Carlos Bolsonaro formaliza pedido de desculpas a Ana Campagnolo enquanto PL busca unidade em Santa Catarina

Carlos Bolsonaro (PL) apresentou desculpas públicas à deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) em reunião partidária na noite de 4 de março, em Florianópolis, para conter a crise desencadeada pela sua pré-candidatura ao Senado por Santa Catarina, que expôs divergências internas e ampliou o risco de fragmentação do eleitorado conservador no estado.

Origem do impasse entre lideranças do PL catarinense

O desentendimento ganhou projeção após o anúncio, em fevereiro, de que Carlos Bolsonaro pretendia disputar uma das duas vagas ao Senado que estarão em jogo em 2026. A possibilidade foi articulada pelo governador Jorginho Mello (PL), aliado do clã Bolsonaro, durante encontros preparatórios para a próxima campanha presidencial. A movimentação descontentou parte da bancada catarinense, sobretudo a deputada Ana Campagnolo e a colega de Câmara Caroline de Toni (PL-SC), apontada inicialmente como nome natural da sigla para o pleito.

Campagnolo afirmou em suas redes que a vaga “pertencente ao PL” estaria sendo transferida a um candidato de fora do estado, declaração que desencadeou troca pública de mensagens. No ápice do conflito, Carlos qualificou as críticas como “baixaria” e classificou a deputada como “mentirosa”, ampliando a tensão em torno da montagem da chapa majoritária.

Reunião de conciliação e pedido de desculpas

Convocados por Jorginho Mello, dirigentes estaduais e lideranças nacionais se reuniram na segunda-feira, 4 de março, na sede do diretório catarinense, em tentativa de formalizar um acordo. Durante o encontro, o vereador carioca reconheceu o desgaste causado pela discussão pública e, segundo relatos confirmados por integrantes da executiva, dirigiu-se diretamente a Campagnolo com a frase: “Temos coisas muito mais importantes do que nós. Há um Brasil para resgatar por nossos filhos”. O teor do pedido foi repetido em publicação no perfil oficial de Carlos no X (antigo Twitter) por volta das 22h.

Apesar do gesto, a definição sobre nomes permanece aberta. Fontes ouvidas asseguram que o PL trabalhará com pesquisas internas antes de homologar oficialmente os pré-candidatos. A expectativa é de que o martelo seja batido até dezembro de 2024, prazo limite estipulado pelo partido para a consolidação de chapas proporcionais e majoritárias.

Confronto de candidaturas: três postulantes para duas vagas

O atual cenário projeta três pretendentes alinhados à direita disputando duas cadeiras no Senado por Santa Catarina:

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Imagem: Divulgação

  • Esperidião Amin (PP) – senador em mandato e busca de reeleição; conta com a máquina progressista estadual e apoio de parte do empresariado.
  • Caroline de Toni (PL) – deputada federal mais votada do estado em 2022, defensora da manutenção da vaga “pura” do PL na chapa.
  • Carlos Bolsonaro (PL) – vereador no Rio de Janeiro, figura de projeção nacional pela proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A sobreposição de nomes ameaça pulverizar votos dentro do mesmo espectro ideológico, situação que pode favorecer candidaturas de centro ou esquerda. Analistas políticos lembram que, em 2022, a soma de votos da senadora eleita Ideli Salvatti (PT) e do ex-governador Raimundo Colombo (PSD) não alcançou 40% do total, percentual que pode ser superado caso o campo conservador se divida novamente.

Articulações paralelas e possíveis migrações partidárias

Diante da incerteza, Caroline de Toni iniciou conversas com o Novo, legenda que busca ampliar espaço no Sul. Interlocutores do partido liberal admitem que o convite foi feito, mas condicionam a filiação à saída definitiva de Carlos da disputa. Esse movimento adiciona pressão sobre o comando nacional do PL, que tenta evitar perdas de quadros com votação expressiva.

Em paralelo, a federação PP-União Brasil considera lançar um segundo nome, caso o acordo informal entre Mello e Amin seja rompido. A eventual entrada de outra sigla de centro-direita complicaria ainda mais o cálculo eleitoral, pois elevaria o coeficiente de corte para os principais concorrentes.

Conclusão Técnica

O pedido de desculpas de Carlos Bolsonaro encerra momentaneamente a troca de farpas públicas com Ana Campagnolo, mas não resolve o núcleo do impasse: a definição da chapa ao Senado em 2026. A direção do PL trabalha com pesquisas internas e prazos regulamentares para decidir entre manter Carlos, consolidar Caroline de Toni ou buscar composição com o PP. Até lá, o partido seguirá monitorando índices de intenção de voto e avaliando riscos de dispersão do eleitorado conservador em Santa Catarina.