Em entrevista gravada em 18 de março nas dependências do Grupo ND, o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), elencou três prioridades para os primeiros 100 dias de eventual governo a partir de 2027: choque ético, contenção de gastos públicos e endurecimento penal.
Compromisso com aliança de direita e repercussões do áudio de Flávio Bolsonaro
Romeu Zema declarou que o Partido Novo manterá acordos regionais com o PL, apesar de divergências recentes desencadeadas pelo áudio atribuído ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com o pré-candidato, o diálogo com as lideranças catarinenses já foi restabelecido, assegurando que a coligação local — que inclui o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), na condição de pré-candidato a vice-governador — segue inalterada.
Durante a conversa, o ex-governador classificou o episódio como “decepcionante”, mas frisou que a convergência ideológica entre Novo e PL se mantém. “O que nós não queremos é estar junto com bandido banqueiro”, resumiu, reafirmando a composição de direita para o pleito de 2026.
Choque fiscal: reforma administrativa, nova previdência e redução de cargos
Zema avaliou que o desequilíbrio estrutural das contas federais é o principal desafio pós-2026. Para enfrentá-lo, propôs:
- Reforma administrativa abrangente, inspirada na experiência mineira que extinguiu cerca de 50 mil cargos comissionados entre 2019 e 2024.
- Nova rodada de ajustes previdenciários para conter o avanço das despesas obrigatórias.
- Meta anual de eficiência mínima de 1 % em todos os órgãos federais, com a economia revertida em redução gradativa de tributos.
Segundo o pré-candidato, Minas Gerais saiu de um déficit de R$ 11 bilhões em 2018 para um superavit de R$ 4 bilhões em 2024, resultado apresentado como prova de viabilidade da agenda fiscal pretendida.
Segurança Pública: inspiração no modelo de El Salvador e redução da maioridade penal
Ao tratar da criminalidade, Zema defendeu elevar o “custo do crime” no país. Entre os pontos centrais estão:
Imagem: Alan Pedro
- Tolerância zero a reincidentes, com revisão das audiências de custódia que, segundo ele, “facilitam a soltura de detidos em flagrante”.
- Redução da maioridade penal para 14 ou 16 anos em crimes graves, adotando o princípio de “crime de adulto, pena de adulto”.
- Ampliação do sistema prisional, mesmo com risco de superlotação, até que a escalada de delitos seja desestimulada.
O ex-governador citou a visita recente a El Salvador, onde o índice de homicídios registrou queda de 99 % após políticas rígidas de encarceramento. Para as polícias militares estaduais, prometeu “apoio total” do governo federal em ações ostensivas.
Educação: reestruturação do financiamento e expansão de modelos cívico-militares
Classificando o ensino fundamental brasileiro como “catástrofe”, Zema propôs redistribuir recursos hoje concentrados nas universidades federais. O plano inclui:
- Escolas cívico-militares e charter, geridas por parcerias público-privadas, com metas de desempenho mensuráveis.
- Contribuição pós-graduação de 1 % da renda de egressos de universidades públicas, canalizada para um fundo autônomo que diminua a dependência orçamentária da União.
- Valorização meritocrática de professores de base, por meio de remuneração variável atrelada a resultados.
Dívida pública e investimento em infraestrutura
O pré-candidato projetou que a redução da taxa básica de juros para patamares próximos a 7 % ao ano pode economizar R$ 700 bilhões anuais em serviço da dívida. Esse montante, argumenta, viabilizaria obras prioritárias nas rodovias BR-470, BR-101 e BR-282, citadas como gargalos logísticos de Santa Catarina.
Conclusão Técnica
As declarações de Romeu Zema delineiam um programa centrado em austeridade fiscal, endurecimento penal e reorganização do investimento educacional. A manutenção da aliança com o PL garante palanque unificado no campo conservador, enquanto as propostas de reformas estruturais dependem de Propostas de Emenda à Constituição e maioria legislativa qualificada. Nos próximos meses, o pré-candidato deve detalhar cronogramas legislativos e fontes de financiamento, pontos considerados cruciais para medir a exequibilidade do plano apresentado.



