Ciclone impulsiona ondas de até 3,5 m e rajadas de 80 km/h no Litoral Sul de Santa Catarina

Rajadas de até 80 km/h e ondas alcançando 3,5 m de altura foram previstas pela Defesa Civil de Santa Catarina entre segunda-feira, 18, e terça-feira, 19 de março, devido à formação de um ciclone no Sudeste brasileiro e à chegada de um sistema de alta pressão vindo da Argentina.

Condições atmosféricas que geram a agitação marítima

Modelos meteorológicos identificaram a formação de um ciclone extratropical sobre o oceano, na altura do Sudeste do país. O fenômeno intensificou o gradiente de pressão na costa, o que, somado a um sistema de alta pressão avançando do território argentino, resultou em ventos sustentados de 30 km/h a 50 km/h, com potencial para rajadas de 60 km/h a 80 km/h.

Esse contraste barométrico favorece a elevação do mar. A orientação predominante do vento, de quadrante sul, canaliza energia sobre a superfície oceânica e eleva o mar de vento, produzindo séries de 2,0 m a 3,5 m em praias abertas do Litoral Sul catarinense. A fase mais crítica, segundo boletim do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram/Epagri), concentrar-se-ia nas primeiras 24 horas do alerta.

Imagens de satélite registraram bandas de nebulosidade profunda associadas à perturbação, enquanto boias costeiras apontaram queda brusca da pressão atmosférica — sinais típicos de ciclones extratropicais na região Sul do Atlântico.

Protocolos da Defesa Civil e orientações à população

A Defesa Civil de Santa Catarina classificou o risco como moderado para ocorrências no Litoral Sul. Entre as medidas recomendadas estão:

  • Suspensão temporária de atividades de navegação e pesca, especialmente embarcações de pequeno porte.
  • Evitar esportes náuticos, como surfe, stand-up paddle e kitesurfe, durante a vigência do aviso.
  • Abstenção de banhos de mar e caminhadas em faixa de areia sujeita a ressacas.
  • Manter distância de árvores, placas, muros e postes em períodos de vento forte para minimizar o risco de acidentes.

O órgão estadual mantém contato com coordenadorias municipais, que podem acionar equipes de busca e salvamento caso ocorram incidentes. Informações de atualização do alerta são disseminadas por aplicativo próprio, rádio VHF náutico e redes sociais oficiais.

Reflexos econômicos e ambientais no litoral catarinense

O período de defeso da tainha terminara recentemente, permitindo a pesca comercial que, no último fim de semana, registrou dezenas de milhares de unidades capturadas. A súbita agitação marítima, porém, ameaça deslocar cardumes e reduzir a produtividade das redes de arrasto costeiro, segundo sindicatos pesqueiros de Laguna e Imbituba.

Ciclone impulsiona ondas de até 3,5 m e rajadas de 80 km/h no Litoral Sul de Santa Catarina - Imagem do artigo original

Imagem: Divulgação

Além da pesca, operações portuárias em Imbituba, Laguna e no complexo de Tubarão podem ser impactadas. Autoridades portuárias monitoram o estado do mar para avaliar possíveis restrições de fundeio e manobra, evitando danos a terminais e à cadeia logística regional.

Do ponto de vista ambiental, a ressaca favorece a ressuspensão de sedimentos e aumenta o risco de erosão costeira. Municípios como Balneário Rincão e Garopaba mantêm equipes de monitoramento em dunas e áreas já suscetíveis a recuo da linha de costa.

Cronologia do alerta e próximos passos

• 18/03 – 08h00: Emissão do Alerta Meteorológico n.º 082/2024 pela Defesa Civil estadual.
• 18/03 – 14h00: Intensificação do vento nas estações de Balneário Arroio do Silva, com rajada registrada de 67 km/h.
• 19/03 – 02h00: Previsão de pico da maré alta associado à fase cheia da lua e à ação do ciclone.
• 19/03 – 18h00: Tendência de gradativa perda de força do sistema, com retorno do mar a condições abaixo de 2,0 m.

Conclusão Técnica

A interação entre o ciclone extratropical sobre o Atlântico e o sistema de alta pressão que avança do continente gera um cenário temporário, porém significativo, de agitação marítima no Litoral Sul catarinense. A Defesa Civil mantém o nível de alerta moderado, solicitando prudência da população e suspensão de atividades náuticas até a normalização dos ventos, prevista para o fim da terça-feira, 19. Órgãos setoriais de pesca, portos e meio ambiente seguem monitorando variáveis oceânicas para ajustar operações e mitigar eventuais prejuízos.