A Seleção de Marrocos entra em campo neste sábado, às 19h (horário de Brasília), em Nova Jersey, para enfrentar o Brasil na estreia do Grupo C da Copa do Mundo 2026 ostentando uma sequência de 29 partidas sem derrota e indicadores de desempenho que a colocam entre as equipes mais consistentes da atualidade.
Invencibilidade iniciada em agosto de 2025 e três troféus conquistados
Comandada por Mohamed Ouahbi desde o pós-Copa Africana de Nações, a seleção norte-africana não perde desde 5 de agosto de 2025, quando iniciou a série de resultados positivos que já dura quase um ano e meio. Nesse intervalo, o time levantou três títulos oficiais: o Campeonato Africano de Nações, a Copa Árabe e, novamente, a Copa das Nações Africanas. A marca de 29 partidas invictas só encontra paralelo entre os participantes do Mundial na campanha contemporânea da Espanha, igualmente com 29 compromissos sem revés.
Desde 2023, Marrocos disputou 58 partidas — a quarta maior carga de jogos entre as seleções classificadas. O aproveitamento é de 82,2%, sustentado por 47 vitórias, 8 empates e apenas 3 derrotas (todas anteriores à sequência atual). Esse rendimento elevou a equipe ao topo do ranking continental e consolidou sua presença entre as dez primeiras colocações do índice mundial de pontos corridos elaborado pela Confederação Africana de Futebol.
Defesa liderada por Bono alcança média de apenas 0,43 gol sofrido por partida
O setor defensivo marroquino, chefiado pelo goleiro Bono e pelo lateral Achraf Hakimi, apresenta os números mais sólidos do ciclo. Em 58 compromissos, a equipe sofreu apenas 25 gols, o que equivale a 0,43 por jogo. Além disso, saiu de campo sem ser vazada em 64% das ocasiões — desempenho superior ao de referências históricas como Itália (62%) e França (59%) no mesmo período pré-Mundial de 2022.
A consistência defensiva se explica pela manutenção de um bloco médio-baixo compacto, com saída em contra-ataques rápidos explorando a velocidade de Hakimi e o vigor de Sofyan Amrabat na transição. Segundo dados da Real Federação Marroquina, a linha de quatro defensores permitiu média de apenas 6,1 finalizações adversárias por partida, limitando as chances claras a 1,4.
Adversários diversificados e amistosos estratégicos ampliam preparação
Diferentemente de ciclos anteriores, Marrocos buscou rivais de continentes variados para ganhar repertório tático. Nos últimos seis meses, enfrentou seleções da Europa (Noruega, Espanha), América do Sul (Equador, Paraguai) e Ásia (Burundi, Madagascar). A diversidade acelerou a adaptação ao ritmo que encontrará nos Estados Unidos.
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No teste mais recente, empate em 1 a 1 com a Noruega de Erling Haaland. A equipe africana abriu o placar com Brahim Díaz, controlou o primeiro tempo, mas reduziu a intensidade na etapa final. Mesmo sem a vitória, Ouahbi classificou a atuação como “muito boa contra um ótimo adversário”, avaliando que o desafio principal agora é manter a mesma agressividade durante os 90 minutos.
Brasil enfrenta o melhor saldo de gols do ciclo: 98 tentos de vantagem
Além da solidez defensiva, o ataque marroquino balançou as redes 123 vezes desde janeiro de 2023, resultando em saldo positivo de 98 — o maior dentre as 32 seleções classificadas. As ações ofensivas giram em torno da criatividade de Abdessamad Ezzalzouli, da infiltração de Díaz e da presença de área de Youssef En-Nesyri. A amplitude conferida por Hakimi pela direita e as inversões rápidas para o lado oposto ampliam as opções de finalização.
Para o duelo contra o Brasil de Carlo Ancelotti, a comissão técnica prepara uma estratégia de pressão média, alternando marcação em linhas compactas com transições rápidas. Dados de GPS fornecidos pela federação indicam que o elenco marroquino alcançou picos de 31,7 km/h nas arrancadas de Hakimi, enquanto Amrabat percorreu média de 11,3 km por jogo nos últimos três amistosos.
Conclusão técnica
Com 29 partidas de invencibilidade, 82,2% de aproveitamento e a defesa menos vazada do ciclo, Marrocos apresenta indicadores que justificam a expectativa de um confronto equilibrado diante do Brasil. A estabilidade tática sob o comando de Mohamed Ouahbi e a experiência acumulada contra adversários de diversos continentes sugerem que a seleção norte-africana chegará em condição competitiva para disputar a liderança do Grupo C, que ainda conta com Escócia e Haiti. Nas palavras do treinador, o próximo passo é estender a intensidade demonstrada em períodos curtos para toda a duração da partida, fator que será decisivo não apenas nesta estreia, mas em toda a trajetória rumo às fases eliminatórias.



