Um projeto-piloto conduzido por Banco Central do Brasil e UnionPay International passou a permitir que visitantes chineses paguem compras no País por meio de QR Codes do Pix, enquanto os estabelecimentos recebem em reais, reduzindo barreiras cambiais e operacionais a partir de agosto de 2026.
Primeiros passos da cooperação financeira Brasil–China
Em maio de 2025, Banco Central do Brasil e Banco Popular da China assinaram um memorando de entendimento que ampliou a cooperação em infraestrutura de pagamentos. A medida abriu caminho para conectar o Pix, plataforma de pagamentos instantâneos usada por mais de 150 milhões de brasileiros, à UnionPay, rede presente em mais de 180 países. A fase inicial do piloto — divulgada oficialmente em agosto de 2026 — foca no público chinês que viaja ao Brasil, permitindo que aplicativos bancários compatíveis com a UnionPay leiam QR Codes padronizados do Pix.
Fluxo operacional da transação em cinco etapas
O mecanismo de liquidação mantém a experiência cotidiana do comerciante local e adiciona uma camada internacional para o pagador estrangeiro:
- Cobrança – O lojista exibe o QR Code estático ou dinâmico do Pix.
- Leitura – O visitante chinês escaneia o código por meio de aplicativo vinculado à UnionPay.
- Iniciação – A infraestrutura conectada à rede chinesa cria a ordem de pagamento instantâneo.
- Câmbio integrado – A conversão de renminbi para real ocorre durante o processamento, segundo taxas definidas entre as instituições liquidadoras.
- Liquidação – O comerciante recebe em reais na conta bancária nacional em até 10 segundos, seguindo a premissa do Pix.
Benefícios para consumidores, varejo e ecossistema financeiro
Entre as vantagens mapeadas por UnionPay International e Banco Central do Brasil destacam-se:
- Acesso imediato a 15 milhões de pontos de venda que já aceitam Pix.
- Redução da dependência de cédulas ou cartões internacionais por parte do turista.
- Experiência familiar ao usuário chinês, habituado a pagamentos por QR Code.
- Incremento de receitas para restaurantes, hotéis, comércio varejista e serviços turísticos, que passam a atender um público estrangeiro com o mesmo terminal Pix.
- Custos operacionais menores em comparação às taxas tradicionais de adquirência internacional.
Cronograma de expansão e parâmetros regulatórios
Segundo técnicos do Banco Central, a integração será monitorada em ciclos trimestrais para avaliar segurança, estabilidade e volume transacional. A expectativa é adicionar novas carteiras digitais asiáticas ao arranjo a partir do primeiro semestre de 2027. Critérios de adesão incluem:
Imagem: Internet
- Conformidade com as regras de pagamentos instantâneos do Sistema Financeiro Nacional.
- Adequação às normas de prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
- Compatibilidade com as diretrizes de proteção de dados pessoais previstas na LGPD.
Desdobramentos previstos para o comércio eletrônico
Embora o piloto se concentre em transações presenciais, provedores de gateway já testam a possibilidade de gerar links de pagamento Pix que possam ser liquidados por usuários UnionPay em plataformas virtuais. Caso validada, a solução poderá favorecer exportadores brasileiros de bens de consumo — principalmente moda, cosméticos e alimentos — que buscam consumidores na China sem montar estrutura de recebimento fora do País.
Conclusão Técnica
A conexão entre Pix e UnionPay International sinaliza avanço consistente na interoperabilidade de sistemas de pagamentos instantâneos. Ao permitir que turistas chineses paguem via QR Code conhecido e que comerciantes brasileiros recebam em moeda local, o piloto reduz custos, amplia a inclusão financeira de visitantes estrangeiros e potencializa receitas no setor de turismo. Próximas etapas envolverão validação de volume, análise de risco operacional e possível adesão de novas carteiras asiáticas a partir de 2027, mantendo o Pix no centro da estratégia de internacionalização de pagamentos do Brasil.




