Lucro do Banco do Brasil encolhe, ‘taxa das blusinhas’ é extinta e guerra EUA-Irã redefine cenários de energia

Investidores monitoram simultaneamente a expectativa de lucro menor do Banco do Brasil, o fim da cobrança de importação para compras internacionais de até US$ 50 e os novos cortes na projeção global de petróleo provocados pela escalada bélica entre Estados Unidos e Irã, fatores que reposicionam riscos e oportunidades nos mercados doméstico e externo.

Banco do Brasil projeta queda acentuada no retorno sobre patrimônio

A prévia de consenso coletada por analistas indica que o Banco do Brasil deve divulgar, após o fechamento do pregão desta quarta-feira (13), lucro líquido em retração e retorno sobre o patrimônio (ROE) perto de 7,3 %, o menor patamar desde 2020. A deterioração decorre, sobretudo, do avanço da inadimplência de grandes empresas e do agronegócio, segmentos historicamente relevantes para a carteira da instituição.

Segundo estimativas compiladas pela repórter Camille Lima, provisões para devedores duvidosos devem crescer em ritmo superior a dois dígitos na comparação anual, pressionando a margem financeira. A elevação das taxas de inadimplência corporativa remete a crises anteriores — em especial 2015-2016 —, quando o banco intensificou a constituição de reservas contra perdas.

No front regulatório, as discussões sobre índices de Basileia e capital adicional para riscos de crédito seguem no radar. Gestores avaliados por Seu Dinheiro apontam que, se o ROE recuar para níveis próximos a 6 %, o plano de pagamento de dividendos extraordinários deverá ser revisto, cenário que adiciona incerteza para os acionistas minoritários.

Extinção da ‘taxa das blusinhas’ muda o tabuleiro do varejo eletrônico

O Ministério da Fazenda confirmou a isenção do imposto de importação sobre remessas de até US$ 50, medida popularmente conhecida como fim da “taxa das blusinhas”. A resolução entra em vigor imediatamente e afeta plataformas como Shein, Shopee e Aliexpress, que respondem por parcela relevante das compras de baixo valor.

Para o setor de varejo na B3, a novidade cria um duplo efeito: pressão competitiva adicional sobre companhias focadas em moda e bens de consumo rápido — caso de Lojas Renner, C&A e Grupo Soma — e potencial incremento no volume de vendas totais do comércio eletrônico. Corretoras já revisam as projeções de GMV (Gross Merchandise Value) das varejistas internacionais em até 15 % para 2026.

Embora a Receita Federal mantenha o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 17 % para todas as remessas, a retirada da alíquota federal de 60 % reduz sensivelmente o preço final ao consumidor, impulsionando o tráfego digital para marketplaces estrangeiros. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico calcula que a participação de importados de pequeno valor pode subir de 12 % para 18 % das vendas on-line em doze meses.

Guerra EUA-Irã provoca revisão drástica na oferta e demanda de petróleo

A Agência Internacional de Energia (AIE) atualizou na manhã desta quarta-feira suas estimativas, projetando queda de 1,5 milhão de barris por dia na demanda global e redução equivalente na oferta para 2026. Apesar do corte, os futuros do Brent recuaram 0,5 %, sinal de que parte do choque já fora precificado após sucessivas altas desde o início do conflito.

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O estresse geopolítico também afeta cadeias correlatas. Empresas de fertilizantes e petroquímica relatam aumento de custos logísticos superior a 8 % nos últimos trinta dias, enquanto distribuidoras de combustíveis no Brasil monitoram a possibilidade de reajuste nos preços da gasolina ainda em maio. A Petrobras mantém avaliação interna sobre defasagem média de 9 % entre o valor de importação e o praticado nas refinarias nacionais.

No mercado de capitais, o índice sul-coreano Kospi liderou os ganhos na Ásia, fechando em alta de 2,63 % e retomando o recorde de 7.844,01 pontos, movimento atribuído a fluxo comprador de tecnologia e semicondutores. Na Europa, bolsas operam sem direção única, apoiadas pelos resultados positivos de Merck e Allianz. Em Wall Street, investidores aguardam o PPI (Producer Price Index) dos EUA e discursos de dirigentes do Federal Reserve, dados que podem calibrar as apostas para o próximo ajuste de juros.

Repercussão nos ativos brasileiros

O Ibovespa encerrou a última sessão em queda de 0,86 %, aos 180.342 pontos, refletindo maior aversão ao risco e expectativa em torno dos balanços de Banco do Brasil, CSN e Braskem. O dólar à vista permaneceu em R$ 4,89, sustentado por procura de proteção cambial. Na renda fixa, a curva de juros futuros precifica manutenção da Selic em patamar elevado por período mais longo, com o contrato DI jan/27 projetando taxa de 10,78 % ao ano.

Entre as companhias listadas, Braskem avançou mais de 20 % após o JP Morgan elevar a recomendação para “compra”, enquanto Hapvida recuperou parte das perdas recentes ao apresentar melhora de sinistralidade no trimestre. No setor imobiliário, gestores acompanham as falas do analista Caio Araujo, da Empiricus, que aponta fundos de papel com lastro em CDI+ como opção defensiva diante do aumento do risco de crédito.

Conclusão técnica

A combinação de deterioração de resultados no Banco do Brasil, mudança tributária favorável ao varejo internacional e revisão negativa para o mercado de petróleo estabelece um cenário de volatilidade segmentada. Bancos deverão adotar postura conservadora em provisões, varejistas locais tendem a revisar estratégias de preço e a cadeia de energia ajustará projeções de capex e repasse de custos. A proximidade das divulgações corporativas e dos indicadores de inflação nos Estados Unidos definirá os próximos movimentos dos fluxos globais de capital.