O Banco Inter iniciou a implantação de acesso às suas salas VIP e de novos mecanismos de autenticação por meio de wearables com tecnologia NFC passiva, incorporando anéis, pulseiras e relógios a um ecossistema que promete unificar pagamentos, identificação e serviços de viagem em um único dispositivo.
Linha de dispositivos e especificações técnicas
Apresentada em junho de 2026, a primeira geração de wearables do Inter contempla três produtos:
- Inter Ring – anel cerâmico ou metalizado, já comercializado por R$ 465 e R$ 485, respectivamente;
- Inter Wristband – pulseira de silicone ao custo de R$ 349;
- Inter Watch – relógio inteligente em fase de desenvolvimento com lançamento previsto para o segundo semestre de 2027.
Todos os modelos utilizam chip NFC passivo capaz de operar sem bateria, dispensando carregamento ou pareamento constante com o smartphone após a ativação inicial no Super App. A integração com a rede contactless permite transações tokenizadas em conformidade com os protocolos EMVCo.
Identidade digital e acesso a salas VIP
Além de pagamentos por aproximação, o Inter confirmou a liberação gradual do acesso a suas salas VIP exclusivas mediante simples aproximação do anel ou pulseira nos totens de entrada. O recurso entra em operação piloto nos aeroportos de Guarulhos (GRU) e Confins (CNF) no quarto trimestre de 2026, com expansão para demais lounges ao longo de 2027.
Na prática, o wearable passa a funcionar como credencial física de identidade digital, eliminando a necessidade de cartão de embarque, cartão plástico do banco ou smartphone. O banco planeja estender a mesma lógica para:
- Check-in automático em hotéis parceiros via sistemas compatíveis com MIFARE;
- Acesso a quartos de redes hoteleiras integradas;
- Retirada de veículos em locadoras vinculadas ao programa de fidelidade;
- Ingressos tokenizados para shows, festivais e eventos esportivos.
Com essas integrações, o dispositivo assume papel central em um ecossistema que une conveniência e mobilidade, aproximando-se de modelos já observados em mercados asiáticos e na União Europeia.
Camadas de segurança e autenticação reforçada
Os wearables também serão utilizados como terceiro fator de autenticação (3FA) em operações bancárias classificadas como sensíveis. Entre os cenários confirmados estão:
- Pix com valores superiores ao limite diário configurado pelo cliente;
- Transferências realizadas fora do padrão comportamental identificado pelo motor de risco;
- Alterações cadastrais consideradas críticas, como mudança de endereço ou inclusão de novos dispositivos.
Nesses casos, o usuário deverá aproximar o anel ou a pulseira do smartphone para validar a transação, complementando biometria e senha. Segundo o Inter, o processo emprega criptografia dinâmica e tokenização de dados, reduzindo dependência de SMS e e-mail, vetores frequentes de fraude.
Imagem: Internet
Em situação de perda ou roubo, o bloqueio é efetuado diretamente no aplicativo, sem necessidade de cancelamento do cartão principal. A medida isola o risco e mantém a continuidade das operações em outros meios de pagamento.
Impacto no mercado e próximos movimentos
Com os preços a partir de R$ 349, o Inter posiciona seus wearables como solução de entrada para clientes interessados em pagamentos por aproximação. O diferencial, contudo, reside na estratégia de transformar o dispositivo em chave universal para acessos físicos e digitais, tendência refletida em pesquisas da ABI Research que projetam crescimento anual composto de 13 % para credenciais portáteis até 2030.
Dados internos do banco indicam que 64 % dos clientes que frequentam salas VIP realizam, em média, cinco viagens aéreas por ano. A adoção do anel ou pulseira como credencial pode reduzir em até 30 s o tempo médio de entrada nesses lounges, otimizando fluxos em horários de pico.
No segmento corporativo, a compatibilidade com MIFARE viabiliza parcerias para controle de acesso a edifícios comerciais e campi universitários, ampliando o alcance da solução além do ambiente financeiro.
Conclusão técnica
A incorporação de wearables ao portfólio do Inter avança de funcionalidades isoladas de pagamento para um modelo de identidade digital multifinalitária. A liberação do acesso às salas VIP já em curso, aliada à perspectiva de integrações com hotéis, locadoras e eventos, sinaliza convergência entre serviços bancários, mobilidade e experiências de viagem. A continuidade desse cronograma, prevista para 2027, deverá consolidar o dispositivo como elemento central na estratégia de conveniência e segurança da instituição, acompanhando a evolução global dos meios de autenticação portátil.




