Pesquisa realizada pela consultoria CP2 revelou que 88,5% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem espontaneamente a marca Pix, resultado que embasou o registro de alto renome concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 10 de junho de 2026. O estudo, encomendado pelo Banco Central, reforça a penetração do sistema de pagamentos instantâneos e assegura proteção do nome em todas as 45 classes de mercado previstas na Lei de Propriedade Industrial.
Metodologia e alcance estatístico do levantamento
Entre 21 de novembro e 16 de dezembro de 2025, a CP2 entrevistou 2.026 brasileiros, presencialmente, em domicílio. A amostra considerou distribuição por região, faixa etária e estrato socioeconômico, adotando nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,18 pontos percentuais. Com base nos dados do Censo Demográfico de 2022, o percentual de 88,5% equivale a aproximadamente 141,7 milhões de pessoas.
O conhecimento da marca superou 70% em todos os segmentos populacionais. Os menores índices apareceram entre idosos (70,8%) e na classe D/E (77,1%). Já os maiores patamares foram observados nos grupos de 25 a 34 anos (98,2%), de 16 a 24 anos (96,8%) e nas classes A/B (96,6%).
Nível de familiaridade, satisfação e reputação
Entre os respondentes que reconhecem o Pix, 91,8% identificaram corretamente o serviço como forma de pagamento. O índice ultrapassou 97% na faixa de 16 a 24 anos e ficou em 79,9% entre os maiores de 60 anos. Quando questionados sobre satisfação, 50,2% declararam-se satisfeitos e 38,1% muito satisfeitos. A probabilidade de recomendação atingiu 75,3%.
Sobre imagem institucional, 56,5% dos entrevistados concordaram que o Pix tem boa reputação, enquanto 34,2% concordaram totalmente. No quesito confiança, 49,8% concordaram e 30,9% concordaram totalmente que o sistema é confiável.
Implicações do status de alto renome
A classificação de alto renome amplia a proteção da marca Pix para todos os ramos de atividade. Na prática, qualquer pedido de registro que contenha o elemento “Pix” ou variações capazes de gerar confusão será automaticamente indeferido pelo INPI em qualquer uma das 45 classes existentes. Antes da decisão, a proteção restringia-se à categoria de serviços financeiros.
Imagem: Internet
O Pix torna-se, assim, a primeira marca associada a um órgão público a receber a distinção. De acordo com o Banco Central, o status reduz riscos de uso indevido do nome em produtos de entretenimento, tecnologia ou serviços industriais, preservando consumidores contra associações fraudulentas.
A chancela também surge em meio a debates internacionais sobre concorrência. O United States Trade Representative (USTR) citou o sistema como argumento técnico ao propor tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras, alegando barreira competitiva a empresas dos Estados Unidos.
Conclusão técnica e próximos desdobramentos
Os resultados estatísticos apresentados pela CP2 confirmam a ampla adoção do Pix no território nacional e legitimam a decisão do INPI de reconhecer o nome como marca de alto renome. A abrangência do novo nível de proteção reforça a segurança jurídica para o Banco Central e impede apropriações comerciais em setores não financeiros. No horizonte imediato, a expectativa é de intensificação da vigilância sobre pedidos de registro conflitantes e de continuidade da expansão do sistema de pagamentos, que já atinge praticamente nove entre dez brasileiros.



