Impasse entre EUA e Irã pressiona petróleo, enquanto expansão da Pague Menos e agenda de dados definem o tom dos mercados

O prolongamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, sem sinal de reabertura do Estreito de Ormuz, volta a impulsionar o preço do petróleo Brent em mais de 3% nesta terça-feira (12) e reforça a cautela dos investidores às vésperas do índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA e dos comentários de dirigentes do Federal Reserve, enquanto, no Brasil, o foco recai sobre o resultado da Petrobras e a estratégia de crescimento da Pague Menos.

Tensão geopolítica amplia o prêmio de risco do petróleo

Desde o início de abril, quando a passagem pelo Estreito de Ormuz foi restringida, as cotações do petróleo acumularam alta próxima de 18%. A via marítima responde por cerca de 20% da oferta global de petróleo e derivados, segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A ausência de uma proposta aceitável para Washington e Teerã elevou as expectativas de inflação, deslocando projeções de política monetária nos principais bancos centrais.

Analistas monitoram o efeito do encarecimento do combustível sobre os índices de preços de maio e junho. Cada aumento de US$ 10 no barril do Brent adiciona, em média, 0,20 ponto percentual ao CPI norte-americano em um horizonte de três meses, de acordo com estimativas da Bloomberg Economics. Esse cenário mantém o Fed em alerta e reduz a probabilidade de cortes de juros no terceiro trimestre.

Desempenho dos mercados: divergência regional e cautela em Wall Street

Na Ásia, os índices encerraram o pregão sem direção única: o Nikkei 225 avançou 0,6% sustentado pelas blue chips de eletrônicos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,4% após a realização de lucros no setor de semicondutores. Na Europa, o Stoxx 600 cedeu 0,9%, pressionado pelas incertezas políticas no Reino Unido, onde cresce a pressão pela renúncia do premiê Keir Starmer.

Os futuros dos principais índices de Nova York registram queda de até 0,7%, refletindo o aumento das expectativas de inflação. Nos Treasuries, o rendimento da nota de 10 anos volta a encostar em 4,60%, patamar mais alto em seis semanas.

No Brasil, o Ibovespa tenta recompor as perdas de 1,19% da véspera, impulsionado pelo balanço da Petrobras. A estatal reportou lucro líquido de R$ 32,6 bilhões no 1T26 e anunciou distribuição de dividendos bilionários, fator que ameniza o impacto externo negativo sobre o índice.

Pague Menos lidera agenda corporativa com plano de 500 lojas até 2028

Nomeada em 2024, a gestão de Jonas Marques conduziu um turnaround operacional na Pague Menos. A companhia apresentou avanço de 22% no Ebitda ajustado em 2025 e projeta a abertura de 70 unidades em 2026, somando-se ao objetivo de alcançar 500 novas lojas até 2028. O plano, segundo a administração, combina expansão física com digitalização do atendimento, buscando elevar a participação de mercado em praças do Centro-Oeste e Sudeste.

O reforço à cultura corporativa foi apontado como peça central: pesquisas internas mostram crescimento de 15 pontos percentuais no índice de engajamento desde 2024. No mercado de capitais, as ações PGMN3 acumulam alta de 37% em 12 meses, superando o setor de varejo farmacêutico listado na B3.

Além da rede de farmácias, o dia traz repercussão do primeiro IPO em cinco anos na bolsa brasileira: a oferta secundária da Compass, que movimentou R$ 3,2 bilhões. De acordo com relatório do BTG Pactual, a operação pode destravar outras emissões, desde que o custo de capital permaneça estável e a volatilidade global não se agrave.

Indicadores do dia: inflação, IPCA e teleconferência da Petrobras

Nos Estados Unidos, o CPI de abril será divulgado às 09h30 (horário de Brasília). O consenso Refinitiv antecipa variação mensal de 0,3% e anual de 3,4%. Qualquer desvio relevante pode mudar a precificação da curva de juros e, por consequência, o humor dos mercados.

No cenário doméstico, sai o IPCA de abril, previsto em 0,47% mês a mês, levando a taxa acumulada em 12 meses a 4,91%. A Petrobras realiza teleconferência às 11h00, oportunidade para detalhar capex, política de preços e cronograma de desinvestimentos.

Conclusão Técnica

A falta de acordo entre EUA e Irã mantém o petróleo em patamar elevado, ampliando o risco inflacionário global e dificultando alívios monetários. Enquanto isso, empresas brasileiras como Pague Menos e Petrobras atraem a atenção dos investidores pela combinação de crescimento e geração de caixa. A sessão de hoje deve ser guiada pela leitura do CPI norte-americano, pelo IPCA doméstico e pelos desdobramentos corporativos, determinando o fluxo de capital para emergentes e o comportamento do câmbio e da renda variável nas próximas semanas.