Flávio Bolsonaro desassocia imagem de Ciro Nogueira, critica vínculo do Banco Master ao PT e projeta disputa presidencial de 2026

Entrevistado após a pré-estreia de um documentário em 8 de março de 2024, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou não manter relação próxima com o também senador Ciro Nogueira (PP), desejou-lhe “sorte” diante da investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e aproveitou para questionar supostos vínculos do Banco Master com integrantes do governo Lula, além de projetar sua própria candidatura ao Planalto em 2026.

Investigação sobre Ciro Nogueira e posicionamento de Flávio Bolsonaro

Alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da operação Compliance Zero, Ciro Nogueira enfrenta acusações de corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público Federal, os desvios podem superar R$ 7 milhões, montante que teria transitado por empresas de fachada vinculadas ao parlamentar.

Diante do caso, Flávio Bolsonaro negou ter convidado Nogueira para compor eventual chapa como vice-presidente e declarou confiar no relator sorteado para o processo. O caso está nas mãos do ministro André Mendonça, designado pelo STF em 7 de março. O senador afirmou: “E que ele tenha sorte de responder a um relator que não vai sacaneá-lo como Alexandre de Moraes fez com o presidente Bolsonaro, um relator sério como o André Mendonça”.

Embora manifeste solidariedade institucional, Flávio ressaltou que cada investigado deve responder individualmente pelos próprios atos, reforçando tentativa de blindagem de imagem em meio a processos criminais envolvendo figuras do entorno bolsonarista.

Banco Master, Ricardo Lewandowski e críticas à gestão Lula

Na mesma entrevista, o parlamentar associou o Banco Master ao Partido dos Trabalhadores (PT). A instituição, segundo ele, teria repassado valores “vultosos” ao escritório de advocacia do filho do ministro Ricardo Lewandowski pouco antes de o magistrado assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em 1º de fevereiro de 2024. Não foram apresentados documentos durante a declaração, mas Flávio sintetizou o argumento com a frase: “O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula.”

De acordo com o Banco Central, o Banco Master possui ativos totais de R$ 34,6 bilhões (balanço de dezembro de 2023) e figura entre as vinte maiores instituições financeiras do país. A suposta relação política não é objeto de investigação formal, mas o senador defende abertura de apurações pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo próprio Ministério da Justiça, agora chefiado por Lewandowski.

Flávio ampliou as críticas ao governo ao avaliar a estratégia de segurança pública. Mencionou a ausência de decreto que classifique facções como Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas e atribuiu ao presidente Lula a manutenção de “gestos” a eleitores ligados ao crime organizado.

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Imagem: Beatriz Rohde

Lula, Trump e projeções eleitorais para 2026

A entrevista também abordou o encontro entre Lula e o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorrido na Casa Branca em 5 de março de 2024. Para Flávio, a reunião não altera o cenário interno brasileiro: “Os problemas do Brasil serão resolvidos pelos brasileiros”, declarou, descartando buscar apoio explícito de Trump em eventual campanha.

O senador reforçou a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto, afirmando que o “prazo de validade” do atual governo termina em 1º de janeiro de 2027. Na fala, dirigiu-se a integrantes de facções: “Ou vocês deixam o país, ou serão presos ou neutralizados pela polícia.”

Nos bastidores, aliados estimam que a confirmação da candidatura de Flávio ocorrerá até agosto de 2025, marco-limite para filiações partidárias e coligações. Pesquisas internas do PL apontam que o sobrenome Bolsonaro mantém aproximadamente 25 % das intenções de voto espontâneas, segundo levantamento realizado em fevereiro por instituto privado citado pela campanha, mas ainda não divulgado publicamente.

Conclusão Técnica

As declarações de Flávio Bolsonaro sinalizam uma estratégia dupla: distanciamento preventivo de aliados sob investigação, como Ciro Nogueira, e atribuição de possíveis irregularidades financeiras a figuras ligadas ao governo Lula, exemplificadas pelo Banco Master e pelo ministro Ricardo Lewandowski. A postura visa preservar capital político para 2026, consolidando narrativa de combate à corrupção e ao crime organizado. No curto prazo, o andamento do inquérito no STF sob relatoria de André Mendonça e eventuais apurações envolvendo o Banco Master definirão o ritmo das controvérsias. Qualquer avanço processual poderá impactar alinhamentos partidários no Congresso e o calendário eleitoral do próximo biênio, mantendo o tema na agenda nacional.