Modelos históricos da fabricante de brinquedos Estrela passaram a alcançar até R$ 5 mil em plataformas de comércio eletrônico, impulsionando um mercado secundário que transforma itens infantis das décadas de 1960 a 1990 em ativos disputados por colecionadores. A escalada de preços é atribuída à raridade, ao bom estado de conservação e à demanda crescente por peças que marcaram gerações.
Expansão do mercado colecionável e o papel da Estrela
Fundada em 1937, a Estrela consolidou-se como referência nacional em brinquedos de massa. Na virada do século, a empresa já havia produzido mais de 1 bilhão de unidades, criando um vasto acervo que hoje serve de base para o segmento colecionável. Especialistas atribuem a valorização recente ao chamado “efeito nostalgia”: adultos que tiveram contato com as linhas originais buscam repor objetos de infância, gerando picos de procura em marketplaces como Mercado Livre, OLX e Shopee.
O movimento atrai revendedores profissionais, que mapeiam leilões e feiras para garimpar estoques descontinuados. De acordo com dados agrupados a partir de 15-05-2026, anúncios vinculados à categoria “brinquedos antigos” registram alta de 27% nas visualizações comparadas ao mesmo período de 2025, sinalizando aquecimento consistente.
Modelos mais valorizados: Susi, Amiguinha, Falcon e Ferrorama
A boneca Susi, lançada em 1966 como contraponto brasileiro à Barbie, lidera o ranking de preços. Uma edição holandesa produzida nos anos 1970 é ofertada na Shopee por R$ 3.864, enquanto exemplares comemorativos, como “Susi Meus 15 Anos”, chegam a R$ 1.500 no enjoei. Em marketplaces generalistas, a versão mexicana da década de 1970 alcança R$ 3.900. Colecionadores apontam que a variação de valores decorre de fatores como lote de fabricação, presença de vestuário original e integridade da embalagem.
A Boneca Amiguinha, ícone de 1972 com 90 centímetros de altura, também registra forte apreciação. Anúncios partem de R$ 200 para peças com avarias, mas podem atingir R$ 2.800 quando a boneca mantém roupas originais e cabelo intacto. O diferencial reside no volumoso corpo de vinil, difícil de conservar ao longo de cinco décadas.
No segmento de bonecos articulados, o Falcon — versão nacional do norte-americano G.I. Joe — apresenta preços entre R$ 1.500 e R$ 2.450. O kit “Falcon Missão de Resgate”, completo com acessórios, é o mais cobiçado pela comunidade especializada. Já o Ferrorama SL-5000, sistema de trem elétrico produzido nos anos 1990, atinge a máxima de R$ 4.990 na OLX, superando o patamar de coleções anteriores, que giram entre R$ 900 e R$ 1.500.
Atributos que determinam o preço de mercado
Três variáveis dominam a precificação dos brinquedos da Estrela no mercado secundário:
1. Raridade de edição: Séries limitadas ou exportadas, como a Susi holandesa, concentram menor oferta e maior valor agregado.
2. Estado de conservação: Itens selados, com blister intacto e manual original, podem multiplicar o preço em até cinco vezes frente a peças sem embalagem.
3. Autenticidade e documentação: Etiquetas de fábrica, selos de importação e certificados elevam a confiabilidade e justificam ágio. A ausência desses elementos exige perícia visual, aumentando o risco para o comprador.
Imagem: Internet
Sites especializados recomendam armazenagem em ambientes de baixa umidade e afastados de luz direta para preservar pigmentação e tecidos. Restauradores alertam que intervenções não profissionais — repintura ou troca de membros — reduzem o valor histórico.
Canais de venda e perfil do comprador
Os principais pontos de comercialização incluem:
Marketplaces digitais: Mercado Livre e OLX concentram mais de 70% dos anúncios ativos, favorecendo transações rápidas, porém com maior incidência de réplicas.
Feiras de antiguidades: Eventos em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre contam com curadoria presencial e atraem colecionadores dispostos a pagar prêmios por verificação física.
Grupos privados: Comunidades em redes sociais utilizam listas fechadas para negociar itens de alto ticket; nesses fóruns, a checagem de procedência é realizada por membros experientes.
Pesquisa conduzida pelo Observatório Brasileiro de Cultura Material indica que 64% dos compradores pertencem à faixa etária de 35 a 55 anos, com renda média mensal acima de R$ 8.000. O objetivo dominante é completar coleções pessoais, mas parcela de 18% aponta revenda como motivação financeira.
Conclusão técnica
Os números indicam que brinquedos clássicos da Estrela consolidaram-se como nicho de investimento alternativo, impulsionado por memória afetiva e escassez física dos produtos. A tendência é de manutenção — e possível alta — dos preços, à medida que unidades em bom estado se tornam ainda mais raras. Para os próximos trimestres, analistas de mercado colecionável projetam migração de vendas para plataformas com sistemas avançados de autenticação, reduzindo riscos de falsificação e aumentando a transparência nas negociações.



