Spreads de crédito pressionam XP no 1T26 e papéis recuam 3,86% em Nova York

As ações da XP Inc. encerraram o pregão de 19 de maio com queda de 3,86% na Nasdaq, cotadas a US$ 16,67, após a divulgação de um lucro líquido ajustado de R$ 1,318 bilhão no primeiro trimestre de 2026; o resultado, embora 7% superior ao de 2025, refletiu o impacto da abertura dos spreads de crédito sobre as receitas de renda fixa e reforçou a dependência da companhia da retomada do mercado de capitais.

Resultados financeiros do 1T26 detalham avanço modesto e perda de ritmo

A receita bruta totalizou R$ 4,919 bilhões, alta anual de 8%, mas recuo de 2% na comparação com o 4T25. O varejo, principal motor de crescimento, gerou R$ 3,773 bilhões, avanço de 10% em 12 meses e retração de 2% ante o trimestre anterior. No banco de atacado, o faturamento atingiu R$ 1,146 bilhão, expansão de 26% na base anual e queda de 8% frente ao 4T25.

A captação líquida de varejo somou R$ 38 bilhões, impulsionada por R$ 19 bilhões de recursos extraordinários associados à crise do Banco Master e ao reembolso garantido pelo FGC. Sem esse efeito pontual, as entradas líquidas recorrentes totalizaram R$ 19 bilhões, decréscimo de 5% trimestre contra trimestre, segundo o BTG Pactual.

Spreads de crédito ampliados corroem receita de renda fixa

Em março, a abertura dos spreads no mercado de crédito pressionou as posições proprietárias da XP e reduziu as margens em produtos de renda fixa, segmento que ganhou importância nos últimos anos. A própria companhia reconheceu que o estresse prosseguiu no início do 2T26, porém em intensidade inferior à observada no pico da volatilidade.

Segundo o Banco Safra, o efeito sobre o core foi significativo e adia uma recuperação consistente para a segunda metade do ano, quando se espera a normalização dos spreads. A XP informou não prever impactos adicionais relevantes de marcação a mercado nos próximos trimestres e manteve a projeção de crescimento de receita em dois dígitos para 2026.

Mercado reage com ceticismo; bancos mantêm recomendação, mas sinalizam desafios

A queda de 3,86% nos ADRs refletiu a leitura de que o trimestre confirma a dependência da XP de um ambiente macroeconômico mais benigno. O Safra reiterou postura neutra, com preço-alvo de US$ 23 — potencial de 33% sobre o fechamento anterior. O BTG Pactual estima valor justo de US$ 25 e observa que a ação negocia a 8,6 vezes o lucro dos últimos 12 meses, patamar considerado atrativo, mas condiciona a reprecificação a juros mais baixos no Brasil.

O Bradesco BBI manteve recomendação de compra para os BDRs (XPBR31), com preço-alvo de R$ 120, embora destaque compressão de margens em meio a maior competição e custos operacionais elevados. O JP Morgan classificou o resultado como fraco, porém dentro do esperado, ressaltando a excessiva exposição ao mercado de dívida (DCM).

Reorganização da diretoria reforça foco em atacado e crédito

No mesmo comunicado, a XP anunciou a saída de Victor Mansur do cargo de CFO, permanecendo como sócio para apoiar a transição. Assume a função, em agosto, Gustavo Alejo, ex-CFO do Santander Brasil. Para o Safra, a mudança tende a fortalecer a expansão de atacado e crédito; o BTG avalia o movimento como alinhado ao contexto macro mais complexo enfrentado pela companhia.

Conclusão técnica

A XP encerrou o 1T26 com expansão modesta de lucro e receita, sustentada por eventos extraordinários, mas exposta à volatilidade dos spreads e à desaceleração orgânica da captação. A normalização do mercado de crédito e a reabertura do mercado de capitais permanecem como vetores essenciais para retomar crescimento consistente no segundo semestre. Analistas mantêm recomendações construtivas, sustentadas por diversificação de receitas, robusta geração de caixa e valuation descontado, embora reconheçam que a visibilidade de curto prazo segue limitada pelo ambiente macroeconômico de juros elevados.