Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada em 16 de maio de 2026 revela empate numérico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno, com 45% das intenções de voto para cada candidato, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Cenário de segundo turno permanece indefinido
O levantamento ouviu 2.004 eleitores de todas as regiões do país nos dias 12 e 13 de maio de 2026. Além do empate entre os dois principais nomes, o instituto identificou 13% de votos brancos ou nulos e 1% de indecisos, sinalizando que uma fração modesta, mas estratégica, do eleitorado pode definir a disputa. Em comparação com a rodada anterior, realizada em abril, houve oscilação dentro da margem de erro: Flávio Bolsonaro tinha 46% e Lula 45%. A inversão estatística indica estabilidade, mas reforça a incerteza sobre quem assumirá a dianteira conforme a campanha avança.
Especialistas em comportamento eleitoral apontam que a polarização segue dominante, restringindo espaço para candidaturas alternativas no segundo turno. A equalização dos índices mostra que a mobilização de nichos específicos — eleitorado evangélico, classes de renda intermediária e segmentos do Sul e do Centro-Oeste — tende a ser decisiva na fase final do pleito.
Lula mantém liderança no primeiro turno
No recorte de primeiro turno, a pesquisa registra 38% de intenções de voto para Lula, contra 35% de Flávio Bolsonaro. A distância de três pontos, embora estreita, confere ao presidente uma vantagem inicial na largada da corrida. Os demais pré-candidatos somam percentuais residuais: Ronaldo Caiado (PSD) – 3%; Romeu Zema (Novo) – 3%; Renan Santos (MBL) – 2%; e outros nomes, juntos, abaixo de 2%.
A pulverização de candidaturas menores contribui para a fragmentação de votos fora do eixo lulista-bolsonarista. Contudo, ao projetar a migração desses votos para o segundo turno, o Datafolha sugere que parte relevante dos eleitores de centro-direita tende a convergir para Flávio Bolsonaro, enquanto os de centro-esquerda se alinham majoritariamente a Lula, mantendo a simetria observada no cenário de desempate.
Simulações paralelas confirmam vantagem de Lula sobre terceiros
O instituto testou também confrontos entre Lula e potenciais adversários alternativos. Contra Ronaldo Caiado, o placar atinge 46% × 39%; frente a Romeu Zema, repete-se 46% × 40%. Em ambos os cenários, a diferença ultrapassa a margem de erro, conferindo ao atual presidente uma liderança numérica consistente.
Esses resultados reforçam a percepção de que Lula retém capital político suficiente para superar postulantes fora do núcleo bolsonarista, mas enfrenta paridade quando o embate ocorre diretamente com um representante do legado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro geram incertezas
Durante a coleta de dados, vieram a público áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, relatando cobrança de valores ligados ao financiamento do filme biográfico Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O montante mencionado chega a R$ 61 milhões. Como parte das entrevistas foi realizada após 13 de maio — data da divulgação do caso —, o instituto não aferiu se o episódio influenciou as respostas.
Imagem: Mtag feita com ns do X e da Agência Brasil
Embora ainda incerto, o impacto potencial das denúncias pode ser observado em futuras rodadas. Historicamente, escândalos de ordem financeira tendem a produzir repercussões mais duradouras quando se associam a narrativas de ética pública, sobretudo em fases próximas ao início oficial da campanha eleitoral.
Metodologia, margem de erro e registro oficial
A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de ±2 pontos percentuais. A amostra é probabilística e abrangente, incluindo eleitores de 16 anos ou mais em todas as unidades da federação. O estudo foi protocolado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00290/2026, atendendo às exigências legais para divulgação de sondagens eleitorais.
Segundo a ficha técnica disponibilizada, entrevistadores aplicaram questionários estruturados em domicílio, com distribuição proporcional ao eleitorado por região, sexo, faixa etária e nível de escolaridade. A ponderação pós-coleta garante alinhamento da amostra às características demográficas do último Censo.
Perspectivas para a fase pré-campanha
A convergência numérica entre Lula e Flávio Bolsonaro sugere que o período pré-campanha será marcado por disputas narrativas intensas, busca por alianças regionais e forte presença em plataformas digitais. A definição dos palanques estaduais, especialmente em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, poderá oferecer vantagem estratégica a quem conquistar apoios nos maiores colégios eleitorais.
Ainda que o presidente disponha da máquina pública e índices ligeiramente superiores no primeiro turno, o senador bolsonarista conta com um eleitorado fidelizado e herda o capital simbólico do pai, mantendo a eleição aberta. A capacidade de cada campanha em atrair os 13% que hoje declaram voto branco ou nulo, bem como o 1% de indecisos, torna-se variável-chave para a consolidação de uma maioria.
Conclusão Técnica: O levantamento Datafolha ratifica a polarização entre campo petista e bolsonarista e projeta um segundo turno indefinido, com empate estatístico dentro da margem de erro. A manutenção desse equilíbrio dependerá da evolução dos fatos — como o desfecho das denúncias que envolvem Flávio Bolsonaro — e da eficácia de cada campanha em mobilizar o eleitorado volátil que hoje se mantém à margem da disputa. Novas pesquisas ao longo do segundo semestre serão determinantes para aferir tendências consistentes e possíveis deslocamentos de intenção de voto.



