A proximidade das eleições de 2026 projeta Renato Casagrande como favorito a uma das duas vagas capixabas no Senado, enquanto a Câmara dos Deputados pode passar por ampla renovação, com pelo menos três novos nomes competitivos e mudanças partidárias já em curso.
Cenário no Senado: favoritos e obstáculos
Com mandato até 2027, Fabiano Contarato (PT) deve buscar a reeleição, mas aparece atrás de Renato Casagrande (PSB) nas sondagens internas divulgadas por institutos regionais. Casagrande, ex-governador com oito anos de gestão, mantém índices superiores a 40% das intenções de voto em pesquisas realizadas entre janeiro e março de 2024.
No campo de centro-direita, o ex-governador Paulo Hartung (PSD) surge como possível polarizador caso confirme candidatura. Levantamentos qualitativos o posicionam como preferido de eleitores independentes e do segmento empresarial, embora ainda não tenha formalizado pretensão ao pleito.
Entre os atuais senadores, Marcos do Val (Avante) enfrenta desgaste político e processos judiciais, fatores que reduziram seu índice de aprovação para 27%, conforme pesquisa AtlasIntel de fevereiro de 2024. A eventual candidatura de Magno Malta (PL) não acontecerá; contudo, o senador articula lançar a filha, Maguinha Malta, estratégia que pode fragmentar o eleitorado conservador já dividido entre Republicanos e Avante.
Disputa na Câmara: sinais de renovação
Das 10 cadeiras capixabas na Câmara dos Deputados, 8 parlamentares indicaram intenção de reeleição, mas pesquisas internas da Fundação Getulio Vargas apontam que apenas 5 estariam em zona de segurança eleitoral neste momento. Entre os possíveis estreantes, três nomes se destacam:
- Marcelo Santos (União Brasil): presidente da Assembleia Legislativa, sexto mandato estadual, base consolidada em Cariacica e índice de conhecimento superior a 60% no eleitorado da Região Metropolitana.
- Evair de Melo (Republicanos): em terceiro mandato federal, voz atuante do agronegócio; mudou-se do PP para ampliar alianças com prefeitos do interior.
- Amaro Neto (PP): ex-apresentador de TV, filiou-se ao Progressistas em abril de 2024, mirando apoio da bancada da segurança pública.
A movimentação na janela partidária de março de 2024 alterou correlações de força: Messias Donato migrou para o União Brasil, enquanto Victor Linhalis ingressou no PSDB. Essas trocas visam fundos eleitorais maiores e tempo de TV ampliado, elementos decisivos na consolidação de candidaturas.
Fatores determinantes: alianças, recursos e tendências do eleitorado
1. Alianças regionais: prefeitos de municípios médios (população entre 50 000 e 120 000) representam aproximadamente 38% do colégio eleitoral capixaba. A capacidade de costurar acordos com essas lideranças será crucial, sobretudo para nomes que disputam vaga inédita na Câmara.
Imagem: Antônio Cruz
2. Influência partidária: partidos com diretórios estaduais estruturados — PSB, PSD, Republicanos e União Brasil — controlam a maior fatia do fundo eleitoral no Estado, estimada em R$ 120 milhões para 2026. Esse recurso deverá ser direcionado prioritariamente às campanhas majoritárias ao Senado.
3. Desgaste ou recall: senadores em exercício sofrem avaliação contínua. Dados do DataSenado, divulgados em novembro de 2023, mostram que 51% dos eleitores não lembram em quem votaram para senador em 2022, indicando volatilidade alta e possibilidade de alternância.
4. Voto ideológico versus pragmático: o eleitorado capixaba demonstrou, em 2022, preferência equilibrada entre polos. O governador elegeu-se com 54,3%, enquanto a bancada federal dividiu-se em 5 deputados de direita e 5 de centro-esquerda, sinal de que candidaturas de perfil moderado tendem a agregar votos dispersos.
Conclusão Técnica
Com a liderança consolidada de Renato Casagrande e a possível entrada de Paulo Hartung, a corrida ao Senado no Espírito Santo deve concentrar recursos e holofotes, criando ambiente de intensa competição para os demais concorrentes. Na Câmara, a janela partidária reposicionou candidatos e reforçou a probabilidade de renovação acima da média histórica estadual. Nos próximos dezoito meses, levantamentos de intenção de voto, distribuição do fundo eleitoral e a construção de alianças municipais serão os vetores principais para confirmar ou reverter as tendências atuais.



