Aviatsa, companhia aérea hondurenha que desembarcou 128 haitianos em Campinas sem a documentação exigida, voltou aos holofotes e expôs o passado controverso de seu proprietário, Felix Francisco Pacheco Reyes.
O episódio ocorreu na quinta-feira (12), quando um Boeing 737-200 de 43 anos pousou em Viracopos vindo do Haiti, com escalas no Peru e na Bolívia. Apenas dois passageiros carregavam vistos válidos; os demais apresentavam papéis incompletos ou falsificados, segundo a Polícia Federal. A aeronave ficou quase dez horas retida no solo até que o desembarque fosse autorizado.
Aviatsa: histórico polêmico do dono após voo com haitianos irregular
Reyes, citado em registros oficiais como dono da Aviatsa e de outras dez empresas, já figurava em investigações que misturam contratos suspeitos, política hondurenha e acusações de envolvimento com o crime organizado. Os negócios variam de transporte aéreo a locações de aeronaves, passando pela Inversionistas Tecnológicos Unidos (Itusa), empresa que fechou contrato com a Polícia Nacional de Honduras no fim de 2022.
Relação próxima com ex-presidente Juan Orlando Hernández
Documentos obtidos no Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Reyes intermediou, em 2012, a compra de três aeronaves — dois turboélices Beechcraft King Air (matrículas HR-AXL e HR-CLQ) e um helicóptero Bell 429 (HR-GCA). Os equipamentos foram registrados em nome do irmão do então presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos por acusações de corrupção e narcotráfico, mas libertado após perdão presidencial concedido por Donald Trump no fim de 2023.
Segundo o DOJ, apesar de figurarem na frota governamental, as aeronaves eram alugadas ao próprio Estado por meio de empresas ligadas a Reyes, permitindo o repasse de valores à família do presidente.
Aeronaves usadas no tráfico de drogas
Investigações da DEA apontam que Hernández autorizou o uso de aviões, lanchas rápidas e até um submarino para transportar cocaína vinda da Colômbia. Gravações secretas mostram supostos pagamentos de propinas pela organização criminosa Los Cachiros a políticos do Partido Nacional de Honduras, viabilizando a rota da droga pelo país.
Aeroportos financiados sob suspeita
Entre 2014 e 2022, o governo hondurenho inaugurou dez aeródromos. Um deles, em Río Amarillo, localidade natal do ex-presidente, recebeu políticos e jornalistas a bordo de jatos vinculados a Reyes. A imprensa local questiona doações e contratos que financiaram a obra.
Envolvimento no Caso Pandora
O empresário também aparece no Caso Pandora, que investiga o desvio de US$ 12 milhões de fundos públicos para campanhas eleitorais. De acordo com o Ministério Público hondurenho, a Aviatsa foi contratada para fretar outro Boeing 737-200 (matrícula HR-AVR), supostamente usado para lavar parte desses recursos.
Em 2020, esse mesmo jato chegou a ser autorizado a buscar 50 médicos hondurenhos em Cuba, sob o argumento de reforçar o combate à Covid-19. A permissão de saída de Reyes do país foi revogada após questionamento da unidade anticorrupção local.

Imagem: Deposits
Investigações no Brasil por possível tráfico humano
No caso brasileiro, ainda não se sabe quem pagou o fretamento da Aviatsa nem por que optou por um Boeing antigo em vez de companhias que operam rotas regulares entre Porto Príncipe e Campinas. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar suspeita de tráfico humano.
Em nota, a Aviatsa afirmou ter sido “compelida a decolar” com os passageiros e declarou respeitar a competência das autoridades migratórias, mas classificou a atuação da PF como “intransigente” com haitianos. A empresa citou voos semanais da equatoriana AeroRegional, que opera a mesma rota sem incidentes.
O Boeing 737-200 permanece no Brasil, enquanto órgãos de segurança analisam documentos e apuram responsabilidades. Até o momento, não há previsão oficial para que a aeronave retorne ao Haiti.
Para acompanhar outras atualizações sobre investigações internacionais envolvendo autoridades da América Central, confira a seção de Política em nosso portal.
Resumo: O voo irregular expôs o histórico de contratos suspeitos e ligações políticas do dono da Aviatsa. As apurações seguem no Brasil e em Honduras. Continue navegando no site para mais notícias exclusivas.
Com informações de AEROIN