A Localiza registrou recuo acumulado de 12% no ano até 7 de agosto, mesmo após divulgar lucro líquido de R$ 1 bilhão no 2T26; ainda assim, casas de análise como BTG Pactual defendem que o papel está “inegavelmente barato” e projetam valorização de até 65% nos próximos 12 meses.
Resultado trimestral sólido contrasta com comportamento das ações
A locadora de veículos apresentou, no segundo trimestre de 2026, avanço de 30,6% no lucro líquido, somando R$ 1 bilhão. A receita líquida subiu 24,5% sobre igual período de 2025, para R$ 12,33 bilhões, enquanto o Ebitda alcançou R$ 3,8 bilhões, crescimento anual de 14%.
Apesar dos indicadores positivos, o pregão de 7 de agosto terminou com queda de 5% para a ação RENT3, aproximando-a das mínimas do ano. De janeiro até essa data, o papel acumula desvalorização de 12%. Segundo relatório do BTG Pactual, o mercado vem penalizando companhias cujos balanços são avaliados como apenas “aceitáveis” num ambiente de juros altos e menor apetite a risco.
Vetores de crescimento: demanda firme e eficiência operacional
O segmento de aluguel de carros registrou aumento de 7% na demanda, maior ritmo em diversos trimestres, compensando a pressão recente sobre tarifas. O banco ressalta ainda redução de custos de manutenção, contribuindo para margens mais saudáveis.
Na divisão de terceirização de frotas corporativas, a procura permaneceu robusta tanto entre clientes empresariais quanto entre usuários de lazer e seguradoras. A companhia comercializou 92 mil automóveis no período, alta de 34% ano a ano. Embora o mix maior de SUVs tenha comprimido margens, o volume reforça a capacidade de giro de ativos.
Para 2026, o BTG Pactual projeta lucro líquido de R$ 4,3 bilhões e, para 2027, R$ 4,9 bilhões, ancorado no avanço da demanda e em ganhos de escala.
Pontos de atenção: depreciação da frota e cenário macroeconômico
A intensificação da concorrência, impulsionada pela forte presença de veículos chineses no país, levou a Localiza a adotar postura mais conservadora nas estimativas de valor residual dos automóveis. Essa decisão pressiona o resultado contábil via depreciação maior.
Durante teleconferência, a administração sinalizou mitigantes, citando o restabelecimento de tarifas de importação e o fim de cotas isentas para montadoras chinesas, fatores que tendem a sustentar preços de revenda nos próximos trimestres.
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No âmbito macroeconômico, taxa Selic elevada, cautela quanto ao mercado automotivo e a performance morna do Ibovespa alimentam a aversão a papéis ligados ao consumo. Analistas observam que a recuperação das ações depende da combinação de juros mais baixos com retomada da confiança.
Avaliações e preços-alvo das principais casas de análise
BTG Pactual mantém recomendação de compra, com preço-alvo reduzido de R$ 65 para R$ 63 após o resultado, preservando potencial de valorização de 65% sobre o fechamento de 7 de agosto (R$ 38,20).
O BB Investimentos também indica compra e estima preço-alvo de R$ 50 até o fim de 2026, projeção que implica ganho de até 30,9%. A instituição destaca crescimento em todas as linhas operacionais e expansão de rentabilidade.
Na avaliação do Itaú BBA, o balanço foi “ligeiramente negativo”, sobretudo pela depreciação da frota e concorrência mais acirrada. Mesmo assim, o banco recomenda compra, com preço-alvo de R$ 54, potencial de 41,4%.
Conclusão técnica
Os resultados do 2T26 confirmam a resiliência da Localiza em geração de caixa e crescimento de demanda, mas o ambiente externo permanece desafiador. A precificação atual reflete, em grande parte, os riscos ligados à depreciação da frota e às condições macroeconômicas, segundo o BTG Pactual. Se a expectativa de redução de juros e reequilíbrio nos preços de revenda se materializar, o papel dispõe de margem significativa para recuperação até os níveis indicados pelos principais bancos de investimento.



