Super Quarta: Mercado projeta corte de 0,25 p.p. na Selic enquanto Fed deve manter juros inalterados

O Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve (Fed) realizam reuniões simultâneas nesta quarta-feira, 17, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual na Selic no Brasil e manutenção da taxa básica norte-americana no intervalo de 3,625% a 3,75%, segundo analistas do mercado financeiro.

Presságio de corte na Selic após alívio geopolítico

A trégua diplomática entre EUA e Irã abriu a semana com queda nos prêmios de risco, impulsionando a curva de juros doméstica e favorecendo apostas em novo corte na Selic. Conforme a economista Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, “não houve mudança estrutural no cenário, mas o alívio global reforçou a probabilidade de ajuste de 0,25 p.p. já precificada pelo mercado”.

Até meados de duas semanas atrás, parte dos investidores cogitava a possibilidade de pausa, cenário revertido após a divulgação do Boletim Focus, que trouxe projeção de inflação em 3,75% para 2024. A leitura consolidou o entendimento de que o Banco Central dispõe de margem técnica para prosseguir com a flexibilização monetária, ainda que em ritmo mais moderado.

Inflação persistente e impacto na curva de juros

Apesar do recuo recente das cotações internacionais do petróleo, o repasse ao índice de preços doméstico não ocorre de forma imediata. A inflação de maio, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superou as estimativas, pressionada pelos grupos energia e alimentação. Esse descompasso sustenta patamares elevados na parte curta da curva e reforça o discurso de cautela do Banco Central.

Para Centeno, “o risco inflacionário que motivou a cautela nas últimas reuniões não se dissipa rapidamente; por isso, o Copom tende a optar por redução pontual, preservando a sinalização de vigilância.” Caso o corte de 0,25 p.p. se confirme, a taxa Selic passará de 10,50% para 10,25% ao ano, mantendo o Brasil entre os países emergentes com maior juro real.

Fed em compasso de espera diante de economia resiliente

No cenário externo, o Federal Reserve deve reiterar postura de “esperar para ver”. O consenso de mercado aposta na manutenção da faixa de 3,625% a 3,75% ao ano, aguardando sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica dos Estados Unidos. Mesmo com a tendência de queda gradual na inflação ao consumidor, a robustez do mercado de trabalho limita a urgência por cortes.

A autoridade monetária norte-americana monitora indicadores como Personal Consumption Expenditures (PCE) e dados de payroll. Qualquer sinal de persistência inflacionária acima da meta de 2% pode adiar o início de flexibilização, refletindo-se em volatilidade nos ativos de risco globais.

Repercussões nos mercados financeiros

A coincidência de decisões eleva a relevância da super quarta para investidores locais e internacionais. Na B3, o Ibovespa iniciou a semana em alta, acompanhando o recuo dos juros futuros. Títulos prefixados e atrelados à inflação registraram valorização na expectativa de manutenção do ciclo de cortes.

No câmbio, o real se beneficiou do movimento global de busca por ativos de maior rendimento, mas a sustentação desse fluxo dependerá da sinalização vinda do Banco Central. Qualquer indicação de interrupção prematura no processo de afrouxamento monetário poderia devolver pressão sobre a moeda.

Conclusão Técnica

Analistas convergem na projeção de que o Copom deve reduzir a Selic em 0,25 p.p., enquanto o Fed manterá seus juros estacionados, reforçando a postura divergente entre política monetária doméstica e norte-americana. O resultado das reuniões tende a balizar as estratégias de curto prazo dos investidores, com atenção redobrada aos próximos indicadores de inflação e atividade. Permanecem no radar eventuais oscilações geopolíticas e seus reflexos sobre commodities energéticas, fatores decisivos para os passos subsequentes de ambos os bancos centrais.