Uma baleia-jubarte adulta foi registrada circulando em águas rasas nas proximidades da Praia do Forte, em Florianópolis, na manhã de quinta-feira (data conforme registro oficial). O avistamento mobilizou a Polícia Militar Ambiental, que monitorou o animal para evitar interação com redes de pesca e confirmou que o deslocamento para mar aberto ocorreu sem intercorrências, marcando o início antecipado da temporada de baleias no litoral catarinense.
Monitoramento e medidas de proteção adotadas
Assim que a presença do cetáceo foi comunicada por pescadores locais, uma equipe da Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina se deslocou até a Baía Norte com apoio de embarcação leve. Os agentes:
- Mapearam a posição da baleia a cada 15 minutos;
- Estabeleceram um raio de segurança de 300 metros para embarcações de pesca artesanal;
- Orientaram 10 embarcações registradas na colônia do Santo Antônio de Lisboa sobre a proibição de aproximação intencional.
Segundo o tenente César Almeida, responsável pela operação, “a principal preocupação era evitar o emalhe acidental em redes de tainha, bastante comuns nesta época do ano”. O protocolo terminou quando o animal atingiu profundidade superior a 30 metros, ponto em que o risco de interação diminui sensivelmente.
Recuperação populacional impulsiona avistamentos
A diretora do Instituto Australis, bióloga Karina Groch, atribui o aumento de ocorrências no litoral catarinense à recuperação da espécie no Atlântico Sul. Dados do Projeto Baleia-Jubarte indicam crescimento médio anual de 10% entre 2006 e 2022, elevando o contingente brasileiro de cerca de 9 mil para mais de 30 mil indivíduos.
No Brasil, a jubarte foi retirada da lista de espécies ameaçadas em 2014 após meio século de moratória baleeira. A reclassificação abriu caminho para a intensificação de pesquisas na costa sul-sudeste, onde Santa Catarina ocupa posição estratégica na rota migratória que liga as áreas de alimentação da Antártida aos berçários reprodutivos no litoral sul da Bahia e norte do Espírito Santo.
Groch acrescenta que o trecho catarinense funciona como “corredor” para juvenis em deslocamento. Diferentemente das baleias-francas, que buscam enseadas rasas para parir, as jubartes observadas na região costumam ser animais jovens em socialização ou machos adultos em busca de fêmeas receptivas.
Diferenciação entre espécies e comportamento na costa catarinense
Os registros simultâneos de baleias-jubarte e baleias-franca neste início de inverno indicam, segundo especialistas, a sobreposição de rotas migratórias. Entre maio e novembro, a costa de Santa Catarina se torna palco de:
Imagem: Internet
- Passagem de jubartes – indivíduos solitários ou grupos de até 4 animais em atividade de socialização, sem intenção de parir na região;
- Residência temporária de francas – fêmeas grávidas que utilizam águas rasas de Imbituba, Laguna e Farol de Santa Marta como berçário;
- Aumento do turismo embarcado – número de saídas de observação pode crescer 160% entre junho e agosto, conforme dados da Santur.
Gravações aéreas feitas por drones do Instituto Australis na última semana documentaram comportamentos como breaching (salto parcial), lobtailing (batida de nadadeira caudal) e formação de cantos de acasalamento com duração média de 15 minutos. Tais vocalizações são audíveis a até 16 quilômetros de distância e desempenham papel crucial na seleção sexual da espécie.
Contexto histórico da proteção marinha em Santa Catarina
A costa catarinense abrange 531 quilômetros e conta com três unidades de conservação marinha federais: APA da Baleia-Franca, RESEX do Pirajubaé e PARNA Marinho de Arvoredo. Criadas entre 1992 e 2000, essas áreas estabeleceram:
- Limite para captura de espécies ameaçadas;
- Zonas de exclusão de arrasto a menos de 1 milha náutica da praia;
- Programas de monitoramento contínuo de cetáceos com 12 pontos fixos de avistagem.
O avanço do ordenamento pesqueiro e a fiscalização eletrônica contribuíram para reduzir a média anual de encalhes fatais de baleias-jubarte em Santa Catarina de 14,2 casos em 2010 para 6,1 casos em 2023, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Conclusão Técnica
O avistamento da baleia-jubarte nas águas rasas da Praia do Forte confirma a tendência de intensificação da presença de cetáceos no litoral catarinense durante o inverno e reforça a importância das medidas preventivas adotadas pelas autoridades ambientais. Com a população da espécie em franca recuperação, a expectativa é de que novos registros ocorram até o fim do ciclo migratório, em novembro. Equipes de monitoramento permanecem mobilizadas para mitigar eventuais riscos de interação com a pesca artesanal, enquanto instituições de pesquisa planejam ampliar o uso de tecnologia acústica e drones para mapear padrões de deslocamento em tempo real.



