Cartões de crédito com cashback registram demanda crescente no país, impulsionados por percentuais que chegam a 5,3% e ofertas de anuidade zero, segundo levantamento das principais instituições emissoras divulgadas nesta semana.
Evolução do cashback no mercado brasileiro
O conceito de cashback – devolução de parte do valor gasto – ganhou força em 2018 com a entrada de bancos digitais. Em 2024, o benefício já figura entre os três critérios mais citados por consumidores na hora de escolher um cartão, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS). A expansão é reflexo da concorrência entre emissores tradicionais e fintechs, que migraram do modelo de pontos expiráveis para percentuais fixos creditados em fatura ou conta-corrente.
Nesse contexto, surgiram produtos de alta segmentação, como o XP Visa Infinite, que oferece até 5,3% em compras internacionais, e opções populares de anuidade grátis, exemplo do RecargaPay Mastercard Black, com retorno de 2% em qualquer estabelecimento.
Comparativo de percentuais, custos e requisitos
O quadro a seguir sintetiza as ofertas vigentes e expõe as contrapartidas exigidas:
RecargaPay / Mastercard Black – Cashback fixo de 2%, anuidade gratuita e necessidade de R$ 30 mil investidos em CDB para liberação do limite. A taxa posiciona o produto como o maior retorno fixo do país, porém exige imobilização de capital.
Nubank / Mastercard Black – Percentual de 1% com rendimento automático de 200% do CDI até o resgate. A anuidade de R$ 588 é zerada ao gastar R$ 5 mil mensais ou manter R$ 50 mil na conta. O processo de aprovação permanece limitado ao algoritmo proprietário da empresa.
XP / Visa Infinite – Intervalo de 1,5% a 5,3% dependendo da natureza da compra. A anuidade de R$ 4.200 é compatível apenas com clientes que possuam R$ 1 milhão investido. O pico de 5,3% em transações internacionais tende a neutralizar parte da taxa cambial.
Bradesco / Mastercard Platinum – Estrutura escalonada: 5% na Amazon, 2% em farmácias, restaurantes e viagens, e 1% para demais segmentos. Não há anuidade e a renda mínima é de R$ 800. O valor devolvido soma-se em pontos que só podem ser usados no próprio marketplace da Amazon.
BTG Pactual / Mastercard Black – Até 1,2% conforme módulos contratados. A anuidade parte de R$ 1.320, mas pode ser ajustada mediante aportes no banco. O modelo modular permite ativar apenas benefícios desejados, mas o pacote completo eleva o custo final.
Banco do Brasil / Visa Infinite – Retorno de 1,5%, anuidade de R$ 1.800 e acesso ilimitado a salas VIP. Elegível exclusivamente a clientes do segmento Private Bank, reforçando o posicionamento premium.
Imagem: Internet
Inter / Mastercard Black – 1% creditado em dinheiro direto na conta digital. A isenção de anuidade contempla quem investe R$ 250 mil, mantém fatura média de R$ 7 mil ou assina o programa Duo Gourmet. O percentual, rebaixado de 1,25% em 2023, impactou a competitividade do produto.
Perfis de usuário e barreiras de entrada
A análise das condições evidencia segmentação clara:
- Alta renda e investidores: cartões XP, Banco do Brasil e BTG Pactual concentram benefícios premium (lounges ilimitados, IOF reduzido) condicionados a patrimônio elevado.
- Consumo digital e varejo: opções RecargaPay e Bradesco/Platinum miram usuários que priorizam anuidade zero e compras frequentes em marketplaces.
- Público massificado de fintechs: Nubank e Inter exploram simplicidade de app, porém impõem metas de gasto ou saldo para manutenção de vantagens.
Outro entrave recorrente é a necessidade de convite ou avaliação algorítmica opaca, caso do Nubank, que restringe a emissão apesar da ausência formal de renda mínima.
Tendências regulatórias e impacto nos emissores
A partir de julho de 2024, entra em vigor a resolução do Banco Central que amplia a transparência na divulgação das taxas de câmbio e tarifas de conversão em cartões internacionais. Instituições com alto percentual de cashback em compras fora do país, como a XP, devem revisar a comunicação de custos para manter atratividade.
Além disso, a plataforma Open Finance tende a facilitar a portabilidade de limites, pressionando emissores a aprimorar programas de fidelidade. A expectativa é de que percentuais fixos acima de 1,5% se tornem padrão em produtos intermediários até o fim de 2025.
Conclusão Técnica
Os cartões analisados apresentam estratégia comum: trocar pontos voláteis por devolução financeira imediata, agregando valor perceptível ao consumidor. A competitividade, entretanto, depende do equilíbrio entre percentual de retorno, custo de manutenção e barreira de entrada. No cenário atual, o RecargaPay Mastercard Black lidera em cashback fixo sem anuidade, enquanto o XP Visa Infinite mantém a maior taxa nominal em compras internacionais para o público de alta renda. Em médio prazo, ajustes regulatórios e a consolidação do Open Finance podem elevar os percentuais oferecidos e reduzir exigências de renda, ampliando o acesso a modelos de reembolso mais robustos.
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