Figueirense reage com formação ofensiva e vence o Paysandu por 2 a 1 na Série C

Figueirense superou o Paysandu por 2 a 1, na noite de 1.º de junho, no Estádio Orlando Scarpelli, após reestruturação tática que colocou dois atacantes de referência em campo e garantiu a virada ainda na etapa final.

Reconfiguração tática eleva presença ofensiva

O técnico Raul Cabral alterou o desenho habitual do Figueirense, aproximando a equipe de um 4-3-3. As novidades foram os atacantes Lucas Alves e Emerson Galego atuando lado a lado, além da entrada de Zé Carlos pelo corredor direito. A estratégia retirou Gui Vieira do time titular e aumentou a ocupação da área adversária. Com dois homens de referência, o Alvinegro priorizou bolas alçadas, disputa pela segunda bola e pressão imediata na saída do adversário, aspectos que haviam sido limitados em compromissos anteriores.

Apesar do novo ímpeto, os minutos iniciais foram controlados pelo Paysandu. O clube paraense, modificado em relação às rodadas anteriores, intensificou a marcação e limitou a construção catarinense. A estatística de posse de bola dos primeiros 15 minutos indicou 54 % para o visitante, reflexo da dificuldade do Figueirense em progredir pelo centro.

Primeiro tempo marcado por erros individuais e reação rápida

Aos 27 min de jogo, um equívoco de decisão do goleiro Igor Gabriel originou o gol bicolor. A falha gerou vantagem temporária ao Paysandu, mas também desencadeou aumento substancial na agressividade alvinegra. As finalizações passaram de três para nove entre o 30.º e o 45.º min, segundo levantamento interno do clube.

O empate veio em cobrança de escanteio aos 39 min, convertida por Lucas Alves. Na sequência, o Figueirense teve gol anulado por impedimento milimétrico confirmado pelo assistente. Já nos acréscimos, Emerson Galego perdeu chance clara cara a cara com o goleiro Gabriel Mesquita. Ainda assim, a tendência de domínio ofensivo se consolidava: 16 duelos vencidos no campo de ataque contra 8 do Paysandu e índice de 68 % de ações ofensivas pelo lado esquerdo, setor explorado por Arthur Henrique.

Superioridade numérica decide a virada no segundo tempo

O cenário ficou favorável ao Figueirense aos 44 min da etapa inicial, quando o volante Pedro Henrique recebeu o segundo cartão amarelo. Na volta do intervalo, a equipe repetiu panorama recente contra o Itabaiana: ataque organizado contra defesa fechada.

Para destravar o bloqueio, Raul Cabral promoveu as entradas de Dudu e Renan Areias. A dupla aumentou a circulação de bola, elevou a taxa de passes certos no terço final para 82 % e diminuiu a previsibilidade das jogadas. Entre 10 e 25 min, o Alvinegro executou 12 finalizações; cinco delas obrigaram intervenções de Gabriel Mesquita. Mesmo assim, a bola teimava em não ultrapassar a linha.

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Imagem: Patrick Floriani

A insistência foi recompensada aos 33 min da etapa complementar. Após bate-rebate dentro da área, Emerson Galego empurrou para as redes e decretou a virada. O atacante, que já havia desperdiçado duas oportunidades, alcançou o quarto gol na competição e se isolou como artilheiro da equipe. No total, o Figueirense finalizou 23 vezes – maior número da temporada – contra 5 do Paysandu, que permaneceu retraído até o apito final.

Destaques individuais influenciam desempenho

Arthur Henrique retornou à lateral esquerda após período de ausência e mostrou versatilidade ofensiva, somando quatro cruzamentos certos e duas interceptações defensivas. No lado oposto, Zé Carlos completou 90 % dos passes e serviu como ponto de apoio para inversões de jogo. Na defesa, João Paulo venceu 7 de 8 duelos aéreos, mantendo estabilidade mesmo com exposição maior da linha defensiva.

No meio-campo, Renan Areias registrou 92 % de acerto nos passes, estatística que contribuiu para a manutenção da posse e diminuição dos contra-ataques adversários. Já Dudu realizou três desarmes e acelerou as transições, fatores determinantes para o aumento do volume ofensivo.

Perspectivas para as próximas rodadas

Com a vitória, o Figueirense alcançou 14 pontos em nove jogos e subiu provisoriamente para a sexta colocação da Série C. A equipe terá duas semanas de intervalo antes do confronto com o Floresta, marcado para 14 de junho, também no Orlando Scarpelli. A pausa permitirá à comissão técnica recuperar atletas em processo de recondicionamento físico, como Nicolas e Marcelinho, além de aprofundar ajustes defensivos observados como prioritários pelo departamento de análise.

Conclusão técnica: a reestruturação tática implementada por Raul Cabral demonstrou impacto imediato na produção ofensiva, refletida no maior número de finalizações e no aproveitamento de bolas paradas. A superioridade numérica facilitou a virada, mas a eficácia nas conclusões ainda requer evolução, dada a taxa de conversão de apenas 8,7 %. A agenda sem jogos oficiais oferece ambiente propício para consolidar o modelo 4-3-3, recuperar atletas lesionados e trabalhar variações que sustentem o ritmo apresentado contra o Paysandu nas próximas rodadas da Série C.