela expectativa de novos lances volumosos.
Imagem: Rancho Saragaço Floripa
Especialistas apontam ainda impactos indiretos no turismo sazonal: a presença de visitantes para acompanhar as retiradas de rede, hábito cultural do inverno catarinense, eleva a ocupação de pousadas e o consumo de serviços de alimentação rápida na orla.
Regulamentação preserva estoque e garante rastreabilidade
A legislação vigente impõe intervalos diários de captura e proíbe motorização nas operações artesanais, medida que visa reduzir a pressão sobre o estoque reprodutivo de Mugil liza. Fiscalizações são conduzidas por equipes do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina em parceria com a Polícia Militar Ambiental, que utilizam drones para verificar distâncias mínimas de rede em relação a áreas de defeso.
Todo o pescado recolhido na Barra da Lagoa recebeu lacre de identificação, atendendo às normas de rastreabilidade exigidas para transporte interestadual. O documento eletrônico de origem controle (DOC) foi emitido nas primeiras horas da manhã, garantindo que o lote esteja apto a seguir para centrais de distribuição no Vale do Itajaí e na Grande Porto Alegre.
Conclusão Técnica — A captura de 7 mil tainhas reforça a eficiência do arrasto artesanal catarinense, acelera o cumprimento das metas da safra 2026 e confirma a relevância econômica da espécie para o litoral sul-brasileiro. Mantida a média atual de desembarque e respeitadas as cotas oficiais, a expectativa é alcançar o teto estadual antes do encerramento de julho, o que poderá antecipar reuniões de monitoramento para eventual redistribuição de limites entre modalidades.



