MDB celebra 60 anos na Alesc e projeta novas lideranças para a disputa de 2026

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina realizou, em 1º de julho de 2024, uma sessão especial que marcou os 60 anos do MDB, reunindo figuras históricas e atuais da sigla e evidenciando o desafio de formar novas lideranças para a eleição estadual de 2026.

Trajetória do MDB catarinense: de protagonista estadual a peça de coalizão

Fundado durante o regime militar, o Movimento Democrático Brasileiro consolidou-se como uma das siglas mais influentes de Santa Catarina entre as décadas de 1980 e 2000. Ao longo desse período, elegeu governadores, senadores e presidiu a Alesc, além de acumular base expressiva em prefeituras e câmaras municipais. No entanto, o cenário político atual demonstra uma redução do protagonismo estadual: para a próxima disputa ao governo, o partido aceitou a condição de vice na coligação com PSD, União Brasil e Progressistas, sinalizando mudança estratégica em relação às eleições passadas.

A composição prevê Carlos Chiodini, deputado federal e presidente estadual da sigla, como vice do ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues (PSD). Enquanto isso, o deputado estadual Volnei Weber deve ocupar a primeira suplência ao Senado. As definições finais dependem das convenções partidárias programadas para julho e agosto de 2026, mas os articuladores tratam o arranjo como “caminho natural”.

Sessão comemorativa: homenagens, ausências e recado interno

O Plenário Deputado Osni Régis permaneceu lotado durante toda a solenidade. Entre os presentes estavam os ex-governadores Raimundo Colombo e Eduardo Pinho Moreira, além do senador Esperidião Amin. Dois ex-presidentes da República filiados ao partido, Michel Temer e José Sarney, enviaram vídeos de saudação. Também foram lembrados em memória Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner e Luiz Henrique da Silveira.

Apesar da divulgação prévia da chapa, a ausência de João Rodrigues foi notada pelos participantes. Internamente, o episódio reforçou a necessidade de alinhamento público entre as legendas parceiras para evitar ruídos na fase de pré-campanha. O proponente da sessão, deputado Mauro de Nadal, destacou que a cerimônia “reconhece seis décadas de contribuição democrática”, enquanto sinaliza a importância de renovar quadros.

Força municipal e gargalos para 2026

Embora permaneça com uma das maiores redes de diretórios municipais do Estado, o MDB não apresentou nome competitivo para a cabeça de chapa em 2026. O diagnóstico interno aponta três fatores principais:

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Imagem: Arliss Amaro

  • Fragmentação de líderes regionais após sucessivas disputas internas.
  • Escassez de filiados com alta taxa de conhecimento estadual, capazes de rivalizar com figuras emergentes de outras siglas.
  • Mudanças no financiamento eleitoral, que exigem maior capilaridade digital — área onde a legenda busca atualização.

Para mitigar tais gargalos, o partido iniciou uma agenda de visitas aos diretórios conduzida por Carlos Chiodini, focada em capacitar pré-candidatos e ampliar a presença em redes sociais. Paralelamente, nomes como Thiago Zilli defendem “retomar o contato permanente com as ruas” para reconstruir empatia junto ao eleitorado.

Operação externa: veículos guinchados e repercussão

Enquanto as homenagens ocorriam, a Guarda Municipal de Florianópolis promoveu a remoção de vários carros estacionados na Travessa Siríaco Atherino, em frente à sede do Legislativo. Pelo menos um participante do evento teve o automóvel levado ao pátio de recolhimento em Barreiros, São José. O fato provocou desconforto entre convidados e gerou críticas à organização logística. O presidente da Câmara Municipal, João Cobalchini, solicitou a suspensão dos guinchos, mas seu pedido não foi atendido.

Apesar do contratempo externo, a sessão seguiu sem interrupções internas e concluiu a pauta de homenagens dentro do tempo previsto.

Conclusão técnica e próximos passos

O ato que celebrou os 60 anos do MDB em Santa Catarina reforçou o capital histórico do partido, mas também evidenciou a dependência de alianças para manter relevância no cenário estadual. Com a cabeça de chapa cedida ao PSD, caberá ao vice Carlos Chiodini tornar-se figura de projeção até 2026, enquanto a legenda executa um plano de formação de lideranças municipais e intensifica a presença digital. As convenções partidárias do próximo biênio indicarão se a estratégia de coalizão ampliada será suficiente para reconduzir a sigla a posições de comando no Executivo catarinense.