Rob Livingstone, ex-CFO da Visa América do Norte, assumirá a diretoria financeira do Nubank a partir de julho, sucedendo Guilherme Lago em um momento de maior escrutínio sobre crédito e rentabilidade no setor bancário brasileiro.
Trajetória do novo executivo e razões para a escolha
Com mais de 30 anos de experiência em instituições de pagamento e bancos de grande porte, Rob Livingstone construiu carreira focada em disciplina financeira e integração de operações globais. Entre 2020 e 2024, liderou a unidade norte-americana da Visa, responsável por aproximadamente US$ 4 trilhões em volume anual de pagamentos, além de supervisionar iniciativas de eficiência que reduziram custos operacionais em 12 %. Antes disso:
- Visa Europa (2016-2020) – Conduziu a harmonização contábil pós-aquisição, elevando o índice de retorno sobre o patrimônio de 15 % para 20 %.
- Capital One (1998-2016) – Atuou em gestão de risco de crédito no Canadá e nos Estados Unidos, liderando carteiras superiores a US$ 80 bi.
- Visa Global (2012-2014) – Chefiou relações com investidores, estruturando captações que totalizaram US$ 5 bi.
Fontes próximas à fintech indicam que a seleção priorizou três critérios: sólida vivência em mercados regulados, conhecimento profundo de pagamentos digitais e capacidade de diálogo com investidores internacionais. Esses pontos convergem com a atual ambição do Nubank de ampliar presença em México, Colômbia e, futuramente, na região andina.
Contexto financeiro do Nubank e desafios imediatos
No 1.º trimestre de 2026, o Nubank registrou:
- Lucro líquido: US$ 292 mi – Crescimento de 15 % em relação ao mesmo período de 2025.
- Nível de inadimplência acima de 90 dias: 5,2 % – Alta de 0,6 p.p. sobre o trimestre anterior.
- Provisões para perdas: US$ 430 mi – Avanço motivado principalmente por crédito pessoal.
A despeito do resultado positivo, as ações listadas na NYSE acumulam retração de 23 % no ano, reflexo de receios sobre aumento de juros no Brasil e deterioração da qualidade da carteira. A substituição no comando financeiro se dá em cenário em que:
- Reguladores debatem limites prudenciais específicos para bancos digitais.
- Concorrentes locais reforçam estruturas de funding para sustentar crescimento.
- Investidores buscam sinais de rentabilidade sustentável e de expansão orgânica.
Potenciais impactos para clientes e investidores
Especialistas do mercado apontam cinco frentes onde a chegada de Livingstone pode gerar efeitos tangíveis:
Imagem: Internet
- Disciplina de custos: previsão de ganhos de eficiência que podem reduzir o cost-to-income em até 2 p.p. em 18 meses.
- Modelagem de crédito: adoção de métricas de risco utilizadas na Visa, com foco em previsibilidade de fluxo de pagamentos.
- Expansão internacional acelerada: capitalização de experiência na América do Norte para replicar produtos de alto tíquete no México e na Colômbia.
- Novo portfólio de cartões premium: possível lançamento de linha vinculada a parcerias globais, ampliando receita de interchange.
- Relacionamento com o mercado de capitais: maior proximidade com investidores institucionais dos Estados Unidos, fator considerado chave para mitigar volatilidade das ações.
Transição de liderança e continuidade interna
Guilherme Lago, que ocupava o cargo de CFO desde 2021, permanecerá como advisor nos comitês de risco e gestão. Durante sua gestão, o Nubank:
- Concluiu IPO avaliado em US$ 41,5 bi.
- Elevou a base de clientes de 48 mi para 93 mi.
- Reportou o primeiro lucro anual da história (2024).
A manutenção de Lago em instâncias estratégicas visa garantir continuidade operacional e transferência de conhecimento, reduzindo eventuais rupturas na cultura financeira da companhia.
Conclusão Técnica
A indicação de Rob Livingstone para a diretoria financeira integra o movimento do Nubank de fortalecer governança, mitigar riscos de crédito e sustentar a expansão fora do Brasil. A combinação da expertise do novo CFO em pagamentos globais com a permanência de Guilherme Lago como conselheiro sugere uma transição planejada, alinhada à exigência de maior robustez regulatória e à expectativa dos investidores por resultados consistentes. O mercado deve monitorar, nos próximos trimestres, a evolução dos índices de inadimplência, a eficiência operacional e o ritmo de lançamento de produtos internacionalizados, indicadores que confirmarão ou não o êxito dessa mudança na estrutura de liderança.



