A SpaceX definiu o preço de sua oferta pública inicial em US$ 135 por ação, captando quase US$ 75 bilhões e estabelecendo o recorde histórico de maior abertura de capital antes da estreia dos papéis, nesta sexta-feira (12), sob o ticker SPCX na Nasdaq.
Estrutura da oferta e avaliação de mercado
A operação é integralmente primária, com a emissão de 555.555.555 ações ordinárias Classe A. Ao multiplicar o preço unitário de US$ 135, a captação atinge US$ 74.999.999.925, valor que supera as ofertas recordes registradas até então nos principais centros financeiros internacionais. O montante eleva a avaliação de mercado da empresa comandada por Elon Musk e reforça a percepção de investidores sobre o potencial de receitas provenientes de lançamentos orbitais, serviços de satélite e soluções de dados.
Além do lote principal, foi concedida aos coordenadores a opção de distribuição suplementar de 83.333.333 ações, conhecida como greenshoe. Caso exercido integralmente, o mecanismo pode ampliar o volume financeiro e aumentar a liquidez dos papéis nas primeiras sessões de negociação.
Calendário: estreia na Nasdaq e liquidação financeira
O cronograma oficial estabelece o início das negociações para sexta-feira, 12 de junho de 2026, nas plataformas Nasdaq Global Select Market e Nasdaq Texas. O código de negociação será SPCX. A liquidação financeira — etapa em que os recursos são transferidos ao caixa da companhia e as ações são entregues aos investidores — está agendada para segunda-feira, 15 de junho.
Ao optar por uma listagem dupla dentro do mesmo grupo de bolsas, a SpaceX amplia o alcance a diferentes fuso-horários de negociação e aumenta a base de potenciais participantes institucionais. Analistas de mercado apontam que o alto grau de exposição a investidores de tecnologia deve contribuir para uma formação de preço mais dinâmica nas primeiras semanas.
Destino dos recursos: expansão de infraestrutura e novos lançamentos
Em comunicado ao mercado, a SpaceX informou que o capital obtido será direcionado majoritariamente à ampliação de sua infraestrutura de inteligência artificial, reforçando centros de processamento de dados conectados aos serviços de satélite. Outra fatia dos fundos financiará novos foguetes e constelações orbitais, com foco em reduzir o intervalo entre lançamentos e elevar a capacidade de transporte de cargas comerciais e governamentais.
O planejamento de investimentos prevê acelerar o cronograma de testes do veículo Starship e viabilizar futuras missões de logística lunar, além de incrementar a rede de satélites de banda larga para mercados corporativos e residenciais.
Imagem: Internet
Consórcio global de bancos coordenadores
A operação reúne dez instituições como coordenadores líderes: Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Citi, JP Morgan, Barclays, Deutsche Bank, RBC Capital Markets, UBS e Wells Fargo. O grupo será responsável por estabilizar o preço dos papéis no período imediatamente posterior à oferta e por atender à demanda adicional surgida após o início das negociações.
No quadro de co-coordenadores figuram Allen & Company, Cantor Fitzgerald, Raymond James, William Blair, ING, Macquarie, Mizuho, Santander US Capital Markets e BTG Pactual. A presença de bancos com atuação relevante na América Latina reforça a estratégia de alcançar investidores de múltiplas regiões.
Acesso do investidor brasileiro via BDR
De forma simultânea à estreia em Wall Street, a B3 listará o Brazilian Depositary Receipt da SpaceX sob o código SPCX34. O recibo estará disponível no home broker das corretoras brasileiras, permitindo que investidores locais participem da empresa sem a necessidade de conta no exterior. Cada BDR representará uma fração do papel negociado na Nasdaq, seguindo a proporção definida pelo banco depositário.
A introdução do ativo amplia o universo de companhias de economia espacial acessíveis no mercado doméstico e insere a SpaceX no portfólio de fundos de índice e de ações que replicam benchmarks globais.
Conclusão técnica
A oferta primária de quase US$ 75 bilhões posiciona a SpaceX como a maior abertura de capital já registrada, marcando um novo parâmetro para empresas de tecnologia avançada. Com os recursos, a companhia pretende acelerar o desenvolvimento de lançadores reutilizáveis, expandir sua rede de satélites e robustecer centros de inteligência artificial, iniciativas que podem fortalecer a geração de receitas recorrentes. O desempenho inicial do papel na Nasdaq, bem como a adesão de investidores ao BDR na B3, serão indicadores chave para medir o apetite do mercado por ativos ligados à indústria espacial e à infraestrutura de dados nos próximos trimestres.



