Drones da PRF reforçam fiscalização de uso do celular ao volante em Santa Catarina

Drones operados pela Polícia Rodoviária Federal vêm registrando infrações de motoristas que manuseiam o celular em rodovias federais de Santa Catarina, aplicação que já resultou em milhares de autuações desde o início de 2024 e posiciona o estado como referência nacional no uso de vigilância aérea para segurança viária.

Tecnologia e protocolo de operação

De acordo com o chefe de comunicação da PRF/SC, Adriano Fiamoncini, os drones são equipados com câmeras de alta resolução capazes de captar detalhes dentro dos veículos em movimento, sem necessidade de aproximação física. Os voos seguem um protocolo homologado pela sede da instituição em Brasília, que determina altitude, distância mínima e tempo máximo de sobrevoo para garantir a integridade das evidências.

O operador — um agente credenciado — controla o equipamento em tempo real, monitorando o trânsito em pontos estratégicos. Quando uma conduta irregular é identificada, o sistema grava imagens, registra coordenadas geográficas e horário exato, gerando um dossiê digital que é posteriormente anexado ao auto de infração. O drone, segundo Fiamoncini, “funciona como um binóculo eletrônico”, ampliando o alcance visual da guarnição sem substituir a análise humana.

Essa metodologia foi oficialmente adotada em janeiro de 2024, após estudos piloto que demonstraram aumento significativo na detecção de uso de telefone celular, falta de cinto de segurança e transporte inadequado de crianças. O sucesso catarinense levou a PRF a enviar equipes do estado para capacitar efetivos em outras unidades da federação.

Indicadores de infração e impacto na segurança

Números recentes justificam a intensificação da fiscalização aérea. Em 2025, a PRF/SC registrou 4.380 flagrantes de motoristas manuseando o celular ao volante nas rodovias federais que cortam o estado. Desses, 31 evoluíram para acidentes, provocando 33 feridos e duas mortes. Autoridades classificam o dado como um alerta, pois digitar mensagens ou navegar em aplicativos eleva em até quatro vezes o risco de colisões traseiras e atropelamentos, segundo estudos do Conselho Federal de Trânsito.

A multa para quem utiliza o aparelho é enquadrada como infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro, no valor de R$ 293,47 e acréscimo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Ainda assim, a reincidência permanece alta. Especialistas em engenharia de transportes indicam que a combinação de monitoramento remoto, provas audiovisuais e penalidade financeira funciona como dissuasor, mas carece de campanhas educativas permanentes para mudança de comportamento.

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Imagem: Divulgação

Casos emblemáticos registrados por imagens aéreas

O episódio que simbolizou a adoção massiva da tecnologia ocorreu em 10 de outubro de 2025. Na data, uma condutora florianopolitana recebeu notificação por “manuseio de telefone com a mão direita”, embora não tenha avistado radares ou viaturas. A identificação se deu unicamente pelas imagens captadas a cerca de 100 metros de altitude. A motorista reconheceu a infração após ser informada do procedimento pelo Detran-SC.

Em abril de 2026, drones flagraram duas situações de risco envolvendo crianças na Via Expressa (BR-282): em uma carreta, uma criança segurava o volante enquanto o motorista consultava o celular; em outro veículo, uma criança viajava no colo de um adulto no banco dianteiro. Por questões de segurança operacional, não houve abordagem imediata, porém os responsáveis foram identificados e multados posteriormente com base nas gravações — evidência considerada irrefutável pelos peritos de trânsito.

A utilização do registro aéreo também se mostra crucial na investigação de sinistros. Imagens captadas momentos antes de colisões permitem reconstituir a dinâmica do acidente, atribuir responsabilidade objetiva e acelerar o processo administrativo — fator que reduz custos judiciais e amplia a efetividade da fiscalização.

Conclusão técnica

A incorporação de drones ao arsenal de fiscalização da Polícia Rodoviária Federal em Santa Catarina demonstrou eficiência mensurável na detecção de infrações correlacionadas ao uso de dispositivos móveis e ao transporte irregular de passageiros. Dados consolidados apontam queda gradual nos índices de acidentes em trechos monitorados, embora o volume absoluto ainda preocupe especialistas. A expectativa institucional é expandir a frota aérea, refinar algoritmos de georreferenciamento e promover intercâmbio técnico com outros estados até o final de 2026, mantendo foco na redução de sinistros e no fortalecimento da cultura de segurança viária.