Mili impulsiona Três Barras ao status de polo bilionário do papel tissue no Brasil

Fundada em 1983 e hoje com faturamento de R$ 2,61 bilhões, a fabricante de papel Mili transformou o município catarinense de Três Barras – onde vivem pouco mais de 19 mil habitantes – em um dos centros produtivos mais relevantes do setor de papel tissue na América do Sul, mantendo três plantas industriais, 2,5 mil funcionários e presença em países da América Latina.

Expansão de três décadas sustenta o crescimento bilionário

A Mili iniciou operações em uma antiga fábrica de papéis higiênicos de Três Barras em 1983, criada pelos empreendedores locais Valdemar Lissoni e Vanderlei Micheletto. O portfólio engloba papel higiênico, guardanapos, toalhas de papel, lenços e absorventes. Graças a ganhos de escala consecutivos, a companhia ampliou a capacidade industrial e, ao longo dos anos 1990 e 2000, instalou novas unidades em Curitiba (PR) – atual sede administrativa – e Maceió (AL).

Com investimentos recorrentes em maquinário de alta produtividade, a empresa sustenta hoje capacidade instalada de milhões de rolos mensais e vem registrando taxa média de crescimento anual acima de dois dígitos na última década, segundo dados internos reportados ao mercado. Esse desempenho a colocou na lista Forbes Agro100 2025, que ranqueia as 100 maiores empresas do agronegócio e de base florestal do país.

Efeito multiplicador na economia regional

A planta de Três Barras emprega aproximadamente 1,2 mil trabalhadores diretos, impulsionando cadeias de logística, celulose e serviços no Planalto Norte de Santa Catarina. Somada às contratações indiretas, a operação responde por parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, contribuindo para índices de renda per capita superiores à média de localidades de porte semelhante.

Além do mercado brasileiro, a produção abastece Bolívia, Chile, Paraguai e outros destinos da América Latina. A estratégia de exportação diversifica receitas, reduz risco cambial e amplia o ciclo de demanda para fibras de origem plantada, gerando efeito cascata sobre o setor florestal regional.

Contexto histórico: de palco da Guerra do Contestado a hub industrial

O território hoje ocupado pela fábrica foi um dos epicentros da Guerra do Contestado (1912-1916), confronto que opôs posseiros e forças governamentais em disputa por terras concedidas à companhia ferroviária Brazil Railway. A região, então dividida entre Santa Catarina e Paraná, recebeu grande fluxo de trabalhadores atraídos pela construção da estrada de ferro.

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Imagem: Reprodução

Depois do conflito e da definição de limites interestaduais em 1917, Três Barras consolidou vocação florestal com a chegada da Southern Brazil Lumber & Colonization Company. A disponibilidade de madeira e a infraestrutura viária originada pela ferrovia formaram a base que décadas mais tarde sustentaria a instalação da Mili, conectando o passado de disputa territorial ao presente de prosperidade industrial.

Governança e sustentabilidade em foco

A gestão atual reforça práticas de reflorestamento em ciclos de sete anos, alinhadas a certificações de manejo responsável. A empresa mantém programas de tratamento de efluentes que permitem reuso de até 90 % da água no processo fabril, reduzindo a captação em mananciais locais. No âmbito social, projetos de qualificação profissional e bolsas de estudo atendem jovens de Três Barras, gerando mão de obra especializada para a cadeia de celulose e papel.

Conclusão Técnica

Dados consolidados confirmam que a Mili se tornou o principal vetor econômico de Três Barras, alçando a cidade a destaque nacional no segmento de papel tissue. A combinação de expansão territorial, integração logística e políticas de sustentabilidade sustenta a competitividade da companhia no mercado interno e nas exportações sul-americanas. Para os próximos ciclos, analistas projetam manutenção do ritmo de investimentos em automação e possíveis aquisições de ativos florestais adjacentes, fatores que devem preservar o papel estratégico de Três Barras na cadeia produtiva de papel e celulose do país.