Deputado Thiago Rangel é preso pela PF por plano violento contra críticos e suspeita de fraudes na Educação do RJ

O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso preventivamente nesta terça-feira, 5, por agentes da Polícia Federal após determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida decorre de uma investigação que apura fraudes na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e o planejamento de ataques armados contra críticos do parlamentar, revelados por mensagens interceptadas em seu celular.

Origem da investigação e mandado do STF

A 4ª fase da Operação Unha e Carne concentra-se em contratos suspeitos dentro da estrutura educacional fluminense. Conforme decisão de Alexandre de Moraes, indícios de desvio de verbas e uso de servidores fantasmas motivaram sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes e Miracema. Entre os alvos, Thiago Rangel ocupa posição central por, segundo os autos, atuar como articulador de esquemas de contrapartida financeira com fornecedores e intermediários.

Relatórios da PF apontam que, em junho de 2021, o deputado teria loteado cargos de auxiliar de serviços gerais para beneficiar um traficante conhecido como “Júnior do Beco”. As nomeações reforçariam sustentação política em comunidades sob domínio da facção do criminoso, além de garantir segurança para movimentações ilícitas.

Mensagens interceptadas detalham ameaças com 12 tiros e decapitação

O núcleo probatório que levou à custódia de Rangel foi extraído de conversas mantidas em aplicativos de mensagem ao longo de 2022. Em diálogo reproduzido no despacho do STF, o parlamentar descreveu a um aliado a intenção de “dar 12 tiros no portão” de um crítico para “deixar o recado”. Minutos depois, reforçou: “Vou dar jeito nele”.

Outra sequência de áudios mostra integrantes do mesmo grupo discutindo eliminar um opositor: “Temos que arrancar a cabeça dele sem dar direito para ele”. Um participante concorda, sugerindo avaliar “o melhor momento para tirar” o desafeto. Para a Polícia Federal, o conteúdo confirma o uso de intimidação armada como método de preservação de influência e silenciamento de denúncias.

Suposta ligação com traficante e distribuição de cargos públicos

Documentos apreendidos indicam que Rangel prometeu duas vagas de emprego em unidades de ensino estaduais a indicados de “Júnior do Beco”. A formalização ocorreu no sistema de recursos humanos da pasta educacional, evidenciando acesso privilegiado do deputado à estrutura administrativa. Em troca, o tráfico garantiria mobilização eleitoral local e contenção de possíveis delatores.

Investigações financeiras rastrearam ainda depósitos fracionados em espécie, compatíveis com possível pagamento de propina. As somas, embora inferiores a R$ 10 mil por transação, somam valores expressivos ao longo de 18 meses, sugerindo tentativa de burlar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.

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Imagem: Thiago Rangel

Apreensão de dinheiro vivo reforça suspeita de peculato

Durante buscas em endereços ligados ao parlamentar e a seu suposto operador financeiro, os agentes encontraram maços de cédulas de R$ 100 e R$ 200 arquivados em compartimentos ocultos. Uma fotografia da quantia, registrada no celular do investigado, foi acompanhada da mensagem “guardado”. A resposta de Rangel, em áudio, menciona “o amigo do transporte que ganhou a licitação”, sinalizando possível repasse de vantagem indevida por prestador de serviço.

Perícia preliminar calcula que a soma apreendida ultrapassa R$ 350 mil. Os valores serão submetidos a procedimento de degravação e confronto com registros bancários para identificar origem e destino final. Caso se confirme o vínculo com contratos públicos, o deputado pode responder por peculato, organização criminosa e corrupção passiva.

Próximos passos jurídicos e impacto político

Com a decretação da prisão preventiva, Thiago Rangel permanece recolhido em unidade federal à disposição do STF. A defesa poderá formular pedido de habeas corpus, mas o Ministério Público Federal já manifestou posição favorável à manutenção da custódia, citando risco de obstrução das investigações e ameaça à integridade de testemunhas.

Na esfera legislativa, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro deve ser notificada nas próximas 24 horas para decidir sobre a continuidade ou não do mandato durante o processo. Paralelamente, a Secretaria de Educação instaurou auditoria interna para revisar todos os contratos firmados a partir de 2020, período em que o grupo do deputado teria expandido influência.

Conclusão Técnica: O caso reúne elementos de violência planejada, corrupção sistêmica e cooptação de agentes comunitários, criando ambiente de coação que, segundo a Polícia Federal, sustentou desvios na área educacional fluminense. A análise de mídias digitais, somada à apreensão de numerário e às quebras de sigilo bancário, deve orientar novas denúncias formais nos próximos meses. Até a conclusão da instrução processual, o parlamentar permanece afastado, enquanto a corte superior avalia eventual recebimento de denúncia e a possibilidade de desdobramentos penais para demais envolvidos.