Flávio Bolsonaro afirma que “Trump não se mete aqui” e direciona críticas ao governo Lula durante evento de pré-lançamento de filme sobre Jair Bolsonaro em Florianópolis
Declaração sobre Donald Trump sinaliza distância entre o ex-presidente norte-americano e o cenário eleitoral de 2026
Em 8 de março de 2024, pouco após deixar o auditório onde ocorria o pré-lançamento do documentário sobre Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro reagiu a especulações de que Donald Trump estaria se aproximando de Luiz Inácio Lula da Silva. Questionado pela imprensa, o parlamentar declarou que “quem tem que resolver os problemas do Brasil somos nós, brasileiros” e completou: “Trump não se mete aqui”. A frase refuta a narrativa de uma suposta ingerência norte-americana nas eleições presidenciais brasileiras de 2026, ano em que Flávio se apresenta como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
Historicamente, o alinhamento entre Bolsonaro e Trump marcou o período 2019–2020, com convergência em pautas econômicas e climáticas. Contudo, a fala atual indica que, para a campanha conservadora de 2026, a estratégia passa por enfatizar soberania nacional e minimizar qualquer percepção de tutela externa.
Segurança pública: senador acusa governo de leniência com PCC e CV
No mesmo pronunciamento, Flávio Bolsonaro acusou o governo Lula de perder a oportunidade de endurecer o combate ao crime organizado. Segundo ele, o Planalto “falhou ao não avançar em medidas contra as facções PCC e Comando Vermelho”. A crítica ocorre em meio ao crescimento de indicadores de violência registrados por institutos independentes: levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra alta de 3,4 % nos homicídios em 2023 após quatro anos de queda.
O senador também relacionou a gestão federal ao sistema financeiro ao declarar: “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. A menção ao Banco Master surge após reportagens ligarem executivos da instituição a repasses de campanha investigados pelo Tribunal Superior Eleitoral. O Palácio do Planalto nega relação direta com o banco.
Ciro Nogueira: investigações e aliados sob pressão
Outro ponto da entrevista tratou da operação que atinge o presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do parlamentar no início de março. Flávio classificou as acusações como “graves”, mas rechaçou tentativa de vinculação pessoal ao caso, argumentando que “as pessoas não podem responder pelos atos de terceiros”.
Apesar do distanciamento retórico, o senador desejou “sorte” a Nogueira e elogiou o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do processo. Ao mesmo tempo, reiterou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem atribui condução injusta na ação penal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Evento em Florianópolis reforça base conservadora e projeta 2026
O pré-lançamento do filme sobre Jair Bolsonaro, realizado no Centro de Eventos Paradigma, reuniu cerca de 1 500 apoiadores, segundo estimativa da organização. Além da presença de parlamentares estaduais e federais do PL, o ato contou com exposições de peças usadas em campanhas de 2018 e 2022, além de trechos exclusivos do documentário.
Imagem: Beatriz Rohde
Santa Catarina foi escolhida por registrar, na última eleição presidencial, 69,27 % dos votos válidos para Bolsonaro no segundo turno, percentual mais alto entre todos os estados. A campanha avalia o território como estratégico para impulsionar a pré-candidatura de Flávio e testar narrativa que associa conservadorismo a desenvolvimento econômico regional.
Durante o evento, o senador confirmou que a defesa do pai ingressou com ação de revisão criminal no Supremo. O objetivo é anular condenações ligadas às rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Advogados alegam ausência de imparcialidade na fase investigatória.
Repercussão internacional e possíveis desdobramentos
A fala sobre Trump ecoou em agências estrangeiras, mas consultores em relações internacionais avaliam interferência mínima na diplomacia bilateral. Desde 2021, a Casa Branca, agora sob administração democrata, adota foco em transições energéticas e preservação da Amazônia, agenda parcialmente retomada pelo governo Lula. Analistas indicam que eventual retorno de Trump ao poder, nas eleições norte-americanas de novembro de 2024, pode reabrir canal direto com forças conservadoras brasileiras, mas sem compromisso público de apoio eleitoral.
Na seara interna, a citação às facções reacende debate sobre o Projeto de Lei 3 723/2019, que flexibiliza acesso a armamentos e travou no Senado durante a pandemia. Lideranças governistas prometem apresentar substitutivo focado em rastreabilidade de munição, enquanto a oposição pressiona por votação nominal ainda neste semestre.
Conclusão Técnica
As declarações de Flávio Bolsonaro em Florianópolis reforçam três frentes de atuação para a base conservadora: 1) diferenciar-se de Lula em segurança pública e finanças; 2) blindar aliados envolvidos em inquéritos; e 3) minimizar dependência de apoios externos, sobretudo de Donald Trump. No curto prazo, a repercussão deve concentrar-se no andamento das investigações contra Ciro Nogueira e no julgamento da revisão criminal de Jair Bolsonaro. Já para o ciclo eleitoral de 2026, a estratégia sinaliza campanha centrada em soberania nacional e endurecimento contra o crime organizado, aguardando definições do cenário político-judicial e dos resultados das eleições norte-americanas de 2024.



