Nubank divulgou os resultados do primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de US$ 871 milhões, expansão de 41% em doze meses, mas aquém das expectativas de mercado, enquanto analistas mantêm recomendações de compra e projeções de valorização que superam 80% para os papéis listados em Nova York (NU) e para os BDRs (ROXO34) negociados na B3.
Resultados do 1T26: avanço de receita, mas lucro abaixo do consenso
A publicação de balanço ocorreu em meio a um ambiente macroeconômico pressionado pela escalada do conflito no Irã e pela revisão altista das curvas de juros no Brasil e no exterior. Mesmo assim, a fintech registrou receita total de US$ 2,7 bilhões, incremento de 47% sobre igual período do ano anterior. O lucro líquido de US$ 871 milhões mostrou robustez, porém ficou cerca de 11% abaixo do consenso de US$ 980 milhões, refletindo despesas maiores com provisões.
No intervalo de cinco sessões que antecederam a divulgação, as ações NU acumularam retração de 14,7%, enquanto os BDRs ROXO34 recuaram 11,72%. Para analistas, o movimento reflete reação imediata ao aumento do risco de crédito, não necessariamente à capacidade de geração de resultado do banco digital.
Evolução da carteira de crédito e reforço das provisões
A carteira total atingiu US$ 37,2 bilhões, salto anual de 40%. O índice de inadimplência acima de 90 dias avançou para 5,0%, frente a 4,1% no trimestre anterior. Em resposta, o Nubank elevou as despesas de provisão em 38% na comparação trimestral, valor 30% superior às projeções dos analistas. Segundo o diretor financeiro Guilherme Lago, o aumento decorre da forte originação no quarto trimestre de 2025 e da sazonalidade desfavorável dos primeiros meses do ano, não representando deterioração estrutural da qualidade dos ativos.
Relatórios de casas como Safra e XP reforçam a avaliação de que o comportamento das Expected Credit Losses (ECLs) permaneceu alinhado ao padrão histórico. Ao dividir o provisionamento bruto pela formação dos Estágios 2 e 3, a proporção segue em linha com trimestres anteriores, sinalizando cobertura adequada para potenciais perdas.
Divergência entre investidores locais e estrangeiros
Instituições nacionais, incluindo BTG Pactual e Itaú BBA, destacam a relação preço/lucro (P/L) projetado inferior a 12 vezes para 2027 como fator de apoio à tese de investimento. Já parte dos investidores norte-americanos demonstra ceticismo quanto à entrada gradual da fintech nos Estados Unidos, estratégia que o management pretende financiar com impacto inferior a 100 pontos-base no índice de eficiência consolidado em 2026 e 2027.
Imagem: Internet
Segundo o BTG, observa-se divergência inversa à verificada no IPO de 2021, quando estrangeiros estavam mais otimistas do que o público doméstico. Hoje, gestores brasileiros ampliam posições, apostando em avanço de receita, melhora do mix de produtos de maior margem e redução gradual da alíquota efetiva de imposto à medida que benefícios fiscais são apropriados.
Recomendações e potenciais de valorização
Cinco grandes instituições reiteraram recomendação de compra após o balanço, com preços-alvo que implicam ganhos significativos sobre a cotação de fechamento pré-resultado:
- BTG Pactual – preço-alvo: US$ 22; potencial: +83,3%
- Citi – preço-alvo: US$ 22; potencial: +83,3%
- Safra – preço-alvo: US$ 22; potencial: +83,3%
- XP – preço-alvo: US$ 21; potencial: +75,0%
- Itaú BBA – preço-alvo: US$ 20; potencial: +66,7%
As instituições convergem ao apontar que o múltiplo atual representa um dos níveis mais baixos da história do Nubank, sustentado por expectativa de expansão de margem financeira, crescimento de base de clientes e monetização de serviços como seguros e investimentos.
Conclusão técnica
O primeiro trimestre de 2026 confirmou a tendência de crescimento acelerado do Nubank, mas trouxe necessidade de provisões adicionais em razão do ciclo de crédito mais desafiador e da sazonalidade. Apesar da pressão de curto prazo sobre as ações, a maioria dos analistas mantém visão construtiva, ancorada em estratégia de diversificação de receitas, eficiência operacional e expansão internacional controlada. Caso as premissas de redução de inadimplência a partir do segundo semestre se materializem, o banco digital poderá converter o cenário de volatilidade atual em valorização expressiva, alinhada aos alvos superiores a 80% projetados pelas principais casas de análise.




