CSN acelera desinvestimentos e põe ativos de infraestrutura à venda para reduzir dívida

CSN abriu processo de venda de terminais portuários no Rio de Janeiro, participação na MRS Logística e a recém-adquirida Tora, movimentação que amplia o plano de desinvestimentos da siderúrgica iniciado com a alienação da divisão de cimento e busca conter alavancagem superior a 3 vezes o Ebitda.

Plano de desinvestimentos ganha tração

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciou em junho a etapa de desmobilização de ativos de infraestrutura, conforme apurado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O mandato para coordenar a operação foi confiado a Citibank e Bradesco, que já coletam manifestações de interesse do mercado. A iniciativa sucede o processo em curso de alienação da CSN Cimentos, anunciado em janeiro e conduzido em paralelo.

No segmento de cimento, quatro candidatos – Votorantim, Polimix, Huaxin Cement e Sinoma International – avançaram para a fase de propostas vinculantes, com prazo até 7 de agosto. A transação pode gerar entre R$ 12 bilhões e R$ 13 bilhões, valor que supera o atual valor de mercado da companhia, estimado em R$ 8,02 bilhões.

Ativos ofertados: portos, ferrovias e logística rodoviária

O pacote de desinvestimentos em infraestrutura engloba três frentes:

  • Terminais portuários no Rio de Janeiro – Estruturas estratégicas para escoamento de minério de ferro e outros granéis sólidos, localizadas em pontos contíguos aos ativos da companhia na Baía de Sepetiba.
  • Participação na MRS Logística – Stake minoritário em uma das principais operadoras ferroviárias do Sudeste, responsável por integrar a produção da CSN às rotas de exportação e ao mercado interno.
  • Tora – Operação de transporte rodoviário e armazenagem adquirida em 2025 que ampliou a malha multimodal da siderúrgica.

Embora ainda sem avaliação oficial divulgada, analistas de mercado projetam que o conjunto possa adicionar montante semelhante ou superior ao estimado para a área de cimento, dadas as sinergias logísticas dos ativos portuários e o potencial de valorização da MRS em meio à expansão do agronegócio e do setor mineral.

Pressão da alavancagem e métricas financeiras

No primeiro trimestre de 2026, a CSN reportou prejuízo líquido de R$ 555 milhões, recuo de 24,2 % em relação à perda de R$ 732 milhões registrada um ano antes. O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,646 bilhões, avanço anual de 5,5 %, enquanto a receita líquida caiu 2,8 %, para R$ 10,604 bilhões.

A dívida líquida ficou em R$ 40,5 bilhões, acima dos R$ 35,8 bilhões de março de 2025, mas inferior ao patamar de R$ 41,2 bilhões registrado no encerramento de 2025. A relação dívida líquida/Ebitda encerrou o trimestre em 3,36 vezes, redução de 11,6 pontos-base frente ao trimestre anterior, porém ainda acima do nível considerado ideal para empresas de capital intensivo do setor.

CSN acelera desinvestimentos e põe ativos de infraestrutura à venda para reduzir dívida - Imagem do artigo original

Imagem: Internet

Ao converter parte dos ativos não essenciais em caixa, a administração busca reduzir de forma acelerada a alavancagem, liberar capacidade para investimentos em mineração e siderurgia e mitigar riscos de volatilidade cambial e de preços do aço.

Cronograma e potenciais compradores

O processo de venda dos ativos portuários, ferroviários e rodoviários foi estruturado em fases. Na primeira etapa, Citibank e Bradesco distribuem teasers a investidores estratégicos e fundos de infraestrutura. A segunda fase contempla due diligence aprofundada, prevista para o terceiro trimestre. Interessados poderão submeter ofertas vinculantes até o final de outubro, segundo fontes próximas à transação.

Entre os potenciais compradores mapeados pelo mercado estão operadores portuários globais, concessionárias de ferrovias estrangeiras e fundos soberanos com mandatos voltados a logística na América Latina. No caso da MRS, há expectativa de manifestação de interesse dos próprios controladores – Vale, Usiminas e Grupo Mitsui – que podem exercer direito de preferência, conforme acordo de acionistas.

Conclusão técnica

A venda simultânea dos ativos de cimento e de infraestrutura insere-se em um plano corporativo de desalavancagem traçado no início de 2026 e tem potencial para gerar recursos superiores a R$ 20 bilhões até o primeiro semestre de 2027. O êxito das operações pode reduzir significativamente a relação dívida líquida/Ebitda, aproximando-a de patamar inferior a 2,5 vezes, enquanto mantém a companhia focada em suas operações-core de mineração e siderurgia. Os próximos marcos são a entrega das propostas vinculantes para a divisão de cimento em 7 de agosto e a recepção de ofertas pela infraestrutura até outubro, seguidos de avaliação regulatória e fechamento financeiro projetado para o início de 2027.