Mastercard determinou que, a partir de julho de 2026, somente portadores de cartões Black com faturamento mínimo de R$ 15.000,00 no trimestre terão acesso gratuito às salas Mastercard Airport Proprietary VIP Lounge e Mastercard Black Lounge, localizadas no Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos; a medida, válida para todos os emissores, busca conter a superlotação verificada nos horários de pico.
Detalhes operacionais da nova exigência
A nova política de acesso foi estruturada pela própria Mastercard e repassada de forma padronizada a bancos, fintechs e cooperativas. Os pontos centrais são:
- Faturamento mínimo trimestral: R$ 15.000,00 somando as faturas fechadas dos últimos três meses.
- Integração de gastos: Despesas do cartão titular e de todos os adicionais são consolidadas no mesmo cálculo.
- Carência inicial: Cartões emitidos há menos de seis meses mantêm isenção automática, independentemente do volume de transações.
O controle de elegibilidade será realizado pelo sistema da bandeira, que identificará automaticamente se o montante exigido foi atingido antes de autorizar a gratuidade no check-in do lounge. Caso a meta não seja alcançada, o portador poderá, ainda assim, acessar o espaço mediante pagamento integral da tarifa vigente.
Instituições financeiras abrangidas
Como a alteração é de âmbito transversal, todos os emissores brasileiros que oferecem a variante Black estão incluídos. Entre os principais, destacam-se:
- Cooperativas de crédito: Uniprime (vigência em 01/07/2026) e Sisprime.
- Bancos digitais e fintechs: C6 Bank, PicPay, RecargaPay e Genial Corretora.
- Bancos tradicionais e seguradoras: Bradesco, BTG Pactual, Porto e demais emissores do portfólio Black.
As instituições atuam apenas como canal de comunicação com a base de clientes; a definição da cobrança, dos critérios de elegibilidade e das exceções permanece sob responsabilidade exclusiva da bandeira.
Âmbito geográfico e diferenças de programa
A restrição incide exclusivamente sobre as duas salas VIP administradas pela Mastercard no Terminal 3 de GRU Airport. Lounges operados por terceiros — como LoungeKey e DragonPass — continuam sujeitos às políticas comerciais de cada banco, sem a obrigatoriedade do gasto trimestral fixado pela bandeira. Dessa forma:
Imagem: Internet
- Localização afetada: Terminal 3, área internacional, próximo aos portões de embarque.
- Serviços preservados: Acesso via programas independentes (LoungeKey ou DragonPass) em outras salas do aeroporto permanece inalterado.
- Escopo da mudança: Nenhum outro aeroporto brasileiro conta, até o momento, com salas proprietárias da Mastercard; portanto, não há impacto fora de Guarulhos.
Com a adoção de um critério financeiro, a companhia pretende filtrar o fluxo de frequentadores habituais, reduzindo as filas que, segundo relatos de múltiplos emissores, ultrapassavam 30 minutos nos picos de voos internacionais.
Motivações e tendências do mercado de lounges
O ajuste imposto pela Mastercard reflete um movimento global de gerenciamento de capacidade em ambientes de alto trânsito aeroportuário. Relatórios da consultoria Airline Passenger Experience Association (APEX) indicam que, entre 2019 e 2023, o volume de usuários de salas VIP no segmento premium cresceu 47 %, impulsionado pela popularização de cartões de alta renda e pelos programas de benefícios vinculados às plataformas de pagamento. Em Guarulhos, maior hub internacional do país, a demanda concentra-se nos horários noturnos, quando partem a maioria dos voos intercontinentais.
Especialistas do setor apontam que estabelecer uma barreira de consumo trimestral segmenta a base de clientes e redistribui o fluxo, sem penalizar titulares recém-adquiridos — contemplados pela carência de seis meses — e sem depender de intervenções físicas de expansão de área, que exigiriam obras complexas em ambiente aeroportuário restrito.
Conclusão técnica
A política de gasto mínimo trimestral de R$ 15.000,00 implementada pela Mastercard passa a ser condição determinante para a gratuidade de acesso às salas VIP da bandeira no Terminal 3 do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A resolução, de vigência ampla entre bancos emissores, foi concebida para mitigar a superlotação registrada nos últimos anos. O cenário indica que portadores de cartões Black deverão adequar seu padrão de uso ou arcar com a tarifa de entrada, enquanto instituições financeiras permanecerão como meras comunicadoras da regra. A tendência de adoção de critérios financeiros para acesso a lounges sugere, no curto e médio prazos, novos ajustes alinhados à capacidade operacional e à demanda dos principais hubs aeroportuários.




