Príncipe Andrew volta ao centro das atenções após revelações de que, ainda jovem, teria levado um soco de um lacaio do Palácio de Buckingham por causa de seu “comportamento atroz”, episódio que, segundo relatos, contou com a aprovação da rainha Elizabeth II.
As informações vieram à tona em um novo levantamento sobre a queda de prestígio do filho caçula da falecida monarca, contexto que se agravou nesta semana com sua prisão em pleno 66.º aniversário, investigado por suspeita de má conduta em cargo público.
Príncipe Andrew teria levado soco de lacaio, diz livro
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal The Times, o incidente ocorreu quando Andrew ainda era um jovem adulto. Irritado com provocações constantes, um lacaio perdeu a paciência, acertou o então duque de York no rosto e o deixou com um olho roxo. Temendo ser demitido, o funcionário procurou a rainha para oferecer sua renúncia. No entanto, Elizabeth II teria negado o pedido, afirmando que o filho “provavelmente mereceu” a agressão e que o empregado não seria punido.
Racha na imagem pública após 3 milhões de documentos
O episódio histórico volta a ganhar força justamente no momento em que Andrew enfrenta outro escândalo. A divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de cerca de três milhões de documentos sobre o financista condenado Jeffrey Epstein trouxe e-mails que sugerem possível vazamento de informações sigilosas por parte do príncipe enquanto atuava como enviado comercial britânico.
Um dos e-mails, enviado na véspera de Natal de 2010, teria repassado a Epstein dados sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província afegã de Helmand. Andrew sempre negou qualquer irregularidade e, até o momento, não foi formalmente acusado.
Prisão e possível exclusão da linha sucessória
Na quinta-feira (19), o príncipe foi detido em Wood Farm, propriedade do conjunto Sandringham, e levado para a delegacia de Aylsham. Segundo o tabloide The Mirror, a operação mobilizou recursos extras, incluindo desligamento temporário do sistema de TI da unidade policial para evitar vazamentos.
Depois de liberado, Andrew aguarda o fim das investigações. Concluída a etapa policial, o governo britânico deve iniciar o processo político para retirá-lo oficialmente da linha de sucessão ao trono. A medida precisa ser aprovada por ato do Parlamento e ratificada pelos outros 13 países que reconhecem Carlos III como chefe de Estado.
“Filho favorito” em xeque
Apesar da fama de preferido da mãe, a antiga secretária de imprensa de Elizabeth II, Ailsa Anderson, afirmou à BBC que nunca notou tratamento diferenciado. Ainda assim, diferentes biógrafos apontam que a monarca costumava relevar as travessuras do filho mais novo, chegando a permitir que ele escapasse de punições que os irmãos mais velhos certamente receberiam.

Imagem: Getty s
A autora Ingrid Seward, no livro “My Husband and I”, foi a primeira a detalhar o soco desferido pelo lacaio. Segundo ela, o funcionário “depositou Andrew no chão” depois de repetidas provocações. O relato reforça a imagem de um príncipe que, desde cedo, coleciona atritos dentro e fora dos muros reais.
Próximos passos sob vigilância
Enquanto aguarda o desenrolar das investigações, Andrew permanece em liberdade, mas restrito a apresentações periódicas às autoridades. Qualquer decisão sobre títulos honoríficos ou eventual banimento da esfera pública dependerá do resultado final do inquérito e da pressão política que se seguir.
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Mesmo sem confirmação oficial do Palácio de Buckingham sobre o episódio do soco, o caso simboliza como histórias antigas podem ganhar novo peso quando a reputação de um integrante da realeza se encontra fragilizada. Resta saber se, desta vez, a coroa britânica tomará medidas mais duras ou novamente concederá a Andrew o benefício da dúvida.
Com informações de Daily Express