Cláudio Costa, empresário do setor de comércio varejista, foi sequestrado na manhã de segunda-feira, 11 de março, dentro da garagem de um edifício no bairro Barra, em Balneário Camboriú. Horas depois, seu corpo foi descoberto em uma área de mata no bairro Arraial do Ouro, em Gaspar, com um disparo na cabeça e as pernas amarradas. A Polícia Militar mantém buscas para localizar dois suspeitos que fugiram.
Dinâmica do sequestro registrada por câmeras
Imagens de circuito interno obtidas pelos investigadores mostram o momento em que dois homens rendem a vítima por volta das 8h40. A dupla chega em um Volkswagen Saveiro, retira Cláudio Costa de seu veículo particular e o conduz até uma Chevrolet Spin de cor escura, estacionada estrategicamente próxima à saída da garagem. O rapto ocorre na esquina da rua Orivaldo Cunha com a rua João Tibúrcio Corrêa, região monitorada por condomínios residenciais e estabelecimentos comerciais.
Segundo análise preliminar, a ação dura menos de 90 segundos, indicando planejamento e conhecimento da rotina da vítima. Não há registro de disparos ou reação de segurança privada no prédio. A Delegacia de Investigações Criminais (DIC) de Itajaí requisitou cópia integral das gravações e realizou perícia na garagem para coleta de impressões digitais e vestígios biológicos.
Descoberta do corpo a 70 km do local do crime
O cadáver foi localizado às 14h15 por um vendedor ambulante que trafegava pela rodovia Ivo Silva, em Gaspar, município a cerca de 70 quilômetros de Balneário Camboriú. A testemunha avistou sinais de movimentação numa clareira e acionou o 190. Equipes da PM de Gaspar isolaram a área até a chegada do Instituto Geral de Perícias (IGP).
O laudo cadavérico inicial aponta projétil de calibre 9 mm alojado no crânio e ausência de múltiplas lesões, sugerindo execução imediata após o sequestro. A polícia científica coletou resíduos de pólvora, fibras sintéticas usadas na amarração das pernas e fragmentos de fita adesiva.
Com base no horário da morte – estimado entre 11h e 12h – os peritos afirmam que a vítima permaneceu sob poder dos sequestradores por, no máximo, três horas. Esse intervalo está sendo cruzado com dados de antenas de telefonia e possíveis registros de pedágio na BR-470, rodovia que liga os dois municípios.
Linha investigativa e possíveis motivações
A Polícia Civil de Santa Catarina trabalha com três frentes: cobrança de dívida empresarial, tentativa de extorsão frustrada e vingança pessoal. Cláudio Costa administrava duas lojas físicas e um e-commerce com faturamento anual estimado em R$ 12 milhões, segundo registros da Junta Comercial. Não há histórico de disputa societária formal, mas investigadores identificaram recente processo de cobrança no valor de R$ 480 mil.
Testemunhas relatam que a vítima mantinha rotina fixa: saída diária às 7h30 para academia e retorno ao edifício por volta das 8h30. A padronização pode ter facilitado a abordagem. Os suspeitos, descritos como homens entre 25 e 35 anos, não portavam distintivos falsos nem se identificaram como autoridades, afastando a hipótese de falso cumprimento de mandado.
Imagem: NDTV
Agentes obtiveram imagens de câmeras públicas na saída de Balneário Camboriú e identificaram a Chevrolet Spin seguindo sentido Itajaí minutos após o sequestro. O veículo, com placas clonadas, foi abandonado e incendiado em Brusque, onde passará por perícia para identificar número de chassi.
Ações policiais em curso e cooperação intermunicipal
Para acelerar a captura, a PM instalou barreiras móveis nas principais vias de acesso ao Vale do Itajaí e compartilhou boletins de inteligência com delegacias da Região Metropolitana de Florianópolis. O CICC-SC (Centro Integrado de Comando e Controle) analisa imagens de 47 câmeras OCR (Leitura Automática de Placas) distribuídas nos corredores BR-101, BR-470 e SC-486.
Paralelamente, a DIC apura compras recentes de munição 9 mm em clubes de tiro da região. O cruzamento de notas fiscais eletrônicas já identificou três aquisições compatíveis com o lote do projétil recuperado. Os compradores serão ouvidos nas próximas 48 horas.
Também foi solicitada quebra de sigilo telefônico e bancário para rastrear possíveis mensagens de resgate ou movimentações financeiras atípicas. Até o momento, não houve solicitação formal de resgate à família, reforçando a tese de execução premeditada.
Conclusão técnica
O caso reúne elementos de sequestro qualificado seguido de homicídio, crime cuja pena pode ultrapassar 30 anos de prisão. A cronologia aponta para ação planejada, mobilidade interestadual dos autores e execução em curto intervalo temporal. Nos próximos dias, a polícia deve concluir perícia nos veículos envolvidos, analisar dados de telefonia celular e ouvir testemunhas estratégicas. A divulgação de retratos-falados está prevista após consolidação dos depoimentos e obtenção de imagens de alta resolução. As investigações seguem sob sigilo, e nova atualização oficial é esperada quando houver identificação formal ou prisão dos suspeitos.



