Paciente de 88 anos é declarado morto, mas volta a respirar durante preparo para velório no interior de SP

Um homem de 88 anos declarado morto na Santa Casa de Presidente Bernardes retomou os sinais vitais minutos antes de ter o corpo embalsamado em Presidente Prudente, na noite de 16 de setembro; o episódio mobiliza a Polícia Civil, que investiga possível omissão de socorro e falhas no protocolo de confirmação de óbito.

Atendimento inicial e emissão da declaração de óbito

O paciente ingressou no plantão hospitalar com quadro de insuficiência respiratória aguda e pneumonite por aspiração de sólidos. Segundo boletim do hospital, a condição clínica incluía saturação de oxigênio crítica e necessidade imediata de suporte ventilatório. Após procedimentos de estabilização, a equipe de plantão registrou parada cardiorrespiratória. O protocolo de reanimação cardiopulmonar foi instaurado, mas, conforme relato oficial, não obteve resposta. Às 19h45 foi preenchido o atestado de óbito assinado por uma médica plantonista, citando causas respiratórias como motivo básico do falecimento.

A documentação médica recebeu número de registro no Sistema de Informação de Mortalidade do Estado de São Paulo, permitindo a liberação do corpo à família. Todos os papéis — atestado, guia de sepultamento e liberação do Serviço de Verificação de Óbito — foram encaminhados à funerária responsável.

Transporte do corpo e constatação de sinais vitais

O traslado até a cidade vizinha de Presidente Prudente percorreu aproximadamente 30 quilômetros em veículo funerário refrigerado. Ao iniciar o processo de tanatopraxia no laboratório da empresa contratada, dois funcionários notaram movimentos torácicos discretos e presença de fluxo aéreo pelas vias respiratórias. A oxigenoterapia foi improvisada até a chegada do SAMU 192, que reverteu parcialmente a hipoxemia e reconduziu o paciente a um hospital de referência.

Novo boletim clínico, divulgado pela Secretaria de Saúde do município, descreve o estado de saúde atual como estável e sob monitorização, com ventilação assistida e antibióticoterapia de amplo espectro para controlar risco de broncoaspiração.

Inquérito policial e perícia sobre documentos

A Delegacia de Presidente Bernardes instaurou inquérito com tipificação preliminar de omissão de socorro (art. 135 do Código Penal). Investigadores recolheram o atestado de óbito original, prontuário médico completo e gravações de câmeras internas da Santa Casa. O núcleo de perícias médicas do Instituto de Criminalística avaliará se houve erro técnico na verificação de sinais vitais ou falha em equipamentos de monitoramento.

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Imagem: Reprodução

Paralelamente, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo abriu procedimento de sindicância para averiguar a conduta da profissional responsável pelo laudo. Caso confirmada negligência grave, as sanções variam de advertência confidencial a perda do registro profissional, conforme a Resolução CFM nº 2.145/2016.

Protocolos hospitalares em debate

Pelo manual de procedimentos do Ministério da Saúde, a confirmação de morte por parada cardiorrespiratória exige, no mínimo, cinco minutos de ausência de pulso central palpável, ausência de movimentos respiratórios e midríase bilateral fixa, verificados em ambiente clínico adequado. Em situações de insuficiência respiratória, recomenda-se uso de capnografia e eletrocardiograma contínuo para excluir atividade elétrica cardíaca residual.

Especialistas em medicina legal lembram que a ocorrência de situação de catalepsia ou batimentos imperceptíveis é rara, mas obriga checagem multiparamétrica. Instituições que não dispõem de monitores avançados devem aplicar o teste de glasgow e ausculta direta por período prolongado antes de emitir documentos formais.

Conclusão Técnica

Até o momento, o paciente permanece internado com prognóstico favorável, enquanto a Polícia Civil coleta depoimentos e aguarda laudos periciais sobre o atestado de óbito e equipamentos utilizados na Santa Casa. A administração do hospital instaurou investigação interna para revisar protocolos de verificação de morte e capacitar equipes de plantão. Caso o inquérito confirme falha profissional, o Ministério Público poderá oferecer denúncia por omissão de socorro ou homicídio culposo, dependendo do nexo causal entre a conduta da médica e os riscos à vida do paciente. Novas informações oficiais devem ser divulgadas após a conclusão dos exames documentais e testemunhais.