Haitianos retidos em Viracopos foram liberados no fim da tarde deste sábado (14) depois de permanecerem 55 horas sob custódia no Aeroporto Internacional de Campinas (SP). Dos 118 passageiros que chegaram na quinta-feira (12) em um voo fretado, 97 ainda aguardavam análise migratória até às 16h49, quando receberam visto de acolhimento humanitário e puderam sair do terminal.
A ação foi coordenada pela Polícia Federal (PF), que realizou um mutirão para cadastrar os estrangeiros como solicitantes de refúgio. Com a documentação provisória, eles seguiram para residências de familiares e amigos em diversas partes do Brasil.
Haitianos retidos em Viracopos deixam terminal após 55h
O grupo havia ficado dez horas dentro da aeronave antes de ser levado a uma sala restrita do aeroporto. A retenção ocorreu porque a PF identificou 113 vistos de reunião familiar considerados falsos, abrindo investigação por imigração irregular e suspeita de falsificação de documentos.
Mutirão da PF garante visto humanitário
Desde as 9h de sábado, agentes federais, Defensoria Pública da União e representantes do ACNUR cadastraram os passageiros no sistema Sisconare. O procedimento permitiu a emissão de visto de acolhimento humanitário, status que autoriza a entrada legal e possibilita o pedido formal de refúgio.
Segundo nota da PF, “o registro migratório e o processamento da entrada foram realizados na condição de solicitantes de refúgio”. A corporação informou que continuará investigando a origem dos vistos falsificados.
Entenda por que os haitianos foram impedidos de desembarcar
Logo após o pouso, a verificação de passaportes apontou irregularidades nos vistos apresentados. Pelas normas internacionais, a companhia aérea seria responsável por retornar os passageiros ao local de origem. Porém, questões operacionais mantiveram a aeronave no pátio até o início da noite, quando os imigrantes foram acomodados em cadeiras e colchões dentro do terminal.
Crise no Haiti incentiva fluxo migratório
O Haiti enfrenta instabilidade política, escalada de violência de gangues e grave crise econômica. A ONU classifica a situação como uma das piores emergências humanitárias atuais, o que tem ampliado o número de haitianos que buscam refúgio no exterior. De acordo com a PF, Viracopos já recebe em média três voos fretados por semana, com cerca de 600 passageiros vindos do país caribenho.

Imagem: Reprodução/Internet
Próximos passos para os solicitantes
Com o visto de acolhimento, os haitianos podem permanecer no Brasil enquanto aguardam a análise definitiva do pedido de refúgio. O processo inclui entrevistas individuais e checagem de antecedentes. Caso aprovado, o status de refugiado garante acesso a documentos brasileiros, trabalho formal e programas de integração.
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O desembarque dos 97 haitianos encerrou um impasse de mais de dois dias e marcou a primeira operação da Aviatsa, companhia com sede em Honduras, transportando refugiados para território brasileiro.
Com informações de G1