Paranapanema concluiu uma nova etapa do plano de recuperação judicial ao converter R$ 85,04 milhões em dívidas em 139,6 milhões de ações ordinárias, emitidas a R$ 0,61 por papel, operação anunciada em 25 de maio e já homologada pelo conselho de administração; a companhia agora inicia a “10ª Janela” de adesão, válida até 3 de junho, mantendo as mesmas condições para outros credores.
Contexto da recuperação judicial e posição financeira
Em dezembro de 2022, a produtora de cobre ingressou em recuperação judicial declarando aproximadamente R$ 450 milhões em dívidas. Desde então, a administração executa medidas para preservar liquidez e reequilibrar o balanço. O processo foi aprovado em assembleia no fim de 2025, estabelecendo sucessivas janelas de capitalização via conversão de créditos.
No balanço do 3T25, o último divulgado, registrou‐se prejuízo líquido de R$ 371,5 milhões, 10 % superior ao mesmo período de 2024. O resultado refletiu encargos financeiros de empréstimos, custos de ociosidade, provisões judiciais e um ajuste de R$ 52 milhões por impairment em ativos imobilizados. Desconsiderados itens não recorrentes, o prejuízo ajustado foi de R$ 52 milhões.
As ações PMAM3 acumulam desvalorização superior a 75 % em doze meses e recuam mais de 28 % apenas em 2026, amplificando o desafio de atrair novos recursos via mercado de capitais tradicional.
Estrutura da conversão de dívidas em ações
A etapa concluída nesta semana deriva do aumento de capital de R$ 85,18 milhões aprovado pelo conselho em abril. O mecanismo repassou aos credores 139,6 milhões de novas ações ordinárias, sem entrada de caixa, mas com redução contábil do endividamento.
Do total, R$ 31,9 milhões correspondem a credores enquadrados na 9ª Janela do plano de recuperação. Outros R$ 53,1 milhões pertencem a 296 credores extraconcursais, isto é, detentores de obrigações que originalmente não constavam no processo judicial.
Com a emissão, o capital social da Paranapanema passou a R$ 2,35 bilhões, dividido em mais de 290 milhões de ações ordinárias. A companhia reportou que apenas 0,015 % dos papéis ofertados foi subscrito por investidores da base atual, sinalizando baixo interesse na manutenção da proporção societária frente ao risco da tese.
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Diluição acionária, nova janela e próximos passos
A ampliação do número de ações eleva a diluição dos atuais detentores de PMAM3, mas reduz a alavancagem e fortalece a estrutura patrimonial da empresa — condição central para a homologação judicial do plano de recuperação.
A administração abriu a 10ª Janela de adesão, permitindo que credores manifestem intenção de converter seus créditos até 3 de junho, mantendo o preço de R$ 0,61 por ação. O procedimento preserva igualdade de condições entre credores e mantém previsibilidade à reestruturação, segundo fato relevante.
Historicamente, a companhia já atraiu o interesse da Vale, que em 2010 chegou a oferecer mais de R$ 2 bilhões para assumir o controle; entretanto, a volatilidade do mercado de metais e a sequência de prejuízos inviabilizaram o negócio. Hoje, o megainvestidor Luiz Barsi Filho detém pouco mais de 3,5 % do capital, após reduzir participação que já alcançou 5 % em 2025.
Conclusão técnica
Ao converter R$ 85,04 milhões em dívidas por ações, a Paranapanema executou uma etapa relevante do plano aprovado no fim de 2025, diminuindo o passivo financeiro e preparando a estrutura societária para futuras fases da recuperação judicial. A abertura da 10ª Janela mantém a companhia no cronograma estabelecido pelo tribunal e pode ampliar o abatimento de dívidas, caso a adesão seja significativa. A efetiva melhora da geração de caixa operacional e a divulgação do próximo balanço serão pontos de monitoramento para avaliar se a empresa conseguirá estabilizar resultados e, gradualmente, retomar acesso a fontes tradicionais de financiamento.




