Um pacote de R$ 70 bilhões em investimentos da Petrobras até 2035 foi anunciado nesta sexta-feira (29) com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também informou que reenviará a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e elevou o tom contra a recente classificação, pelos Estados Unidos, das facções CV e PCC como organizações terroristas.
Estrutura do projeto Sergipe Águas Profundas e retomada da Fafen-SE
Do montante divulgado, mais de R$ 60 bilhões concentram-se no Projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), destinado a ampliar a produção nacional de gás natural. O plano compreende a perfuração de 32 poços, instalação de um gasoduto de 134 km e a construção das plataformas P-81 e P-87, contratadas junto à SBM Offshore. Cada unidade terá capacidade para processar 240 mil barris de petróleo/dia e 22 milhões m³ de gás/dia. A Petrobras prevê o início da extração em 2030 e o começo das exportações de gás em 2031.
Outra frente envolve a retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen-SE), cujas operações voltaram a produzir amônia em dezembro de 2025 e ureia em janeiro de 2026. Com investimento de R$ 60 milhões, a unidade alcança capacidade para 1.800 t/dia de ureia, volume equivalente a 7 % da demanda nacional. Segundo a estatal, já foram criados 530 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos.
Geração de empregos, cronograma e descomissionamento de plataformas
Ao todo, o pacote em Sergipe deve originar mais de 25 mil vagas entre postos diretos e indiretos. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, projetou que o estado se tornará o maior produtor de petróleo do Nordeste quando as novas plataformas entrarem em operação. A participação regional na oferta de gás natural pode saltar de 16 % para 31 % até 2035.
No segmento de descomissionamento, a companhia alocará R$ 12,5 bilhões para o fechamento de poços e remoção de 26 plataformas em águas rasas. O procedimento atende exigências regulatórias e integra a política de renovação do portfólio de ativos da estatal.
Reenvio de Jorge Messias ao STF e repercussões no Senado
Lula confirmou que reenviará ao Senado a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar a vaga aberta pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso. A primeira submissão foi rejeitada em plenário por 42 votos contrários e 34 favoráveis, embora tenha passado na Comissão de Constituição e Justiça. O presidente enquadrou o revés como “questão política”, descartando dúvidas sobre a qualificação técnica do candidato.
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Integrantes do governo atribuem a derrota a articulação conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, favorável ao nome do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco. O novo pleito obrigará Messias a submeter-se novamente à sabatina da CCJ antes de retorno ao plenário.
Critérios de soberania e reação à decisão dos EUA sobre facções brasileiras
No discurso, Lula questionou a decisão do Departamento de Estado norte-americano de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. O presidente interpretou a medida como possível intervenção externa e citou documentos entregues ao presidente Donald Trump sobre fugitivos brasileiros que estariam em território americano, entre eles o ex-deputado Alexandre Ramagem e o empresário Ricardo Magro.
O chefe do Executivo mencionou ainda o senador Flávio Bolsonaro, acusando-o de apoiar a iniciativa norte-americana. “Não brinquem com a soberania deste país”, declarou, argumentando que a oposição se incomoda com a expectativa de sua futura candidatura presidencial.
Conclusão técnica
O pacote de R$ 70 bilhões alinha a Petrobras à estratégia de expansão da produção de gás e fertilizantes, reduzindo dependência de importações e elevando a relevância energética do Nordeste. A retomada da Fafen-SE, o cronograma das plataformas P-81 e P-87 e o programa de descomissionamento consolidam um ciclo de investimentos que chega a 2035 com metas claras de geração de empregos e aumento da oferta interna. No campo político, a insistência no nome de Jorge Messias renova o embate entre Executivo e Senado, enquanto a resposta de Lula à classificação de facções brasileiras pelos EUA intensifica o discurso de defesa da soberania nacional. O próximo passo decisivo será a nova sabatina de Messias, cuja aprovação ou nova rejeição poderá redesenhar a relação de forças entre Planalto e Congresso nos meses seguintes.




