Quanto ganham trabalhadores de apps vem sendo uma dúvida crescente entre motoristas, entregadores e usuários. Dados do relatório 2025 da Gridwise, que analisou 1 bilhão de viagens e entregas, revelam diferenças expressivas de remuneração por hora entre plataformas como Taskrabbit, Spark, Uber e DoorDash.
O estudo avaliou ganhos brutos – salário base, gorjetas e bônus – de quem atua na chamada economia sob demanda. Os números contrariam a ideia de que os aplicativos mais famosos, necessariamente, pagam melhor.
Quanto ganham trabalhadores de apps como Uber e DoorDash
Principais resultados do relatório
Segundo a Gridwise, plataforma especializada em dados de mobilidade, estes foram os pagamentos médios por hora em 2025:
- Taskrabbit – US$ 38/h (o maior valor do levantamento);
- Spark, serviço de entregas do Walmart – US$ 23/h;
- Uber – US$ 22/h;
- DoorDash – US$ 11/h (o menor valor entre os apps analisados).
Taskrabbit, que conecta usuários a profissionais autônomos para tarefas domésticas e pequenos reparos, liderou o ranking. Um porta-voz da empresa, contudo, afirmou que seus colaboradores recebem em média US$ 49/h, variando conforme a localidade. A Uber também discorda dos números da Gridwise e cita remuneração de US$ 32/h “enquanto o motorista está ativo no aplicativo”.
Por que as diferenças são tão grandes?
Para Ryan Green, CEO da Gridwise, “os serviços mais populares nem sempre oferecem a melhor remuneração”. Ele lembra que o Spark surgiu apenas em 2018, mas “cresceu rápido, ocupando espaço de concorrentes tradicionais”. A lógica é simples: menor saturação de trabalhadores e incentivos maiores para expandir a base de entregadores tendem a elevar o ganho médio.
Impacto de custos e concorrência
Outro fator que pressiona a renda dos trabalhadores de apps é o aumento de custos. A disparada do preço dos combustíveis – impulsionada pela guerra entre Estados Unidos e Irã nas últimas duas semanas – afeta diretamente quem depende do carro para trabalhar. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, a tarifa média aos passageiros de Uber e Lyft subiu 9,6%. No mesmo período, o ganho bruto por viagem para motoristas cresceu apenas 3,6%, enquanto a remuneração por hora avançou 4,1%.
Com maior competição e remuneração proporcionalmente menor, muitos motoristas adotam estratégia de aceitar apenas corridas e entregas mais rentáveis, reduzindo períodos ociosos no aplicativo.
Mudanças no ganho semanal
O relatório também mostrou que, em 2024, o pagamento semanal caiu na maior parte dos aplicativos. A exceção foram entregadores de plataformas como DoorDash, cujo ganho por hora subiu 3,2%, mas às custas de um aumento de 17% no tempo conectado.

Imagem: Getty
Panorama futuro para trabalhadores de apps
Especialistas apontam que a tendência é de ajustes constantes. Gigantes do setor estão elevando preços ao consumidor para compensar inflação e custos logísticos, repassando apenas parte desse valor aos prestadores. A diferença entre crescimento da tarifa e do ganho efetivo indica margem de lucro maior para as empresas, mas pressiona a renda líquida dos trabalhadores, que arcam com despesas de manutenção, combustível e impostos.
Para quem considera ingressar na economia sob demanda, analisar o histórico de pagamentos por hora, incentivos e a quantidade de profissionais ativos em cada plataforma torna-se essencial para maximizar o retorno financeiro.
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Fique atento às próximas atualizações e continue acompanhando a Tribuna de Poá para entender como as variações de preços e políticas de cada aplicativo podem alterar a remuneração dos trabalhadores.
Com informações de Business Insider