Residência esférica de Eduardo Longo é colocada à venda em São Paulo por R$ 18 milhões

A segunda versão da icônica Casa Bola, projetada pelo arquiteto Eduardo Longo, entrou oficialmente no mercado imobiliário em 3 de junho de 2026, ofertada por R$ 18 milhões no bairro Jardim Guedala, zona sudoeste de São Paulo.

Concepção arquitetônica e contexto histórico

Concebida no fim da década de 1970 e concluída em 1980, a segunda Casa Bola reflete o esforço de Longo em desafiar paradigmas dominantes do modernismo brasileiro. Enquanto contemporâneos como Oscar Niemeyer consolidavam o uso do concreto armado em geometria livre, Longo voltou-se à esfera como forma primordial, inspirado por estudos de estruturas geodésicas, design industrial e pela corrida espacial das décadas de 1960 e 1970.

Na visão do arquiteto, a geometria arredondada oferece eficiência estrutural, menor área de contato com intempéries e distribuição uniforme de cargas. A proposta também antecipa discussões atuais sobre habitações compactas e flexíveis voltadas para densidade urbana crescente.

A primeira Casa Bola, erguida entre 1974 e 1979 e recentemente aberta ao público durante a exposição ABERTO5 na Avenida Faria Lima, reacendeu o interesse pelo legado experimental de Longo. O fluxo de cerca de 20 mil visitantes em dois meses consolidou a residência como referência de arquitetura radical no país.

Características técnicas do imóvel em oferta

Implantada em terreno inclinado no Jardim Guedala, a construção apoia-se em um único pilar central, solução que cria o efeito visual de flutuação. A esfera principal possui cerca de 11 metros de diâmetro e abriga:

  • 328 m² de área privativa distribuídos em três níveis;
  • 4 dormitórios, dos quais 2 são suítes;
  • Sala de estar com pé-direito contínuo e integração aos demais ambientes por rampas internas;
  • Cozinha funcional posicionada no nível intermediário para otimizar circulação;
  • Anexo externo com ateliê, churrasqueira, lavanderia e dependências de serviço;
  • Garagem coberta para 4 veículos.

O anúncio é conduzido pela Nobile Casas em parceria com o marketplace imobiliário PilarHomes. Além da venda, o proprietário aceita locação por R$ 15 mil mensais, acrescidos de IPTU de R$ 3.363,71.

Impacto cultural e possibilidades de uso

Em um mercado dominado por plantas convencionais, a Casa Bola destaca-se como objeto arquitetônico colecionável. A singularidade formal atrai não apenas compradores residenciais, mas também instituições culturais, galerias e escritórios criativos que buscam espaços de alto valor simbólico.

Especialistas do setor apontam que o ativo se posiciona em um nicho semelhante ao de imóveis tombados ou assinados por arquitetos de renome, cujo valor transcende métricas usuais de preço por metro quadrado. A presença de assinaturas como Longo potencializa a residência como veículo de branding para marcas interessadas em associar sua imagem à inovação.

O momento de oferta coincide com a crescente demanda por experiências imersivas em arquitetura histórica. Eventos temporários, exposições e residências artísticas encontram na geometria contínua da Casa Bola um palco que estimula percursos não lineares, reforçando o conceito de habitar-experimentar proposto pelo arquiteto.

Dados de mercado e perspectivas de valorização

Segundo levantamento da consultoria imobiliária GeoAxis, imóveis de assinatura arquitetônica em São Paulo registraram valorização média de 28 % nos últimos cinco anos, superando o índice geral da cidade, que ficou em 15 %. No segmento de residências únicas — definido por número limitado de unidades e relevância histórica — a liquidez costuma ser menor, porém a precificação tende a resistir a ciclos de baixa.

No caso específico da Casa Bola, três fatores sustentam a expectativa de apreciação:

  1. Escassez: apenas duas unidades foram construídas, ambas em território paulista;
  2. Reconhecimento acadêmico: a obra integra catálogos de universidades e exposições temáticas de arquitetura experimental;
  3. Potencial midiático: a forma inusitada gera ampla cobertura espontânea em veículos especializados e redes sociais.

Corroborando essas premissas, a exposição ABERTO5 comprovou a capacidade do projeto de atrair público qualificado e impulsionar iniciativas de patrocínio cultural.

Conclusão técnica

A comercialização da segunda Casa Bola por R$ 18 milhões representa uma rara oportunidade de aquisição de patrimônio arquitetônico singular no mercado brasileiro. A combinação de registro histórico, solução estrutural inédita e apelo midiático sustenta a permanência do imóvel como ativo de valorização diferenciada. A expectativa, segundo analistas, é de que o processo de venda ou locação ocorra em prazo curto, favorecido pelo recente aumento de visibilidade do legado de Eduardo Longo. Caso a negociação se efetive, a residência tende a permanecer no centro do debate sobre modelos habitacionais alternativos e sobre o papel de obras experimentais no tecido urbano de São Paulo.