O pai da publicitária Juliana Marins, Manoel Marins, externou nas redes sociais um relato carregado de tristeza e saudade a menos de uma semana de se completar um ano da queda fatal da filha no vulcão Monte Rinjani, na Indonésia, episódio que expôs fragilidades nos protocolos de resgate locais e mobilizou a opinião pública brasileira.
Dinâmica do acidente e tentativa de resgate
Juliana Marins, 26 anos, percorria a trilha que contorna a cratera do Monte Rinjani durante um mochilão pela Ásia quando escorregou e sofreu uma queda estimada em 300 metros. A topografia da encosta, marcada por ravinas estreitas e rochas vulcânicas soltas, dificultou a aproximação das equipes de busca. Segundo registros locais, o pedido de auxílio foi acionado na tarde de 22 de junho de 2025, mas a chegada dos socorristas levou horas, prolongando a exposição da vítima a chuvas e baixas temperaturas.
A operação envolveu guias de montanha, bombeiros voluntários e militares indonésios, que só localizaram Juliana quatro dias depois, já sem vida. A impossibilidade de utilizar helicópteros devido a ventos constantes e neblina densa atrasou o içamento. O corpo foi removido por trilhas secundárias, percorrendo cerca de 18 quilômetros até o ponto de extração na base da montanha.
Cobranças sobre protocolos de segurança e resposta das autoridades
Em entrevistas concedidas no segundo semestre de 2025, Manoel Marins atribuiu parte da tragédia à “precariedade estrutural” dos serviços de emergência indonésios. Ele mencionou ausência de planos de evacuação rápida, carência de equipamentos de comunicação via satélite e falta de uniformização nos treinamentos de guias locais. O governo da província de Lombok reconheceu lacunas no processo e anunciou, em julho de 2025, a criação de um comitê técnico para revisar os Standard Operating Procedures nas áreas de trekking do Monte Rinjani.
Dados compilados pela Associação Indonésia de Ecoturismo indicam que, entre 2020 e 2024, foram registrados 27 incidentes graves no Rinjani, dos quais 9 resultaram em óbito. Após a repercussão do caso Juliana, o órgão passou a exigir a inclusão de rádio de alta frequência na lista obrigatória de equipamentos para guias credenciados, além da implementação de checkpoints eletrônicos nos pontos críticos da trilha.
A dimensão do luto: desabafo público e reações nas redes
No texto divulgado em perfil pessoal, Manoel descreveu um dia chuvoso em Niterói como metáfora para a melancolia persistente. Ele afirmou estar “chorando recolhido num canto”, confessando que o amor pela filha “só aumenta, apesar da distância física”. A publicação acumulou mais de 11 mil curtidas em 24 horas e recebeu centenas de comentários com mensagens de solidariedade, citações religiosas e relatos de outros pais que perderam filhos em circunstâncias semelhantes.
Imagem: Reprodução
Especialistas em saúde mental ressaltam que a exteriorização do luto nas redes pode funcionar como válvula de escape e, ao mesmo tempo, estimular discussões sobre políticas de apoio psicológico para famílias de vítimas de acidentes no exterior. Desde 2022, o Ministério das Relações Exteriores mantém o programa “Apoio Consular em Situações de Emergência”, que inclui orientação a parentes sobre repatriação e encaminhamento para atendimento psicoterápico.
Memória preservada e iniciativas de prevenção
Além do desabafo, Manoel lançou, em dezembro de 2025, a campanha “Trilhas Seguras”, cujo objetivo é financiar kits de rastreamento GPS para guias autônomos que operam no sudeste asiático. A ação, apoiada por ONGs brasileiras e indonésias, já arrecadou R$ 420 mil, valor destinado à aquisição de 250 dispositivos de geolocalização.
Paralelamente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4.318/2025, que propõe obrigar agências de turismo sediadas no Brasil a informar de forma clara os riscos associados a atividades de aventura em países sem certificação internacional de segurança. A matéria aguarda parecer da Comissão de Defesa do Consumidor.
Conclusão técnica
Com a aproximação do primeiro aniversário da morte de Juliana Marins, o desabafo de seu pai reacende o debate sobre a segurança em trilhas de alta complexidade fora do país e evidencia a necessidade de protocolos de resgate mais eficazes no Monte Rinjani. As autoridades locais continuam revisando normas, enquanto iniciativas privadas buscam suprir carências imediatas de equipamentos e treinamento. No plano legislativo brasileiro, propostas que reforçam a transparência das agências de turismo avançam, apontando para um cenário em que informação qualificada e prevenção possam reduzir a ocorrência de novas tragédias semelhantes.



