Governo amplia cota da tainha e reabre pesca por arrasto de praia em Santa Catarina

O governo federal autorizou nesta quinta-feira, 11, a retomada imediata da pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina ao publicar a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 63, que acrescenta 430 toneladas à cota estadual e eleva o limite total da safra de 2026 para 8.598 toneladas. A medida altera a Portaria nº 51, vigente desde fevereiro, e restabelece a atividade interrompida no último fim de semana após o esgotamento do volume inicialmente permitido.

Cronologia da decisão federal

A suspensão do arrasto de praia ocorreu em 7 de julho, quando foi alcançada a quota de 1.332 toneladas fixada para Santa Catarina. A paralisação mobilizou colônias de pesca, associações setoriais e representantes políticos, que pleitearam revisão imediata. Entre 8 e 10 de julho, audiências em Brasília reuniram o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e parlamentares da bancada catarinense. Em 11 de julho, às 18 h35, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União a portaria que reabre a modalidade.

Com a atualização normativa, a cota catarinense para arrasto de praia sobe para 1.762 toneladas, enquanto o teto global da temporada passa de 8.168 toneladas para 8.598 toneladas. O ato mantém inalteradas as datas de encerramento da safra, previstas para 31 de julho.

Distribuição das 430 toneladas adicionais

A portaria determina divisão regional do volume extra para garantir equilíbrio entre as frentes de pesca:

  • 230 toneladas destinadas a embarcações registradas nos municípios do litoral Norte, abrangendo Itajaí, Navegantes, Penha, Bombinhas, Porto Belo, São Francisco do Sul, Joinville e localidades limítrofes.
  • 200 toneladas reservadas a embarcações do litoral Centro-Sul, que inclui Florianópolis, Palhoça, Garopaba, Imbituba, Laguna, Jaguaruna, Balneário Rincão, Araranguá e Passo de Torres.

O texto exige que desembarcações e pesagens ocorram exclusivamente nos municípios listados, sob pena de invalidação da captura. As colônias responsáveis deverão registrar digitalmente cada lanço e encaminhar relatórios diários ao Sistema de Monitoramento da Frota Pesqueira.

Regras de monitoramento e condicionantes ambientais

Apesar da ampliação, permanecem obrigatórios:

Governo amplia cota da tainha e reabre pesca por arrasto de praia em Santa Catarina - Imagem do artigo original

Imagem: Ramatis Ferreira Florêncio

  1. Dispositivo de rastreamento ativo em todas as embarcações licenciadas.
  2. Registro fotográfico georreferenciado do volume desembarcado.
  3. Envio quinzenal de amostras biológicas ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para acompanhar a composição etária dos cardumes.

A portaria também antecipa que, a partir da temporada de 2027, haverá planos de esforço de pesca por município, limitando dias de operação e número de tripulantes por embarcação. A proposta será debatida em câmaras técnicas previstas para novembro deste ano.

Impacto socioeconômico na cadeia pesqueira catarinense

A safra da tainha movimenta anualmente cerca de R$ 120 milhões na economia catarinense, segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri). Estima-se que mais de 3.800 famílias dependam diretamente do arrasto de praia entre maio e julho, período em que os cardumes se concentram no litoral Sul.

O encerramento antecipado gerou protestos em Bombinhas, Florianópolis e Laguna, reunindo aproximadamente 4 mil pescadores no dia 11 de julho. Após a edição da nova portaria, vídeos publicados em redes sociais mostraram o retorno imediato das redes ao mar, com relatos de capturas superiores a 6 toneladas por lanço nas primeiras horas de operação.

Conclusão Técnica

A publicação da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 63 restabelece a pesca da tainha por arrasto de praia em Santa Catarina e eleva a cota estadual para 1.762 toneladas, garantindo continuidade econômica à cadeia produtiva até 31 de julho. O governo manteve exigências de rastreamento, registro e envio de dados biológicos, além de sinalizar medidas adicionais de controle a partir de 2027. Nos próximos meses, grupos técnicos federais e estaduais deverão consolidar um modelo de distribuição de esforço por município, buscando alinhar sustentabilidade ambiental e estabilidade socioeconômica para as temporadas futuras.