Em meio ao encarecimento das linhas de empréstimo tradicionais, a estratégia de usar automóveis como garantia ganha tração no mercado brasileiro, oferecendo recursos com taxas iniciais de 1,40% a.m. e prazos de pagamento de até 60 meses, segundo condições anunciadas pelo Banco PAN.
Demanda por crédito cresce mesmo com Selic elevada
Dados do Indicador de Demanda do Consumidor por Crédito, elaborado pela Serasa Experian, mostram que a procura por novas linhas somou 15,6% no fechamento de 2025. O número evidencia que, ainda que a taxa básica de juros permaneça em patamares historicamente altos, famílias e microempreendedores seguem em busca de capital para consumo, reformas ou consolidação de dívidas.
Nesse contexto, modalidades sem garantia—como empréstimo pessoal ou rotativo do cartão—chegam a cobrar médias de 7,04% a.m., conforme levantamentos de mercado. O custo elevado pressiona o orçamento das famílias e coloca em evidência soluções que exigem colateral, capazes de mitigar o risco bancário e, por consequência, reduzir a precificação do crédito.
Mecânica do empréstimo lastreado em veículo
No produto apresentado pelo Banco PAN, proprietários de carros com até 20 anos ou motos com até 13 anos podem oferecer o bem como garantia, mantendo o uso cotidiano do veículo. O limite de crédito pode alcançar 100% do valor de mercado, definido em avaliação prévia.
Uma vez aprovado, o valor é depositado em até 2 dias úteis. As parcelas são distribuídas em cronograma que varia de 12 a 60 meses, permitindo alongar o fluxo de pagamentos e diluir o impacto no orçamento mensal. O Custo Efetivo Total (CET) é informado individualmente após análise de risco, prática exigida pelo Banco Central para transparência ao consumidor.
Comparativo de taxas reforça a atratividade da garantia
Na comparação direta, a diferença de preço entre linhas com e sem colateral permanece expressiva. Enquanto o produto do PAN parte de 1,40% a.m., dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac) apontam que o empréstimo pessoal de bancos tradicionais superou a marca de 7,00% a.m. em abril de 2026. No cartão de crédito rotativo, a média ultrapassou 12,00% a.m., revelando um custo quase nove vezes superior ao da modalidade garantida por veículo.
Imagem: Internet
O fator de risco explica o descompasso: ao registrar o bem em alienação fiduciária, a instituição financeira reduz a inadimplência esperada, permitindo cortes na taxa final. Para o tomador, a exigência fundamental é manter o pagamento em dia; em caso de inadimplência prolongada, a política de garantia prevê retomada do automóvel.
Processo de contratação digital acelera liberação
A operação é concluída integralmente online, via WhatsApp ou aplicativo, com envio de documentos em formato digital e vistoria eletrônica do veículo. Esse modelo, adotado pelo PAN desde 2024, reduz custos operacionais, elimina deslocamentos a agências físicas e encurta o tempo total entre a solicitação e a liberação dos recursos.
Para além da conveniência, a digitalização atende às diretrizes de open finance, possibilitando ao cliente compartilhar históricos bancários e obter análises de crédito mais precisas. Com isso, perfis considerados limítrofes em modalidades convencionais podem alcançar aprovação quando dispõem de um ativo real como respaldo.
Conclusão técnica
A elevação persistente dos juros tem impulsionado o redirecionamento da demanda para produtos com garantia real, especialmente veículos, que apresentam taxas significativamente menores e prazos mais extensos. Ao disponibilizar crédito a partir de 1,40% a.m., com liberação em até 2 dias úteis, o Banco PAN ilustra a tendência de bancos e financeiras de combinar ativos do cliente a processos digitais para mitigar risco e agilizar a concessão. A expectativa do setor é de que, mantido o cenário de aperto monetário, a participação do empréstimo com garantia de veículo avance sobre modalidades sem colateral, ampliando a oferta de recursos a custos mais sustentáveis para consumidores e microempreendedores.



