Dois dos três representantes maranhenses no Senado, Weverton Rocha e Eliziane Gama, confirmaram a intenção de disputar a reeleição em 2026, enquanto Ana Paula Lobato segue com mandato até 2031; o movimento reforça a influência do bloco aliado ao Palácio do Planalto na bancada estadual.
Mandatos, filiações e relação com o Executivo federal
O Maranhão possui três cadeiras no Senado. Eleitos em chapas apoiadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT) encerram seus atuais mandatos em 1.º de fevereiro de 2027. Ambos já anunciaram pré-candidaturas para manter seus postos, sinalizando continuidade da agenda alinhada ao governo federal.
Rocha ocupa o cargo de vice-líder do Governo na Casa. Gama, recém‐filiada ao PT, tornou-se peça estratégica na construção de palanques estaduais, principalmente após integrar a chapa que poderá ter o vice-governador Felipe Camarão como cabeça na disputa pelo Executivo estadual.
Completa a bancada a senadora Ana Paula Lobato (PSB), empossada após a saída de Flávio Dino para o Ministério da Justiça e, posteriormente, para o Supremo Tribunal Federal (STF). Com quatro anos de mandato restantes, Lobato mantém perfil discreto, mas permanece votando de forma convergente com o Planalto.
Trajetória política e desempenho eleitoral
Nas eleições de 2018, Weverton Rocha alcançou 1 997 443 votos, a maior votação para o Senado no estado naquele pleito. O resultado impulsionou a tentativa de concorrer ao Governo do Maranhão em 2022, terminando em terceiro lugar, atrás de Lahesio Bonfim e do vencedor Carlos Brandão (PSB).
Eliziane Gama iniciou a carreira legislativa na Câmara dos Deputados, migrou do PPS para o PSD e, em 2023, filiou-se ao PT. A senadora justifica a mudança como alinhamento ideológico e estratégico, reforçado pela sua atuação na CPI de 8 de Janeiro e pelo diálogo frequente com ministros palacianos.
Ana Paula Lobato, enfermeira de formação, exerceu a vice-prefeitura de Pinheiro (2021–2023) antes de assumir o Senado. Ela é casada com o deputado estadual Othelino Neto (PSB), aliado histórico de Dino, fator que ampliou sua inserção em pautas de infraestrutura e saúde no interior.
Imagem: Ester Marques
Investigações, bases eleitorais e desafios para 2026
O histórico recente de Weverton Rocha inclui a citação na Operação Sem Desconto, desencadeada pela Polícia Federal para apurar irregularidades em descontos previdenciários. Apesar do mandado de busca e apreensão cumprido em 2021 em Brasília, o senador sustenta que colaborou com as autoridades e pontua que nenhuma denúncia foi formalizada até o momento.
No campo eleitoral, Rocha mantém atuação intensa em eventos do interior maranhense ao lado de Orleans Brandão, pré-candidato a prefeito de São Luís. A exposição busca retomar o capital político perdido em 2022, quando o parlamentar obteve menos de 20 % dos votos válidos na disputa pelo governo estadual.
Eliziane Gama enfrenta o desafio de equilibrar a identidade evangélica com a plataforma progressista do PT. Segundo levantamento interno do partido, 47 % do eleitorado evangélico maranhense se inclina a votar em candidatos alinhados ao Planalto, percentual considerado crucial para a recondução da senadora.
Já Ana Paula Lobato concentra esforços em projetos de saúde pública, apoiando iniciativas de ampliação de Unidades Básicas na Baixada Maranhense. A senadora não figura no pleito de 2026, mas sua atuação pode influenciar positivamente correligionários que estarão na corrida eleitoral.
Conclusão Técnica
Com as pré-candidaturas confirmadas, Weverton Rocha e Eliziane Gama entram em fase de consolidação de apoios municipais e ajustes partidários, visando sustentar a maioria de votos obtida em 2018. O cenário indica manutenção da base governista na bancada maranhense, dada a prevalência de alianças com o PT e o histórico de fidelidade em votações estratégicas. A presença de Ana Paula Lobato até 2031 oferece estabilidade adicional ao grupo. Nos próximos meses, observam-se três frentes decisivas: conclusão de inquéritos envolvendo Rocha, formalização de coligações que abriguem Gama sob a bandeira petista e definição do papel de Lobato como eventual cabo eleitoral. Esses fatores nortearão o desfecho da disputa senatorial no estado em 2026.



