Baleia-jubarte é encontrada morta encalhada entre Gamboa e Guarda do Embaú e aumenta série de casos no litoral catarinense

Uma baleia-jubarte adulta foi encontrada sem vida na tarde de 30 de março, encalhada no trecho costeiro que separa as praias da Gamboa, em Garopaba, e da Guarda do Embaú, em Palhoça, mobilizando APA da Baleia Franca, PMP-BS e a prefeitura de Paulo Lopes para avaliação, remoção e destinação da carcaça.

Cronologia da ocorrência e primeiras medidas de campo

A primeira visualização do animal ocorreu na manhã de 29 de março, quando pescadores relatam ter avistado o corpo boiando a poucos metros da costa de Garopaba. O registro foi encaminhado à Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, que emitiu alerta imediato ao Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Equipes técnicas deslocaram-se em embarcação de pequeno porte para verificar as condições do cetáceo, confirmando a espécie Megaptera novaeangliae e estimando entre 9 e 10 m de comprimento.

Na tarde do dia seguinte, fortes correntes trouxeram o animal até a faixa de areia localizada a cerca de 2 km ao sul da desembocadura do rio da Madre, ponto limítrofe entre Garopaba e Palhoça. Agentes ambientais isolaram um perímetro de 50 m, impedindo a aproximação de curiosos, enquanto biólogos coletavam tecido para necropsia que deverá identificar causa de morte, presença de patógenos ou interação antrópica, incluindo emalhe em rede ou colisão com embarcação.

Terceiro encalhe em menos de 15 dias intensifica monitoramento

O caso amplifica o índice de ocorrências recentes no Sul catarinense. Em 16 de março, uma baleia-de-bryde (Balaenoptera edeni), macho, de aproximadamente 13 m, encalhou em Jaguaruna, a 120 km ao sul do ponto atual. Menos de 48 h depois, outra baleia-jubarte, com cerca de 9 m, foi encontrada morta no mesmo município. Com o novo episódio, chegam a três os encalhes de grandes cetáceos em um intervalo inferior a duas semanas.

Dados consolidados pelo Instituto Australis, responsável pelo PMP-BS no Estado, indicam média histórica anual de 8 a 10 encalhes de baleias de grande porte entre Laguna e Florianópolis. A concentração de três eventos em sequência temporal tão curta aciona protocolo de atenção reforçada, que previne riscos sanitários e coleta informações para mapear possíveis vetores de mortalidade.

Migração, sazonalidade e riscos para a espécie

A população de baleia-jubarte que transita pela costa brasileira pertence ao Stock A do Atlântico Sul, estimado em aproximadamente 25 mil indivíduos, de acordo com relatório da International Whaling Commission. Entre junho e novembro, esses cetáceos concentram-se nos bancos rasos do Abrolhos para reprodução, migrando no verão em direção às áreas de alimentação na Antártida. Fora desse calendário, encontros isolados são menos comuns, tornando qualquer mortalidade um dado relevante para estatísticas de conservação.

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Imagem: Reprodução

Nesse deslocamento, ameaças principais compreendem interação com artes de pesca, ingestão de resíduos plásticos flutuantes, choque contra navios de carga e contaminação sonora submarina. Estudos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apontam que 37 % dos encalhes de jubarte no país apresentam marcas compatíveis com emalhe ou colisão, fatores que não podem ser descartados nesta ocorrência até a conclusão da necropsia.

Logística de remoção e destinação da carcaça

A prefeitura de Paulo Lopes contratou retroescavadeira e caminhão-baú lacrado para transferência da carcaça ao aterro sanitário municipal, seguindo diretriz da Resolução Conama nº 448/2012. O procedimento exige abertura de vala com profundidade mínima de 3 m para evitar exalação de gases e impedir acesso de animais silvestres. Antes do enterro, fragmentos de gordura, músculo e vísceras são catalogados e congelados a −20 °C para posterior análise toxicológica no Laboratório de Ecologia e Conservação da UFSC.

O prazo previsto para conclusão do trabalho é de 48 h, considerando as janelas de maré e a necessidade de limpeza da faixa de areia com jato de água pressurizada e peneiramento de micro-resíduos biológicos. Concomitantemente, servidores da vigilância epidemiológica coletam amostras de água superficial para monitorar eventual alteração de parâmetros microbiológicos.

Conclusão técnica e próximos passos

A confirmação de três encalhes consecutivos de grandes baleias em Santa Catarina reforça a importância do monitoramento costeiro permanente, previsto no licenciamento ambiental da Bacia de Santos. Os resultados da necropsia da baleia-jubarte encontrada entre Gamboa e Guarda do Embaú deverão ser divulgados em até 30 dias, quando será possível correlacionar ou descartar causas comuns aos eventos anteriores. Até lá, organizações ambientais continuarão vistorias diárias em um raio de 60 km ao redor dos últimos avistamentos, enquanto laboratórios especializados processam as amostras coletadas para subsidiar medidas de mitigação e orientar políticas públicas de conservação marinha.